Moqueca capixaba se faz com peixe e meia dúzia de temperos. Simples assim. Precisei sair do Espírito Santo e aterrissar em São Paulo para entender que no jornalismo tem que ser igual: simplicidade. Só sendo muito bom em descomplicar as coisas para encarar esses três meses intensos e velozes.
Porque o jornalismo consome a gente. Apenas resistem aqueles que gostam. Esse curso é a prova de fogo para quem ainda não se jogou de vez nessa fogueira. Nele, ensaiei o meu salto mortal. Deixei para trás dois anos de redação e comecei do zero, com o entusiasmo de uma recém-formada.
Não quis deixar nenhum detalhe passar. Fiquei acordada até de madrugada, para sentir que estava aproveitando cada minuto. Olhei bem de perto as 30 novas caras a minha frente, para ter certeza de que nunca irei esquecê-las. Fiz questão de me apaixonar: pelos amigos que conquistei, pela cidade onde vim morar e pela profissão que escolhi.
Foi a chance de poder errar a mão no tempero. Aprender com chefs nacionais e internacionais os segredos de conquistar o leitor pelo estômago, oferecendo a ele uma mesa farta de informações saborosas e textos criativos. Joguei na minha panela de barro especiarias de outras regiões: paulistas, paranaenses, gaúchas, catarinenses, mato-grossenses, cariocas e até argentinas. O resultado foi um tremendo banquete - com anfitriões que nos deixaram à vontade, apesar de exigirem bons modos à mesa.
Encerrada a noite, é hora de dizer "até mais", sem chororô nem ressaca no dia seguinte. Apenas gestos carinhosos como abraços, cabeçadas ou mordidas na canela. Ainda temos um cardápio enorme de opções a experimentar. Em breve estaremos novamente juntos, no Johnny's, para decidir qual a próxima boa pedida.