As generalizações são perigosas, mas dizer que as previsões nunca serão suficientes para revelar o que há de vir é uma verdade que se aprende. No Curso do Estadão foi assim. Embora três meses sejam poucos para uma vida, eles foram capazes de render uma maratona de experiências e ensinamentos para 31 focas. Essa, sim, para toda a vida.
Na memória já está Paco Sánchez com a precisão galega. Em apenas três aulas ele implantou um mosquitinho na minha cabeça que desperta nas horas mais recomendadas para murmurar um "hay que mirar, hay que escuchar". Ele é da mesma família da buzina, obra de Chico Ornellas, que no caminho do metrô, na manhã dos últimos três meses, me acorda com o quase-mantra: "Oportunidade, gente. Oportunidade".
Com o passeio didático por Economia, Política e Filosofia intercalamos a passagem por editorias que foram aulas magnas. Também com as gratas manhãs diante de repórteres e profissionais de peso. As perguntas não faltaram. "Todo jornalista tem pergunta", diz a cartilha. A 19ª turma a seguiu à risca. Estourar o tempo virou tradição, sem a dor e a sensação da hora passar. Valeu esmiuçar cada informação, cada momento.
Neste fim - se é que se trata de um fim - as anotações preenchem dois bloquinhos inteiros e 31 mentes em corpos cansados. Posso garantir que a percepção de pautas, o cuidado da apuração e a precisão do texto nunca pareceram tão próximos antes dessa experiência. A amizade talvez não se revista apenas do contato e do tal networking. O grupo privilegiado por esses ensinamentos leva dessa viagem a confidência de grandes momentos.
Além de Paco e Chico, agradeço a outras pessoas por esse período. Carla Miranda, a editora de Turismo que foi guia no processo de trabalho e soube ser suficientemente "irresponsável" ao dar espaço no caderno Viagem para matérias de focas como eu; Marisa, pelo carinho e dedicação de todos os dias; Mari, pelo profissionalismo na condução do curso. Também a Luiz Carlos Ramos. Dele, além das bem-vindas advertências em aula - o ceticismo que não devemos perder -, tive o prazer de ouvir histórias de aventuras das reportagens por estradas deste País. Com "P" maiúsculo, o Manual nos ensina.
Aos futuros focas do 20º ano do curso: não acreditem nas primeiras impressões. Não acreditem que três meses podem ser passageiros, tampouco em um Chico Ornellas turrão. O sorriso que encerra as suas falas já denuncia que o "vocês vão rir, vocês vão chorar" será feito de mais alegrias do que lágrimas. Ele quer dizer: "vocês vão sentir, vocês vão mudar". Piscos, ceviches, Virgínias e Burleys podem ser apenas cenários de uma escola para a vida que apenas começa.