Ao Vivo - Especialistas em saúde da mulher debatem em evento do Estadão

Médicos de importantes instituições participam da série Fóruns Estadão no Renaissance São Paulo Hotel

Como melhorar o acesso público no Brasil a tratamentos de câncer? Esta é uma das principais questões que serão debatidas durante o encontro da série Fóruns Estadão nesta sexta-feira, 27, no Renaissance São Paulo Hotel, das 8h30 às 12h30.

Com patrocínio da Roche, o encontro, que tem como tema "Saúde da Mulher", conta com as presenças de responsáveis pelo setor, em âmbitos público e privado, além de representantes de entidades médicas e de pacientes. 

O fórum conta com as presenças de Andreia Melo, do Instituto Nacional do Câncer (INCA), Gonzalo Vecina Neto, do Hospital Sírio Libanês, Gilberto Amorim, da Rede D'or, Maira Caleffi, da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), Angélica Nogueira, do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), entre outros. 

Alguns tópicos específicos serão abordados, como diagnóstico precoce, tratamentos (avanços e desafios), acesso a tratamentos nas redes pública e particular, expectativa de vida, tratamentos inovadores e iniciativas de sucesso. Acompanhe ao vivo as discussões.

02/06/7592, 14h05

Acompanhe Ao Vivo

Encerramos aqui a transmissão ao vivo do evento. Agradecemos pela participação!

Os participantes do debate fazem suas considerações finais.

O câncer é um indicador da condição socioeconômica da população e do País, pois ainda somos extremamente dependes de tecnologias estrangeiras, diz Maria Inês Gadelha, do Ministério da Saúde.

 

Maria Inês Gadelha, do Ministério da Saúde, afirma que há a disponibilidade de recursos em relação a diagnósticos de câncer de mama, mesmo com problemas de alcance e qualidade técnica, mas que eles não são utilizados de maneira racional. 

O aconselhamento genético, previsto em lei e que deve começar a vigorar no sistema público de saúde em janeiro do ano vem, é questionado por especialistas. Gilberto Amorim, da Rede D'or, e Maira Caleffi, da Femama, afirmam que não há preparo para atender aos requisitos desse programa, uma vez que ele implica em custo alto e demanda profissionais especializados.

Gilberto Amorim, da Rede D'or, afirma que a incidência de câncer de mama em homens é baixa, de cerca de 1%, mas que o fator genético faz com que haja risco para descendentes das pessoas propensas a desenvolver o tumor. Ele defende que um trabalho de prevenção seja feito junto a essas pessoas.

A qualidade técnica dos exames de papanicolau, de prevenção ao HPV, é um dos problemas para o tratamento de câncer no País, destaca Angélica Nogueira, do EVA. A coleta pode ser feita da maneira errada, a amostra pode não ter identificação ou a postura da paciente pode atrapalhar os resultados do exame. Maria Inês Gadelha, do Ministério da Saúde, afirma que houve redução no número de casos diagnósticados com o aumento da qualidade das avaliações. Gilberto Amorim, da Rede D'or, diz que o diagnóstico a partir da mamografia tem o mesmo problema e que a qualidade avançou, mas que ainda tem muito a evoluir.

Maria Inês Gadelha, do Ministério da Saúde, afirma que, quanto aos laboratórios, o órgão tenta aumentar o volume de exames preventivos e o controle de qualidade nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País.

Sobre dar ao câncer a importância que a aids tem, Gonzalo Vecina Neto, do Hospital Sírio Libanês, afirma que não há uma rede de laboratórios que fazem o diagnóstico adequado, o que dificulta a prevenção. Além disso, para ele, órgãos que realizam o controle de doenças, como o Conselho Nacional de Saúde, foram tomados por corporações que não representam a sociedade. Maira Caleffi complementa e afirma que não há um canal de diálogo entre entidades representativas e o Ministério da Saúde.

A vacinação contra o HPV para meninos é o tema da segunda rodada de perguntas. Andreia Melo, do INCA, afirma que esse é o próximo passo nos trabalhos de prevenção à doença. Angélica Nogueira afirma que a vacinação de meninas é mais eficiente e trará retornos nos próximos 15 anos. Ela critica o acesso da população aos recursos de prevenção ao câncer de cólo do útero e afirma que é uma vergonha pessoas morrerem de uma doença totalmente prevenível.

Maira Caleffi questiona a falta de transparência nos posicionamentos do Ministério da Saúde sobre o trastuzumabe. Para ela, o órgão não cede o medicamento por uma questão de custos, mas se justifica com argumentos técnicos.

Maria Inês Gadelha afirma ainda que o Ministério da Saúde não questiona a eficácia do medicamento trastuzumabe, mas que apenas avalia a gravidade do caso antes de conceder a substância ao paciente: 'Há evidências que não justificam a incorporação'.

A representante do Ministério da Saúde, Maria Inês Gadelha, afirma que há uma dualidade na prestação de serviços, que muitas vezes é desconhecida pelo paciente. Ela afirma que mais de 70% das ações judiciais para a saúde vêm do sistema privado, mas que, vencendo o recurso, o paciente passa a ser tratado na rede pública. Para ela, isso é uma evidência da banalização do recurso. 

Acionar a Justiça para obter tratamento médico é o tema discutido nesta rodada de perguntas. Angélica Nogueira defende o acesso a medicamentos, enquanto Andreia Mello avalia os três lados da questão: o do médico, o do paciente e o da indústria. Gonzalo Vecina Neto afirma que a indústria precisa fazer o seu jogo, mas que todos os lados devem ser transparentes. Por fim, Maria Inês Gadelha diz que outros países da América do Sul também enfrentam o mesmo problema.

Retornamos com a rodada de perguntas do público e respostas dos especialistas, mediadas pelo editor de Política do jornal O Estado de S. Paulo, Iuri Pitta.

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