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População: 362
Localização: Alto Xingu - a 10 minutos à pé
de uma pequena lagoa a leste do rio Culuene
Tronco lingüístico: Karib
Primeira tribo xinguana a ser contatada pelos irmãos
Villas Bôas, em 1945, a tribo Kalapalo é uma de quatro
tribos de língua Karib que vivem no Alto Xingu. Antes da
chegada dos Villas Bôas, esse povo já tinha contato
esporádico com o homem branco, tanto que o nome Kalapalo
foi dado a esse grupo por colonizadores brancos, no final do século 19.
Os Kalapalos falam um dialeto de uma língua
que pertence ao braço do sul da Guiana da família
lingüística Karib. Seus parentes lingüísticos
mais próximos são os Ye'cuana ou Makiritare e os Hixkaryana,
encontrados no sul da Venezuela e Guiana. Em comum, essas comunidades
tem mitos que descrevem seus encontros com o homem branco e o ritual
cristão. Essas histórias sugerem que os Caribs do
Xingu deixaram a região caribenha após o contato com
os Espanhóis, possivelmente para fugir deles, na Segunda
metade do século 18. Fora isso, há pouco
em comum entre os "primos" brasileiros e caribenhos.
Entre os índios de língua Carib, a tribo
é conhecida como Aifa Otomo, ou "aqueles que vivem em uma
área pronta". Para as outras comunidades no Xingu, a tribo
chama-se Akuku, considerada a fusão dos sobreviventes de
um grupo Kuikuro com os Kanugijafiti.
Desde 1961, quando foi criado o Parque Indígena do Xingu,
os Kalapalos vivem em "Aifa" - terras preparadas pelo homem
branco. Convencidos a aproximar-se do posto Leonardo, de modo a
facilitar o tratamento médico e acesso à víveres,
os Kalapalos mudaram-se de suas terras ancestrais próximas
ao rio Tanguro, para o novo terreno.
Entretanto, membros da comunidade retornam freqüentemente
às aldeias antigas, chamadas Anafukwa, principalmente para
cuidar de roças antigas de mandioca e algodão, para
coletar moluscos para artesanato e para pescar em locais conhecidos
por eles.
Os Kalapalos vivem de acordo com uma ética
estabelecida por eles, que distingue os povos que residem no Alto
Xingu de todos os outros na terra. Para esse grupo, a generosidade
com a propriedade é o que transforma o homem em ser humano.
Discutir ou brigar em público é uma violação
do código de ética e há restrições
à dieta dos "seres humanos." Os Kalapalos rejeitam
animais que eles chamam de gene, animais terrestres peludos, limitando-se
a comer criaturas aquáticas, especialmente peixes. |