Meio Ambiente
segunda-feira, 5 de novembro de 2007, 11:06 | Online
Brasileiros se preocupam com clima, mas rejeitam impostos
Nove em cada dez pessoas acreditam que deveriam mudar estilo de vida contra aquecimento, diz pesquisa
BBC Brasil
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De acordo com a pesquisa, realizada pela empresa GlobeScan junto com o Programa Internacional de Atitudes Políticas (PIPA, na sigla em inglês), da Universidade de Maryland, 50% dos brasileiros disseram que as pessoas “definitivamente” terão que mudar seus estilos de vida para combater as mudanças climáticas. Outros 38% disseram que as mudanças “provavelmente” terão de ocorrer.
Na média global, 41% dos entrevistados disseram que “definitivamente” terão que haver mudanças, e 37%, que “provavelmente” deverão ocorrer mudanças.
"As pessoas em todo o mundo reconhecem que para combater as mudanças climáticas é preciso que haja uma mudança de comportamento. E que para incentivar essas mudanças será necessário um aumento do custo da energia que contribui para as mudanças climáticas", disse o diretor da PIPA, Steven Kull.
Não aos impostos
Apesar de acreditarem que deverão ocorrer mudanças no seu estilo de vida, os brasileiros se mostram pouco dispostos a pagar mais pela energia como uma forma de ação.
No levantamento, as pessoas tinham três opções sobre o aumento de impostos: primeiro, se apoiam o aumento mesmo que ele não seja vinculado diretamente ao combate ao aquecimento global; segundo, se elas apoiam mais impostos desde que o dinheiro seja dedicado à geração de formas limpas de energia; e, por fim, se apoiam mais impostos desde que outros impostos sejam reduzidos como forma de compensação.
Enquanto na média geral dos países pesquisados, 50% dos entrevistados apoiam o aumento de imposto sobre energia mesmo que ele não esteja vinculado diretamente ao combate ao aquecimento, no Brasil 41% disseram apoiar a medida. Quando o aumento de impostos é vinculado à geração de energia limpa, esse percentual no Brasil sobe para 65% - ainda assim, o segundo mais baixo entre os 21 países pesquisados. Apenas os indianos se mostraram mais refratários ao aumento dos impostos, com 60%.
Mesmo quando a idéia é que o volume total de impostos permaneça inalterado, os brasileiros não mostram propensão a pagar pela energia. A taxa de pessoas que apoiam a idéia continua em 65%, enquanto na maioria dos outros países esse índice é bem maior. Apenas no México e nos Estados Unidos a idéia teve menos apoio, com 64%.
A pesquisa mostrou ainda que a consciência em relação ao aquecimento global é grande entre os maiores poluidores do planeta - Estados Unidos e China. Entre os americanos, 48% acreditam que as pessoas “definitivamente” terão que mudar seus estilos de vida, e outros 31% crêem que isso “provavelmente” terá de ocorrer. Na China, esses percentuais são, respectivamente, de 59% e 28%.
Nos dois países, a população se mostra mais disposta que os brasileiros a pagar impostos maiores para conter o aquecimento. Na China, 97% apoiam algum tipo de aumento, enquanto nos EUA essa taxa chaga a 74%.
A pesquisa está sendo publicada para coincidir com a semana do Serviço Mundial da BBC sobre mudanças climáticas. Também nesta semana a BBC Brasil vai trazer um blog sobre como as mudanças climáticas estão afetando a vida em Bangladesh, um dos países mais populosos do mundo.
"Enquanto poucos cidadãos apóiam o aumento de impostos, a pesquisa sugere que líderes nacionais poderiam ser bem sucedidos ao introduzir impostos de carbono sobre a energia. O requerimento chave, no entanto, é que os cidadãos confiem que esses impostos serão investidos no combate às mudanças climáticas aumentando a eficiência energética e desenvolvendo combustíveis mais limpos", afirmou o presidente da GlobeScan, Doug Miller.
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