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quinta-feira, 10 de julho de 2008, 17:53 | Online
Laicidade deve estar separada de anticlericalismo, diz Vaticano
'Igreja não pede privilégios, mas possibilidade de desenvolver sua missão', afirmou secretário de Estado
Ansa
"A Igreja católica não pede privilégios, mas só a possibilidade de desenvolver livremente a própria missão pastoral e social", afirmou o cardeal.
Ao lembrar os princípios fundamentais da Constituição italiana, Bertone destacou como esta Carta atual "deve muito à cultura católica", conferindo uma laicidade fundamental ao Estado da Itália.
"A experiência destes 60 anos mostra que, justamente graças aos Pactos Lateranenses (assinados entre o ditador fascista Benito Mussolini e a Igreja Católica), inseridos na Carta constitucional, foi possível uma proveitosa colaboração entre a Igreja e o Estado, em um clima de verdadeira laicidade, todos operando com o mesmo objetivo: promover o autêntico bem da Itália", disse Bertone.
Segundo o cardeal, "não poucos pensadores expressam um conceito de laicidade aberta ao diálogo e ao confronto construtivo entre posições distintas". A essa idéia, o secretário de Estado do Vaticano contrapõe um "laicismo, (...) esse veiculado pela imprensa", conotado por um "critério de exclusão" do aspecto religioso.
"E pelo contrário, a mais ampla e acertada discussão do problema da laicidade no âmbito internacional, continental e norte-americano, evidencia os limites do nosso laicismo. Na Itália, enfim, pelo menos para alguns, laicidade significa rejeitar o reconhecimento da importância social do fato religioso", explicou.
"Existe a premissa, já 'descontada', da secularização como privatização da religião, que, no momento histórico de seu retorno a um protagonismo social e cultural, é acusada de invadir ilegitimamente a esfera publica. (...) A Constituição italiana é laica, mas não laicista. É interessante notar como na Itália foi preciso marcar esse binômio para distinguir a laicidade saudável daquela radical e anticlerical".