Imagine Só
Herton Escobar é jornalista de O Estado de S. Paulo, e dedica-se à cobertura de Ciência
16.01.2008
As estrelas da noite

Quando crianças, somos ensinados a desenhar estrelas como objetos rígidos, pontiagudos e de aparência cristalina, com o tradicional formato natalino de quatro ou cinco pontas. Mas isso é apenas uma ilusão luminosa, criada pela distância do espaço e a turbulência da nossa atmosfera. O certo seria desenhá-las como esferas incandescentes, com luz e calor emanando para todos os lados. O nosso Sol é uma estrela, e as estrelas são sóis. Nada delicadas.
A única razão pela qual as vemos como pontinhos luminosos é porque elas estão muito (muito!) longe. Se estivessem perto, surgiriam e desapareceriam no horizonte como grandes bolas amarelas, iguais ao Sol. Pelo que me diz o professor Oscar Matsuura, a estrela mais próxima de nós é Proxima Centauri, a 4,2 anos-luz de distância - o que significa que você precisaria viajar mais de 4 anos à velocidade da luz para chegar até ela. É muito longe!
Numa noite de céu limpo e escuro, longe da poluição aérea e luminosa das cidades, talvez seja possível enxergar umas 2.500 estrelas. (Se você mora em São Paulo, como eu, sinta-se feliz de ver uma meia dúzia.) E essas são apenas as nossas vizinhas mais próximas - uma amostra microscópica das centenas de bilhões de estrelas que flutuam pela nossa galáxia, a Via Láctea.
Para ser mais preciso, nem todas as estrelas são idênticas ao Sol. O Sol é um tipo muito comum de estrela no universo, mas não o único. Há estrelas maiores e menores, mais quentes e mais frias, mais avermelhadas ou azuladas, dependendo da temperatura. Mas todas, na sua essência, são bolas luminosas de gás. Se olhar com atenção, talvez consiga notar pequenas diferenças no brilho de cada uma. Só não se deixe enganar por algumas exceções: em especial os planetas, além de algumas poucas galáxias e nebulosas. O ponto mais luminoso no céu é Vênus. E se notar uma estrela excessivamente avermelhada, não é estrela, é Marte - o Planeta Vermelho.
Muitas dessas estrelas que enxergamos também possuem planetas, assim como o nosso Sistema Solar. Mas esses são pequenos demais até mesmo para os telescópios mais possantes enxergarem, muito menos o olho humano. Só uma coisa eu garanto: no céu alienígena dessas estrelas, o nosso enorme, brilhante e todo-poderoso Sol nada mais é, também, do que mais um pontinho luminoso no escuro.
Será que tem alguém lá olhando para nós?
Pense nisso da próxima vez que contemplar as estrelas.
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