"Lembram do que eu falei sobre as oportunidades?", desafiou certo dia o coordenador Chico Ornellas, parado em frente à forca e ao chicote que ornamentam a sala do Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado. Não respondemos. Mas, cada qual a seu modo, nos recordamos da lição sobre aproveitar as possibilidades que a sorte, o talento e o esforço distribuem pelo nosso caminho.
Nós agarramos a primeira chance ao conquistar um lugar naquela sala, por onde passaram tantos repórteres e editores. A partir daí, um novo passo: dividir horas de aprendizado, questionamento, orgulho e inquietação com 30 jornalistas de diversos cantos do país e uma argentina. Queríamos saber o máximo uns dos outros, brincar com palavras e sotaques fora do nosso repertório e assimilar as sugestões de quem passava pela mesma aflição de dar um bom fecho para a sua reportagem até às 23h59.
Depois da luta contra o relógio, vinha o dia seguinte e uma nova oportunidade: conhecer as histórias de vida de quem vive de contar boas histórias. Além de jornalistas experientes, professores de economia, política, ética e filosofia trouxeram diferentes pontos de vista para as manhãs cheias de café e perguntas.
Em outras manhãs, encarávamos os comentários sobre os textos produzidos. Luiz Carlos Ramos ponderava defeitos e qualidades. Carla Miranda aplicava os puxões de orelha. A cada crítica e elogio, íamos incrementando nossa capacidade de ver, ouvir e refletir, como ensinou o professor Paco Sanchez. No meio do curso, partimos para exercitar essas habilidades em Santa Cruz do Sul e no Peru, visitando desde uma plantação de fumo até um porto em construção.
Outra aventura foi passar uma temporada nas redações do grupo, onde escrevemos tudo que nos deixassem produzir. Antes das aulas começarem, celebrávamos em conjunto as edições que traziam textos dos focas. Agora, na reta final da nossa trajetória, nos esforçamos para, também juntos, escrever as matérias para o suplemento do curso, publicado a cada dezembro. E que daqui a alguns meses servirá tanto para embrulhar peixe quanto para incentivar outros 31 jovens jornalistas a sonhar com essa mesma sala, essa mesma bancada, aquela mesma primeira oportunidade e outras tantas que esses três meses proporcionam.