Ciência
Herton Escobar é jornalista de O Estado de S. Paulo, e dedica-se à cobertura de Ciência
30.01.2008
A origem dos combustíveis fósseis

E o carbono que sai pelo escapamento na forma de CO2 - e que vai contribuir para o efeito estufa na atmosfera - é o mesmo carbono que compunha as células desses bichos em oceanos pré-históricos.
Os combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral, que são os grandes vilões do aquecimento global) são chamados assim porque são, de fato, derivados de plantas e animais mortos. Em outras palavras: fósseis de plâncton marinho! Tipo esqueleto de dinossauro, só que líquido.
A transformação envolve grandes quantidades de matéria orgânica soterrada sob fortes condições de temperatura e pressão - e nenhum lugar é melhor para isso do que o fundo do oceano. Resumidamente, a concepção de uma reserva de petróleo se dá mais ou menos assim: milhões de anos atrás e milhares de metros abaixo da superfície, onde a falta de oxigênio retarda o processo de decomposição, as carcaças de incontáveis plantas e animais acumuladas no leito oceânico foram lentamente cobertas e comprimidas sob espessas camadas de sedimentos.
Com o passar do tempo (muito tempo!), toda essa biomassa foi transformada em óleo e gás natural, num processo conhecido como “maturação”, segundo o geólogo Paulo César Boggiani, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo.
“Com o peso dos sedimentos e a temperatura do interior da Terra, ocorre uma reação química que transforma a matéria orgânica em óleo”, explica o pesquisador.
Todas as jazidas petrolíferas, portanto, foram formadas em sedimentos marinhos - mesmo que hoje elas estejam em áreas continentais. O gás natural se forma pelo mesmo processo, junto com o petróleo.
Já o carvão mineral é derivado de plantas que cobriram a Terra 300 milhões de anos atrás, no período chamado carbonífero (“rico em carbono”). Naquela época, a paisagem terrestre era dominada por pântanos e florestas úmidas, propiciando um grande acúmulo de matéria orgânica no solo.
A exemplo do que ocorreu no fundo do oceano, esses restos vegetais foram soterrados, comprimidos e transformados em carbono concentrado. Ou seja: carvão.
Esse é o carvão mineral que se usa em termoelétricas e grandes fornalhas industriais, diferente do carvão vegetal que você usa na churrasqueira para assar a picanha no fim de semana. Esse último é carvão fresquinho mesmo, produzido a partir da queima de madeira.
Uma observação importante: tudo isso que eu falei sobre as emissões veiculares vale apenas para carros movidos a gasolina e diesel. Os carros movidos a álcool também emitem CO2, mas nesse caso o carbono vem da cana-de-açúcar, e ele será reabsorvido da atmosfera pelas novas plantas que estão crescendo no campo. Por isso é chamado de “biocombustível” e “renovável”.
Pense nisso a próxima vez que parar no posto para abastecer seu carro.
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