Não foi quando passei no vestibular nem quando fiz a minha primeira reportagem na faculdade - pelo que eu me lembro, a pauta era a população marginalizada de Bauru, cidade em que estudei Jornalismo pela Unesp. Também não foi quando empunhei um gravador pela primeira vez ou quando fiz uma entrevista com alguém importante logo no primeiro ano de curso. E não foi em nenhum momento da vida universitária durante os quatro anos de faculdade - muito menos na hora em que, vestida com a tão esperada beca e segurando o tão sonhado diploma, enfim concluí a graduação. Na verdade, a primeira vez em que eu realmente senti que tinha me tornado jornalista foi numa manhã de setembro de 2008. Era uma quarta-feira gostosa de inverno, em plena Praça da Sé, por volta das 8 horas da manhã. Enquanto centenas e centenas de pessoas caminhavam apressadas pelas ruas próximas, a caminho do trabalho, 31 focas meio perdidos e ansiosos ouviam atentamente as dicas e instruções do querido mestre Luiz Carlos Ramos. Tínhamos quatro horas para realizar nossa primeira matéria na rua. Em meio à efervescência decadente do centro paulistano, a missão era treinar o olhar jornalístico e conseguir uma pauta interessante e uma boa história para contar. E foi ali, sozinha e sem conhecer direito o lugar, com bloquinho e caneta nas mãos, que fui à caça de personagens e vidas que valessem as 60 linhas de uma reportagem. Foi ali também a minha verdadeira formatura como jornalista.
Lembrando dos conselhos do Chico Ornellas e do carinho quase maternal que a Marisa guarda para cada foca deslumbrado, sem esquecer, é claro, das críticas e dos conselhos da Carla Miranda e do surpreendente Paco Sánchez para melhorarmos nossos textos, dá para dizer, mesmo sendo um clichê, que o "intenso" que aparece no nome do curso não está ali de brincadeira. E não é só pelo ritmo acelerado de aulas, palestras, coletivas, viagens, matérias e estágios na redação. Nesses 90 e poucos dias, tivemos a oportunidade de conhecer os principais candidatos à Prefeitura de São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o senador Aloizio Mercadante e o ministro Miguel Jorge. Visitamos Santa Cruz do Sul e até demos uma passadinha no Peru - tudo isso com um sentimento de viagem de formatura do ensino fundamental, tamanha era a empolgação para organizar festinhas e cantorias nos trajetos de ônibus. Também pudemos ter contato com os nomes que fizeram o jornalismo brasileiro e a história do Estadão, que, solícitos, contaram um pouco de suas experiências na profissão e histórias encantadoras de vida.
Para quem estava, como eu, trabalhando infeliz em uma assessoria de imprensa, e, de repente, viu-se no meio de 30 desconhecidos e dentro de um dos maiores jornais do Brasil, o curso despertou aspirações profissionais até então desconhecidas para uma simples recém-formada. De tudo, ficam as fotos divertidas, os conselhos certeiros, os amigos inesquecíveis, as cervejas divididas nos muitos bares de São Paulo, as conversas animadas, os debates acalorados e o trabalho árduo de quem cresceu muito em tão pouco tempo. E, é claro, fica o sentimento de saber-se, agora mais do que nunca, jornalista. É esse o meu diploma.