Telecom

sexta-feira, 16 de maio de 2008, 19:30 | Online

Competição de teles impulsiona base celular em abril

Ritmo de expansão tem feito com que as expectativas para o setor sejam de recorde de entrada de usuários

Alberto Alerigi Jr., da Reuters

SÃO PAULO - O mercado brasileiro de celulares encerrou abril seguindo a tendência de forte crescimento que fez a base de linhas ativas crescer mais que duas vezes o total de adições verificado no primeiro quadrimestre do ano passado.

 

O ritmo de expansão tem feito com que as expectativas para o setor sejam de recorde de entrada de usuários à base de celulares este ano, após a máxima atingida em 2007.

 

De acordo com o presidente da consultoria de telecomunicações Teleco, Eduardo Tude, 2008 deve contar com adições líquidas de 25 milhões de celulares, levando o total em operação no país a 146 milhões, 21% mais que em 2007.

 

"Esse ano está prometendo ser um ano de recorde de crescimento... Mas daqui uns dois anos vamos estar perto de uma densidade (celular/habitante) de 100% e o crescimento vai ser mais devagar, por isso as operadoras estão aproveitando para captar clientes agora, porque depois será mais caro fazer isso", disse Tude.

 

Nos quatro primeiros meses do ano, o setor adicionou 6,76 milhões de linhas celulares à base, ritmo de expansão mais que o dobro do verificado entre janeiro e abril de 2007, quando o total de acessos móveis cresceu em 2,96 milhões.

 

O total de linhas ativas no mês passado cresceu para 127,74 milhões, volume 1,5% acima do verificado em março, de acordo com dados de operadoras disponibilizados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Na comparação com abril do ano passado, quando a base era de 102,87 milhões de linhas ativas, o crescimento foi de 24,18%.

 

O mercado celular brasileiro tem sido impulsionado por incremento de competição entre as operadoras que estão avançando sobre regiões onde antes não atuavam, como a Oi em São Paulo e a Vivo no Nordeste, enquanto as empresas que já atuam nessas regiões aceleram captação de clientes em antecipação a isso.

 

Além disso, a base de comparação do início do ano passado foi mais fraca, pois a Vivo estava iniciando operação GSM e a Oi estava com uma política menos agressiva, disse Tude.

 

Para o analista Guilherme Assis, do Morgan Stanley, parte do crescimento no número de linhas informado pelas operadoras à Anatel deve-se à prática das empresas na venda de chips GSM aos clientes. Com isso, durante cerca de três meses o chip com a linha anterior continua a contar na base antes de ser eliminado pela operadora.

 

"O que a gente tem visto é que as operadoras estão vendendo agressivamente o chip, que sai mais barato para os clientes que a recarga (da linha pré-paga), disse Assis.

 

"Tem uma parte (da base) que está inflacionada por causa da venda dos chips, mas a gente acha que o mercado está muito forte no Brasil apesar disso", afirmou o analista.

 

Tude, do Teleco, estima que em termos de pessoas com celular no país a base do país seria 15% menor. Já em termos de pessoas que usam celular o total seria 10% maior. "Tem famílias que compartilham um celular por exemplo", explicou.

 

Segundo Assis, a estratégia das operadoras em focar mais na oferta de chips está tendo mais força no Brasil em relação a outras regiões da América Latina. "Na América Latina, o que a gente tem visto ocorrer mais no Brasil, porque é o mercado mais competitivo, que tem mais operadoras. Nos outros mercados há uma concentração maior entre Telefónica e América Móvil ", disse o analista.

 

Nos próximos dias, a Anatel deve divulgar o balanço definitivo do desempenho do setor no mês passado, incluindo a participação das operadoras.


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