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sexta-feira, 20 de junho de 2008, 23:57 | Online
Apesar de avanço, só 64 cidades têm nota de país desenvolvido
Levantamento mostra que apenas 62 dos mais de 5,5 mil municípios tiveram Ideb igual ou maior do que 6
Lisandra Paraguassú, de O Estado de S. Paulo
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Os resultados do Ideb por municípios mostram um quadro consideravelmente melhor do que em 2005, quando o ministério fez a primeira Prova Brasil - a avaliação universal do ensino fundamental. A partir daí foi criado o Ideb, que é calculado com dados da aprovação escolar e das médias de desempenho dos estudantes em português e matemática nas avaliações nacionais, a Prova Brasil e o Sistema de Avaliação da Educação Básica.
As notas de 2005 revelaram que apenas 235 municípios conseguiram, na etapa de 1ª a 4ª série, uma nota acima de 5 , a partir da qual a rede de ensino pode ser considerada boa. Hoje, são 892. Apenas 10 cidades tiveram então médias acima de 6 naquele ano. Ainda assim, boa parte dos municípios brasileiros ainda patina com Ideb abaixo de 4. Na etapa de 5ª a 8ª série, um quarto dos municípios fica com médias abaixo de 3 - uma nota considerada pelo próprio ministro da Educação, Fernando Haddad, como "menos do que regular". De 1ª a 4ª série, a situação, mais uma vez, é melhor. Ainda assim, são 904 cidades com notas 3 ou abaixo.
"No geral, acho que ficamos bem. Fiquei muito feliz com os resultados, significa que o sistema finalmente está se movimentando, criou-se uma preocupação com a aprovação, com o currículo, com o que ensinar", disse a secretária de educação básica do MEC, Maria do Pilar. "Mas não podemos pensar que está bom. Esse é o resultado de uma primeira reorganização."
O ministério comemora especialmente o avanço que os sistemas mostram nos resultados da 4ª série. Seria uma demonstração de que as crianças mais novas estão aprendendo mais e a esperança de que esses bons resultados cheguem, daqui a alguns anos, na 8ª série e no ensino médio. Isso porque, hoje, o final do ensino fundamental ainda fica muito aquém do necessário. Apenas 88 cidades brasileiras conseguiram alcançar uma média 5 na 8ª série.
Algumas cidades apresentam um perfil que pode ser considerado quase caótico. Ubatã, na Bahia, levou o título este ano de rede com pior Ideb na 4ª série do País, com apenas 0,9. Mais grave ainda, a cidade reduziu pela metade o seu resultado, que era de 1,8 em 2005. Os resultados na educação parecem ser reflexo do próprio caos administrativo da cidade. Em junho do ano passado, o prefeito da cidade, Adailton Magalhães, foi preso acusado de desvio de recursos públicos e superfaturamento. O Estado tentou contato com a prefeitura, mas ninguém respondeu no local.
Entre os 100 municípios com piores Idebs na 4ª série, 40 pioraram entre 2005 e 2007. Em todos, o perfil é semelhante: houve piora nas taxas de aprovação e também nos resultados da Prova Brasil. O mesmo aconteceu com as cidades que tiveram resultados ruins na 8ª série. Mas, nesse caso, das 100 com piores resultados, 58 caíram entre 2005 e 2007.
Apesar dos avanços nas regiões mais pobres do País, as diferenças regionais ainda se mantém. Enquanto os bons resultados se concentram no Sul e no Sudeste, são as cidades do Norte e Nordeste que aparecem na ponta de baixo do ranking. Entre os 100 municípios com piores Idebs, 99 estão nessas regiões, boa parte deles dos Estados da Bahia - que tem os dois piores resultados, Ubatã e Barra do Rocha - e do Pará. A exceção é Capitão Andrade, em Minas Gerais.
O secretário da Educação da Bahia, Adeum Sauer, lamentou o mau resultado das duas cidades, municípios vizinhos a 375 quilômetros de Salvador. "Se a gente olha as notas que os alunos receberam na prova, houve até uma evolução", afirma Sauer. "O problema foi a queda na aprovação dos alunos".
Na 8ª série, o pior resultado do País está em Baraúna, no Rio Grande do Norte, com um Ideb de 1,5 - ainda pior do que os meros 2 pontos de 2005. Nos dois anos, os estudantes da cidade tiveram notas ainda mais baixas na Prova Brasil e a reprovação na 5ª série aumentou 10 pontos porcentuais.
Na ponta de cima do ranking, a pequena cidade paulista de Adolfo, com 3 mil habitantes, tem o mais alto Ideb do País para a 4ª série: 7,6. São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina concentram a maior parte das cidades com os melhores resultados do País. O Nordeste aparece com apenas um município entre os 100 melhores. São Domingos do Cariri, na Paraíba, com o único Ideb 6 da região. A nota 6 almejada pelo MEC é a média apresentada por países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A atual média da rede pública brasileira é 4,2 para a etapa de 1ª a 4ª série.
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