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terça-feira, 15 de janeiro de 2008, 13:59 | Online
Estudantes italianos em greve contra discurso do papa
Críticos da visita condenam discurso feito por Ratzinger, há 20 anos, sobre o julgamento de Galileu
PHIL STEWART - REUTERS

A manifestação mais recente soma-se a várias que dividiram o país. O Vaticano afirmou que o pontífice faria um pronunciamento na universidade La Sapienza na quinta-feira, apesar dos protestos, classificados por pessoas da Igreja, e de fora dela, como uma tentativa de censura.
A polêmica começou com a assinatura de uma carta por 67 professores que descreveram o papa como um teólogo retrógrado, responsável por colocar a religião antes da ciência. Segundo os professores, Bento XVI não deveria ter autorização de discursar.
A carta destacou um pronunciamento feito 20 anos atrás por Joseph Ratzinger (hoje papa Bento XVI) e no qual o religioso justificaria o processo por heresia lançado pela Igreja, no século 17, contra Galileu, porque o pesquisador defendia que a Terra girava em torno do Sol. Os aliados do pontífice negam isso.
"Eu acho que a visita do papa não é algo positivo porque a ciência dispensa a religião. A universidade é um lugar aberto a todas as formas de pensamento. Mas a religião não é", afirmou Andrea Sterbini, professor de ciência da computação e um dos signatários da carta.
Ainda assim, o debate colocou alguns aliados inesperados ao lado do papa. Dario Fo, vencedor do Prêmio Nobel e um crítico contumaz da Igreja, defendeu o direito do papa de discursar. "Sou contra qualquer forma de censura, porque o direito à livre expressão é sagrado", afirmou o escritor ao jornal La Repubblica.
Os protestos ampliaram-se para incluir italianos --alguns dos quais integrantes do atual governo-- que reclamam do peso excessivo da Igreja Católica dentro da sociedade italiana.
"Ninguém deseja calar o papa ou tentar negar-lhe o direito de expressão", afirmou Emma Bonino, ministra italiana de Assuntos da União Européia e membro do partido secular Rosa em Punho. "Acho preocupante o quadro com que nos deparamos hoje: o único que tem espaço para falar, a qualquer hora, é o papa."
Alguns estudantes, que lançaram uma semana "anticlerical" antes do discurso do papa, dizem que o sistema de educação superior precisa ser secular. Os estudantes ocuparam a reitoria para terem o direito de realizar manifestações dentro da universidade quando da visita do papa.
"O papa fez de La Sapienza uma refém. Libertem os pensadores", afirmava uma faixa exibida pelos estudantes.
Os aliados de Bento XVI observaram que os manifestantes eram minoritários. Autoridades de La Spienza, fundada por um papa 705 anos atrás, destacaram o fato de haver 5.000 professores na instituição de ensino - dos quais apenas 67 assinaram a carta. "Eu realmente não entendo o porquê desse protesto. O papa é uma pessoa como outra qualquer, que virá para conversar com a gente", disse o estudante de física Federico Magni à Reuters.
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