Se eu tivesse que sintetizar em uma palavra as inúmeras lições que aprendi com o Curso Estado, diria que a expressão da vez é "humildade". Hoje, percebo que desde o primeiro dia como focas do Estadão começamos a exercitar esse valor necessário para todo ser humano, essencial para um jornalista.
Reconhecer, com humildade, qualidades e defeitos de si próprio e dos outros foi um desafio. Foi difícil ver meu texto exposto para os colegas, assim como ver o trabalho de um colega ser criticado diante de todos. Esse exercício teria sido para nós uma vergonha se não tivéssemos a certeza de que todos respeitariam, com humildade, o texto do outro. Ouvir palavras duras e mastigá-las durante dias para entendê-las foi um aprendizado. Nosso "amestrador de focas", Chico Ornellas, diria logo que nós éramos um time. Trabalharíamos juntos, um pelo outro. Ou seja: humildade.
O professor Carlos Alberto Di Franco diria que ser humilde é "deixar-se humilhar; agir consciente das próprias qualidades e defeitos". O querido Luiz Carlos Ramos, citando Paco Sánchez, adiantaria que o jornalista deve saber ver, ouvir e pensar. Paco resumiu: a humildade é a maior virtude de um jornalista. Ser humilde é "estar disposto a aceitar os outros; respeitar a realidade; amar o objeto descrito".
Realmente, não me lembro de ter sentido arrogância em nenhum dos ilustres jornalistas que conversaram conosco durante o curso. E fico feliz por isso. Confesso que tivemos nossos méritos quando fomos escolhidos e, por vezes, elogiados. No entanto, de nada adiantaria se esses elogios nos enaltecessem a ponto de nos tornarem jornalistas cheios de si, arrogantes e prepotentes. A lição e - mais do que isso - o exemplo nos foram oferecidos no Curso Estado. Ser humildes ou não, agora cabe a nós decidir.