<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" version="2.0"><channel><title><![CDATA[Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo]]></title><link>https://www.estadao.com.br</link><atom:link href="https://www.estadao.com.br/arc/outboundfeeds/feeds/rss/sections/opiniao/" rel="self" type="application/rss+xml"/><description><![CDATA[As principais e as últimas notícias do Brasil e do mundo com credibilidade na informação sobre política, economia, esportes, cultura, tecnologia, estilo de vida e muito mais.]]></description><lastBuildDate>Tue, 27 Oct 2026 11:47:45 +0000</lastBuildDate><language>pt-br</language><copyright>Grupo Estado© Todos os direitos reservados.</copyright><ttl>1</ttl><sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod><sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency><image><url>https://statics.estadao.com.br/s2016/portal/logos/estadao-logo-200x200.png</url><title>Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo</title><link>https://www.estadao.com.br</link></image><item><title><![CDATA[Os péssimos sinais do discurso da vitória]]></title><link>https://www.estadao.com.br/opiniao/os-pessimos-sinais-do-discurso-da-vitoria/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/opiniao/os-pessimos-sinais-do-discurso-da-vitoria/</guid><dc:creator><![CDATA[Notas & Informações]]></dc:creator><description></description><pubDate>Tue, 27 Oct 2026 06:02:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>É preciso ter grandeza na vitória. A eleição presidencial acabou, e o resultado das urnas, legítimo, deve ser respeitado por todos, a começar pelo candidato derrotado. Não obstante, a legitimidade da vitória não dispensa o vencedor das obrigações que ela impõe. E a primeira delas é a magnanimidade. Quem vence uma eleição tão acirrada tem o dever republicano de baixar a temperatura do País e mostrar que a campanha, com todos os seus excessos, ficou para trás. Em seu discurso da vitória, na noite de domingo, o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desperdiçou essa chance de ouro.</p><p>O destinatário do discurso era o povo brasileiro, não Flávio Bolsonaro (PL), tampouco a imprensa profissional. Deveria ser o momento em que Lula se despisse das vestes de candidato e se dirigisse à Nação como chefe de Estado e de governo. Mas o petista não se emenda, malgrado a larga experiência. A boa tradição democrática manda que o eleito estenda a mão ao adversário que ficou pelo caminho e estimule a coesão nacional. Lula, porém, optou pelo acerto de contas. Atacou Flávio, afirmando que ele é “o representante genuíno do milicianismo (<i>sic</i>)” e que não teria dentro de si “uma célula de humanismo”.</p><p>Não se trata aqui de defender o senador, a quem já criticamos duramente por sua conduta pessoal, sua indigência parlamentar e seu passivo de suspeitas criminais. Trata-se de reafirmar que a campanha acabou com a proclamação do resultado das urnas e que o palanque já não é o lugar de fala de um presidente da República digno e altivo.</p><p>Sobrou também para a imprensa profissional, que há décadas tem sido enxovalhada pelos petistas – e por Lula, em particular – por não dobrar os joelhos diante do demiurgo. Lula anunciou que passará a falar diretamente com a população pelo celular, “muitas vezes por dia”, e que não permitirá ser interpretado por “jornalista com má-fé”. A mediação jornalística, que demagogos como Lula veem como um estorvo, é um dos instrumentos por meio dos quais as sociedades livres fiscalizam o exercício do poder. Goste ou não o petista, esse trabalho, fundamental para a sustentação do regime democrático do qual ele se arvora em salvador, seguirá sendo feito.</p><p>Ademais, estadistas não governam com a cara enfurnada em um celular. Olham para as ruas e capturam as aflições e as esperanças do povo que vive a vida real. Governam não “com as redes sociais”, mas com as instituições republicanas, com o Congresso, por meio de interlocução franca e propositiva. E, sim, sabem lidar com as críticas.</p><p>O mais desconcertante é que o próprio Lula, no mesmíssimo discurso, afirmou que, vencida a eleição, não tem mais adversários e que governará para 215 milhões de brasileiros. A declaração, correta, foi desmentida pelo restante da fala, encerrada com uma saudação aos “soldados” do “exército da democracia”, em alusão ao numeroso grupo arregimentado pelo deputado André Janones (Rede-MG). Ora, falar em “exército” é falar em combate a um inimigo, e o inimigo, nessa retórica beligerante, é a larga porção do País que não votou em Lula. É um mau começo.</p><p>Os números que saíram das urnas deveriam inspirar outro tom. A vitória de Lula não foi acachapante. E, ainda que tivesse sido, em nenhuma democracia as minorias são esmagadas pela maioria. Quase metade dos eleitores escolheu outro caminho para o País. Esses brasileiros não deixaram de ser cidadãos dignos de atenção porque o candidato de sua preferência perdeu a eleição.</p><p>Os desafios que o Brasil tem pela frente, muitos deles agravados pelo próprio Lula no curso do atual mandato, não são poucos nem triviais. As contas públicas exigem um duro ajuste que o governo vem adiando às raias da negação. O endividamento público e privado não para de crescer. A falência da segurança pública é motivo de angústia em todo o País. O Brasil precisa de reformas urgentes que demandam negociação com o Congresso. Nada disso se resolve sem a construção de consensos mínimos em torno do bem comum. E é obrigação do presidente, como principal autoridade executiva, estimular a união nacional.</p>]]></content:encoded><media:content url="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/QFXAXZ3VOBH4TLR7DN2TAOVTKM.png?auth=ca8e9ecd2c3e9968b8fde9b794b41d3281176ee0d66e69b213f10b315fef7fba&amp;smart=true&amp;width=1920&amp;height=1080" type="image/png" height="1080" width="1920"><media:description type="plain"><![CDATA[Logo Estadão - Opinião - Editorial - Editoriais]]></media:description><media:credit role="author" scheme="urn:ebu">Estadão</media:credit></media:content></item><item><title><![CDATA[O custo Lula]]></title><link>https://www.estadao.com.br/opiniao/o-custo-lula/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/opiniao/o-custo-lula/</guid><dc:creator><![CDATA[Notas & Informações]]></dc:creator><description></description><pubDate>Tue, 27 Oct 2026 06:01:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>A trégua que o mercado financeiro havia dado ao País acabou já nas primeiras horas de ontem, com o derretimento da Bolsa e a disparada do dólar. Completamente ignorado durante a campanha eleitoral, o desequilíbrio estrutural das contas públicas terá de ser enfrentado com urgência. É essencial, portanto, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nomeie seu novo ministro da Fazenda o mais rapidamente possível para apaziguar os ânimos dos investidores e conferir alguma credibilidade fiscal a seu governo.</p><p>Passou da hora de Lula parar de lutar contra moinhos de vento e compreender a lógica que guia o mercado financeiro e suas apostas. É fato que ninguém em sã consciência acreditava na viabilidade da promessa do candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) de promover um corte da ordem de R$ 200 bilhões nas despesas públicas com base em ações cosméticas, como o combate à corrupção e a revisão das compras públicas. Mas enquanto a equipe de campanha do senador vendia essa possibilidade nos bastidores, Lula classificava os clamores pela busca de um superávit primário de “babaquice”, dizia não estar preocupado com a dívida pública e criticava a autonomia do Banco Central (BC).</p><p>Logo, entre as justificadas dúvidas sobre o ajuste fiscal do candidato da oposição e a certeza de que a política fiscal do atual governo seria mantida como está, os investidores preferiram dar algum crédito à primeira opção. Bolsa, dólar e juros passaram a refletir essa aposta após Flávio ter ficado à frente do petista no primeiro turno da disputa eleitoral, ainda que os fundamentos da economia não dessem o menor respaldo a nada disso.</p><p>Encerrada a eleição, já nas primeiras horas dessa segunda-feira as ações das empresas despencaram, ocasionando o primeiro <i>circuit breaker</i> desde 2020; o câmbio disparou, na maior alta em um único dia desde janeiro de 1999; e a curva de juros futuros empinou para cima, a despeito de não ser essa a sinalização dada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em sua reunião mais recente, em setembro.</p><p>Não foi mera ojeriza ao petista, mas ajuste de posições em direção ao cenário que havia até outubro, no qual a existência de um problema fiscal nem sequer era reconhecida pelo presidente da República. Como essa correção pode levar dias ou semanas, o melhor que Lula pode fazer para trazer alguma serenidade ao mercado é anunciar o quanto antes o nome do novo chefe da equipe econômica.</p><p>Seria um desastre se Lula resolvesse manter o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, ou promover ao cargo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. Ambos provaram-se incapazes de dizer “não” ao chefe e atuaram como cabos eleitorais, e não como ministros, durante a disputa presidencial.</p><p>O nome do vice-presidente Geraldo Alckmin, que teve atuação elogiada nas negociações para reduzir o alcance do tarifaço imposto pelos EUA aos produtos brasileiros, circulou como potencial ministro da Fazenda já na reta final da campanha, como uma espécie de calmante para o mercado – afinal, Alckmin um dia já foi tucano e tem perfil austero. Também está cotado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que ganha pontos por sua ortodoxia, tornando-se indigesto para os petistas inconformados com a manutenção da taxa de juros. Correm por fora o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Renan Filho (MDB-AL).</p><p>Seja quem for o nome escolhido, contudo, o mais importante é que Lula assuma a responsabilidade fiscal como princípio de seu quarto e último mandato presidencial. Faltam quase R$ 40 bilhões no Orçamento de 2027 para custear todas as bondades que foram aprovadas nas últimas semanas – sem contar as promessas feitas sem qualquer lastro, como o perdão à dívida das empresas do Simples Nacional, o fornecimento de canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e a tarifa zero para o transporte público aos fins de semana.</p><p>Não há espaço fiscal para malabarismos. A farra eleitoral custou caro e caberá ao próprio governo lidar com as consequências de suas escolhas populistas.</p>]]></content:encoded><media:content url="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/QFXAXZ3VOBH4TLR7DN2TAOVTKM.png?auth=ca8e9ecd2c3e9968b8fde9b794b41d3281176ee0d66e69b213f10b315fef7fba&amp;smart=true&amp;width=1920&amp;height=1080" type="image/png" height="1080" width="1920"><media:description type="plain"><![CDATA[Logo Estadão - Opinião - Editorial - Editoriais]]></media:description><media:credit role="author" scheme="urn:ebu">Estadão</media:credit></media:content></item><item><title><![CDATA[Os desafios internos e externos para o Lula 4]]></title><link>https://www.estadao.com.br/opiniao/rubens-barbosa/os-desafios-internos-e-externos-para-o-lula-4/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/opiniao/rubens-barbosa/os-desafios-internos-e-externos-para-o-lula-4/</guid><dc:creator><![CDATA[Rubens Barbosa]]></dc:creator><description></description><pubDate>Tue, 27 Oct 2026 06:00:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Em seu quarto mandato, o governo Lula, desde o início, terá de enfrentar desafios institucionais, de governabilidade, econômicos, na área de defesa e segurança e na de política externa para atender aos anseios e demandas do eleitorado de centro que o apoiou para não votar em Flávio Bolsonaro. O Congresso, de maioria conservadora, pode dificultar as iniciativas do novo Executivo. A contestação do resultado eleitoral acrescentará problemas internos e externos. A nova geopolítica global impõe uma nova agenda na defesa dos interesses nacionais.</p><p>O Brasil está hoje sob ataque político de parte dos EUA, com a política de área de influência na região e com os efeitos do tarifaço. Nesse sentido, a negociação do contencioso comercial com Washington e de um <i>modus vivendi</i> com a nova lei de segurança dos EUA, que prevê que a “dominância de Washington nunca será questionada de novo” deveria ser prioritária (“o Brasil não é quintal de ninguém”). A crise política e diplomática com o não reconhecimento do resultado das eleições por Donald Trump, a ação de Washington no combate aos narcoterroristas, o tratamento dos minerais críticos e a promessa de Lula de regular as plataformas digitais e as big techs, inclusive com taxação, vai escalar a crise com os EUA e dificultar essas negociações. </p><p>Com a China, o ataque vem da agressiva onda de exportação para o mercado nacional com prejuízos para o emprego e a renda no setor automobilístico, têxtil e eletroeletrônico. Para evitar maiores prejuízos, medidas de defesa comercial e de política industrial poderiam ser implementadas, sem afetar o relacionamento comercial bilateral.</p><p>Em termos geopolíticos, deveria ser reforçada a posição de independência e equidistância no tocante às tensões entre os EUA e a China. Na relação bilateral com os dois países, para reduzir a dependência, torna-se urgente a busca de novos parceiros nos setores mais vulneráveis, como tecnologia e inovação digital. A América do Sul – abandonada nos últimos anos – deveria ser a principal prioridade da política externa, apesar das diferenças ideológicas, com medidas concretas de ampliação da integração física, de criação de cadeias regionais de produção e de ações de política comercial para a expansão do comércio e da cooperação energética e mineral.</p><p>A política ambiental e de mudança de clima, a de segurança alimentar e a de transição energética justa e de minérios estratégicos – áreas em que o Brasil é uma potência global – deveriam merecer, com a participação do Itamaraty, um planejamento estratégico de médio e longo prazo pela importância da sustentabilidade no contexto das mudanças climáticas, para a incorporação de avanços tecnológicos, para a atração de investimentos produtivos e para a expansão do comércio exterior.</p><p>Nas negociações comerciais, deverão continuar a ser intensificados entendimentos com o objetivo de ampliar o número de acordos comerciais, com o Japão, o Canadá, a Coreia e os EUA, além da implementação do acordo do Mercosul com a União Europeia e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). Seria importante revigorar o Mercosul e melhor coordenar com a Argentina e o Uruguai as iniciativas isoladas de adesão ao acordo comercial na Ásia (Parceria Transpacífica, integrada pelo Japão e Aliança do Pacífico e países asiáticos).</p><p>O Itamaraty continuará a defender, sem resultados práticos, o multilateralismo, a reforma dos organismos internacionais, em especial do Conselho de Segurança da ONU e o fortalecimento da OMC. No âmbito global, a política externa deverá continuar a manifestar preocupação, por suas repercussões econômicas e políticas globais, inclusive sobre o Brasil, com a guerra da Rússia na Ucrânia, bem assim com o ciclo de violência no Oriente Médio por causa da guerra entre Israel e o Hamas, a destruição da Faixa de Gaza, os ataques israelenses contra o Hezbollah no Líbano e pelo conflito entre os EUA/Israel e o Irã.</p><p>O governo Lula deveria voltar a apoiar o ingresso do Brasil na OCDE, como fez a presidente Dilma. Deveriam ser buscadas formas de expandir a participação política e econômica no Brics ampliado, no G-20, na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no Acordo Índia, Brasil e África do Sul (Ibas) e na Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Os interesses nacionais – que devem ser defendidos em primeiro lugar – não aconselham a criação do Conselho de Política Externa, proposta pelo MST e pelo PT, que poderia fortalecer uma agenda partidária no Itamaraty.</p><p>A política externa deve ser vista como política de Estado, sem influência ideológica e partidária. Nesse contexto, será importante restabelecer o papel central do Itamaraty como principal assessor do presidente da República para que possa agir com autonomia na coordenação das políticas nacionais em todas as áreas de negociação internacional e regional e para a defesa da soberania nacional. Para tanto, a gestão do Itamaraty deveria ser fortalecida, com urgente reforço orçamentário e reformas que atendam aos anseios dos funcionários diplomáticos. Os efeitos negativos dessas deficiências afetam o funcionamento do Ministério das Relações Exteriores e aumentam o descontentamento dos funcionários, o que poderá levá-los a uma inédita greve com consequências imprevisíveis para a instituição.</p>]]></content:encoded><media:content url="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/MEXCC2GR4NGFZORL23U4G6QQQA.png?auth=cd21c70faa09c15d623466b3d86fbe305c1b53ac15b84672b00068f3c5093a35&amp;smart=true&amp;width=1309&amp;height=872" type="image/png" height="872" width="1309"><media:description type="plain"><![CDATA[Ex-Libris / Logomarca especial do Estadão, elaborada pela agência Africa Creators, para celebrar os 150 anos do jornal Crédito: Africa Creative/Estadão]]></media:description><media:credit role="author" scheme="urn:ebu">Africa Creative/Estadão</media:credit></media:content></item><item><title><![CDATA[A complexa eleição em Israel]]></title><link>https://www.estadao.com.br/opiniao/a-complexa-eleicao-em-israel/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/opiniao/a-complexa-eleicao-em-israel/</guid><dc:creator><![CDATA[Notas & Informações]]></dc:creator><description></description><pubDate>Tue, 27 Oct 2026 06:00:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Israel pode rejeitar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nas eleições de hoje e continuar sendo governado por ele. As pesquisas divergem, mas várias projetam mais deputados contrários ao primeiro-ministro do que aliados. Essa vantagem, no entanto, só se converterá em mudança de governo se seus adversários chegarem a um acordo. Mas a rejeição comum encobre divergências profundas.</p><p>Netanyahu chega à primeira eleição desde o massacre de 7 de Outubro com sua principal credencial sob contestação. O homem que fez da segurança sua marca política comandava Israel quando o Hamas rompeu suas defesas. Ele resiste à formação de uma comissão estatal independente que a oposição exige para investigar as responsabilidades pela catástrofe. Seus partidários, contudo, lembram os Acordos de Abraão com países árabes e os golpes contra o Hezbollah e o Irã como trunfos. Netanyahu invoca essas realizações e a proximidade com o presidente dos EUA, Donald Trump, para defender a continuidade de sua liderança.</p><p>A eleição poderá definir, ademais, o destino de uma reforma do Judiciário. Uma lei aprovada pela atual coalizão para ampliar a influência política na escolha dos juízes deverá entrar em vigor na próxima legislatura. Gadi Eisenkot, principal adversário de Netanyahu, promete revogá-la. Os poderes da Suprema Corte merecem debate, mas as propostas governistas podem enfraquecer os freios sobre a maioria parlamentar. </p><p>Além disso, a permanência dos extremistas Bezalel Smotrich e Itamar Ben-Gvir no governo favoreceria a expansão dos assentamentos na Cisjordânia. Eisenkot promete conter a violência de colonos, mantendo o combate ao terrorismo palestino.</p><p>O descontentamento com Netanyahu, porém, toma direções bem diferentes. Ex-chefe do Estado-Maior, Eisenkot tenta conquistar conservadores que perderam a confiança em Netanyahu, mas continuam favoráveis a uma política de segurança rigorosa. A isenção militar dos ultraortodoxos abre outra fissura: Netanyahu depende dos partidos que exigem preservá-la, enquanto famílias de reservistas, inclusive conservadoras, cobram uma distribuição mais justa dos sacrifícios da guerra. O próprio Eisenkot perdeu um filho em combate em Gaza. A oposição também reúne nacionalistas e partidos de esquerda que divergem sobre os rumos de um novo governo.</p><p>As divergências reaparecerão nas negociações de governo. A maioria absoluta na Knesset (Parlamento) exige 61 das 120 cadeiras. Os partidos árabes podem ser decisivos para que as forças contrárias a Netanyahu ultrapassem esse número. Mas Eisenkot recusa sua presença no gabinete. Em tese, um governo minoritário poderia tomar posse com a ajuda de partidos que não integrassem a coalizão, mas essa solução esbarra em vetos políticos. Sem acordo, Netanyahu continuará à frente do governo, e o país poderá ser obrigado a voltar às urnas.</p><p>Terminada a contagem, os dirigentes terão de decidir o que fazer com os mandatos recebidos. Para substituir Netanyahu, seus adversários talvez precisem negociar justamente com partidos dos quais tentaram manter distância durante a campanha. Se tiverem votos para afastá-lo e não conseguirem fazê-lo, caberá a eles explicar o impasse.</p>]]></content:encoded><media:content url="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/QFXAXZ3VOBH4TLR7DN2TAOVTKM.png?auth=ca8e9ecd2c3e9968b8fde9b794b41d3281176ee0d66e69b213f10b315fef7fba&amp;smart=true&amp;width=1920&amp;height=1080" type="image/png" height="1080" width="1920"><media:description type="plain"><![CDATA[Logo Estadão - Opinião - Editorial - Editoriais]]></media:description><media:credit role="author" scheme="urn:ebu">Estadão</media:credit></media:content></item><item><title><![CDATA[Saúde deixou de ser promessa e virou resultado de governo]]></title><link>https://www.estadao.com.br/opiniao/espaco-aberto/saude-deixou-de-ser-promessa-e-virou-resultado-de-governo/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/opiniao/espaco-aberto/saude-deixou-de-ser-promessa-e-virou-resultado-de-governo/</guid><dc:creator><![CDATA[Ruy Baumer]]></dc:creator><description></description><pubDate>Tue, 27 Oct 2026 06:00:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Em toda eleição, a saúde lidera as preocupações da população e os discursos de campanha. Historicamente, porém, bastava a apuração das urnas para que o tema saísse de cena, retornando apenas na eleição seguinte. </p><p>Desta vez, foi diferente. O eleitor reconheceu nas urnas os governantes que trataram a saúde como agenda diária de gestão, e não apenas como bandeira de palanque. </p><p>O caso mais emblemático veio de São Paulo, onde a eleição foi definida já no primeiro turno, refletindo a aprovação popular de uma gestão que manteve a saúde no centro das prioridades.</p><p>Isso importa para todos. Para o cidadão, a priorização do setor se traduz em mais acesso ao atendimento, com menos tempo de espera para consultas, exames e cirurgias. </p><p>Para a economia, uma população saudável significa trabalhadores mais produtivos e menos faltas por doença. Cuidar da saúde também é impulsionar o desenvolvimento do País. Hospitais, laboratórios e indústrias de medicamentos e dispositivos médicos formam uma cadeia que gera empregos qualificados, inovação e arrecadação.</p><p>Vencer uma eleição com a saúde como prioridade aumenta a cobrança da população e a responsabilidade dos governos eleitos. </p><p>Para transformar essa confiança em resultados duradouros, as novas gestões precisam assumir cinco compromissos fundamentais. </p><p>O primeiro é garantir a continuidade das políticas e dos programas que funcionaram, superando a cultura de recomeçar do zero a cada mandato. </p><p>O segundo é estabelecer metas públicas e transparentes, com indicadores e prazos claros para que o cidadão possa acompanhar a evolução dos serviços.</p><p>O terceiro compromisso é o diálogo permanente entre governo, hospitais, profissionais de saúde, indústria e sociedade civil na construção das soluções. </p><p>O quarto é acelerar a inovação e a tecnologia, estimulando a pesquisa, a expansão da saúde digital, a exemplo da telemedicina, e a produção nacional de medicamentos e equipamentos, para reduzir a dependência de produtos importados. </p><p>Por fim, o quinto é consolidar um ambiente de segurança jurídica e estabilidade regulatória, que permita às empresas do setor se planejarem e realizarem investimentos de longo prazo.</p><p>A saúde não pode continuar sendo tratada como um assunto de quatro em quatro anos, que se encerra após a apuração. As urnas mandaram um recado claro ao mostrar que a população valoriza e premia quem cuida das pessoas todos os dias. Cabe agora aos governos eleitos converter esse voto de confiança numa política pública permanente e estruturante. E, à sociedade, cabe exercer o seu papel de acompanhar e cobrar de perto. Quando a saúde se torna prioridade o tempo todo, quem ganha é o Brasil.</p>]]></content:encoded><media:content url="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/MEXCC2GR4NGFZORL23U4G6QQQA.png?auth=cd21c70faa09c15d623466b3d86fbe305c1b53ac15b84672b00068f3c5093a35&amp;smart=true&amp;width=1309&amp;height=872" type="image/png" height="872" width="1309"><media:description type="plain"><![CDATA[Ex-Libris / Logomarca especial do Estadão, elaborada pela agência Africa Creators, para celebrar os 150 anos do jornal Crédito: Africa Creative/Estadão]]></media:description><media:credit role="author" scheme="urn:ebu">Africa Creative/Estadão</media:credit></media:content></item><item><title><![CDATA[O que está em jogo nas eleições israelenses]]></title><link>https://www.estadao.com.br/opiniao/espaco-aberto/o-que-esta-em-jogo-nas-eleicoes-israelenses/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/opiniao/espaco-aberto/o-que-esta-em-jogo-nas-eleicoes-israelenses/</guid><dc:creator><![CDATA[João Miragaya]]></dc:creator><description></description><pubDate>Tue, 27 Oct 2026 06:00:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Nesta terça-feira, 27, teremos pela 26.ª vez as eleições para o Parlamento israelense (Knesset). Por se tratar de um regime parlamentarista, o pleito decidirá também a composição do próximo governo. A situação é complexa: pesquisas de intenção de voto apontam a derrota de Benjamin Netanyahu – que soma intermitentes 18 anos na chefia do Executivo –, mas não garantem à oposição um cenário claro de substituição. Confirmadas as tendências, os partidos opositores conquistarão a maioria dos assentos, mas carecem de um acordo para selar uma coalizão governista. Em Israel, o processo político nunca termina com a apuração: até que o governo seja empossado, tudo pode acontecer.</p><p>Para compreender as singularidades do espectro político israelense, é preciso recorrer à História. Até o início deste século, o país seguia a tendência das democracias liberais: a polarização entre dois grandes blocos, a esquerda trabalhista e a direita conservadora, ambos de forte cunho nacionalista (sionista). A predominância da esquerda até o fim dos anos 1970 deu lugar a uma quase hegemonia da direita nas décadas seguintes. O diferencial do sistema israelense reside nos pequenos e médios partidos, geralmente setoriais, que representam minorias étnicas ou religiosas e gozam de um poder desproporcional. Como as grandes legendas jamais alcançaram maioria absoluta, essas facções menores frequentemente controlavam pautas cruciais, mesmo que contrárias à preferência da maior parte da população – uma dinâmica que persiste.</p><p>A queda da URSS e a crise global da esquerda nos anos 90 também afetaram o Partido Trabalhista local. No entanto, ao contrário do que houve em outras paragens, a esquerda israelense soube se reinventar. Parafraseando o historiador Micha Goodman, a identidade de classe foi substituída pela solidariedade entre os povos e a revolução socialista deu espaço à busca pela paz global. Shimon Peres, o ideólogo dessa transição, uniu o sentimento de coletividade clássico a punhados de liberalismo. Sua obra <i>Um Novo Oriente Médio</i>, que previa a paz como destino inevitável após a guerra fria, o transformou em uma espécie de Fukuyama israelense.</p><p>A estratégia funcionou, e a esquerda interrompeu a dominância da direita vencendo duas eleições naquela década. O eixo ideológico mudou: a disputa já não opunha socialistas e liberais, mas sim os defensores de acordos de paz com devolução de territórios e os que rejeitavam a proposta por segurança ou dogma religioso. Contudo, o fracasso das negociações em 2000 e a ascensão de forças extremistas religiosas, tanto em Israel como na Palestina, mergulharam a esquerda numa crise tardia.</p><p>Desde 2000, salvo por breves hiatos de coalizões de centro, a direita sionista impôs uma sólida hegemonia, quase sempre sob a liderança de Netanyahu. Se na primeira metade da década passada suas alianças ainda incluíam o centro e a centro-esquerda para aproximá-lo do <i>mainstream</i>, o isolamento político decorrente de seus processos por corrupção mudou o cenário. Para sobreviver, Bibi recorreu a grupos extremistas religiosos outrora considerados ilegítimos por seu próprio partido. Seu discurso radicalizou-se, incorporando a incitação contra a esquerda e a minoria árabe. Em contrapartida, a oposição passou a abrigar antigos aliados do primeiro-ministro, como Avigdor Liberman e Naftali Bennett. Gradualmente, a polarização programática tradicional esmaeceu, dando lugar à dicotomia pura entre os blocos pró e anti-Netanyahu.</p><p>Hoje, há um consenso claro de que é impossível emergir deste pleito um governo de união nacional. Além do clima de hostilidade cultivado nos últimos anos, os traumas de 7 de outubro de 2023 e a subsequente condução governamental inviabilizaram qualquer conciliação. A total recusa do governo em assumir a responsabilidade pelos erros cometidos, somada à insistência em blindar a população ultraortodoxa do alistamento militar para preservar alianças políticas, tornaram-se pautas intoleráveis. São medidas profundamente impopulares, rejeitadas inclusive por parcelas do eleitorado tradicional de Netanyahu.</p><p>Diante de projeções desfavoráveis, o primeiro-ministro acionou sua habitual retórica do medo: alega que a oposição se aliará a partidos árabes – estigmatizados por ele como apoiadores do terror – apenas para derrubá-lo, colocando a segurança nacional em risco. Com essa manobra, ele empareda os rivais e deslegitima o voto árabe, empurrando a própria oposição a declarar, antecipadamente, que não formará coalizão com tais siglas – mesmo que estas tenham condenado as atrocidades do Hamas. Sem o peso desse eleitorado, contudo, a oposição carece de números para consolidar uma maioria.</p><p>O horizonte provável aponta para uma espiral de pleitos sucessivos, perpetuando Netanyahu no poder interino. Ao capitular diante dessa estratégia de segregação, a oposição arrisca referendar o jogo de Bibi e desperdiçar uma chance histórica de superá-lo.</p>]]></content:encoded><media:content url="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/MEXCC2GR4NGFZORL23U4G6QQQA.png?auth=cd21c70faa09c15d623466b3d86fbe305c1b53ac15b84672b00068f3c5093a35&amp;smart=true&amp;width=1309&amp;height=872" type="image/png" height="872" width="1309"><media:description type="plain"><![CDATA[Ex-Libris / Logomarca especial do Estadão, elaborada pela agência Africa Creators, para celebrar os 150 anos do jornal Crédito: Africa Creative/Estadão]]></media:description><media:credit role="author" scheme="urn:ebu">Africa Creative/Estadão</media:credit></media:content></item><item><title><![CDATA[Fórum dos Leitores]]></title><link>https://www.estadao.com.br/opiniao/forum-dos-leitores/forum-dos-leitores-27-10-2026/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/opiniao/forum-dos-leitores/forum-dos-leitores-27-10-2026/</guid><dc:creator><![CDATA[Fórum dos Leitores]]></dc:creator><description></description><pubDate>Tue, 27 Oct 2026 06:00:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Eleições 2026</p><p>A soberba e a ruína</p><p>Não é preciso ser especialista em política para perceber que um dos maiores erros de Flávio Bolsonaro foi a soberba. O discurso de “já ganhou” e o convite de posse ao presidente da Colômbia são ingredientes que podem, sim, ter contribuído para a derrota. É bíblico: “A soberba precede a ruína” (<i>Provérbios 16:18</i>). Também acredito que outro erro foi pensar que se vence uma eleição concentrando os esforços em cortes para as redes sociais. Não se pode esquecer de que além da internet existe um mundo real. Existem brasileiros que querem mudanças para além dos discursos. As urnas cobraram o preço.</p><p>Robson Moreira da Silva</p><p>Mogi das Cruzes</p><p>*</p><p>O quarto mandato de Lula</p><p>Não comentarei ter achado muito estranha a extensão do horário de votação por decisão do ex-advogado pessoal de Lula, ministro Cristiano Zanin. Vou focar no fato de que o quarto mandato de Lula, infelizmente, se materializou. Dito isso, não vejo motivos para acreditar que: teremos um governo fiscalmente responsável; que reduziremos muito o porcentual de domicílios no País sem esgoto e água tratados; que o analfabetismo irá a zero; que as estatais apresentarão lucro; que a máquina pública será eficiente e menor; que escândalos de corrupção em série inexistirão; que o PIB superará os 4%; que as facções do crime organizado serão combatidas; que a maioridade penal chegará a 16 anos; que o Brasil voltará a ter boas relações com EUA, Argentina e Israel, e se distanciará de países que financiam o terror; que os juros poderão ser reduzidos; que ministros do STF envolvidos com Daniel Vorcaro serão julgados; que o populismo barato nunca mais seja visto; e que eu volte a ter orgulho de ser brasileiro. Como estaremos daqui a quatro anos?</p><p>Rodrigo Cezar Pereira</p><p>São Paulo</p><p>*</p><p>No frigir dos ovos</p><p>Exceto para os adeptos de carteirinha, foi uma escolha de Sofia a eleição presidencial de 2026. Mas, no frigir dos ovos, foi um castigo para Lula, que logo ali vai enfrentar conjunturas fiscal e política extremamente adversas. O pacote de bondades se esgotou e o “diabo”, ao feitio de Dilma Rousseff, pode voltar com força.</p><p>Antonio Augusto d’Avila</p><p>Porto Alegre</p><p>*</p><p>A política do medo</p><p>Acima das teorias da conspiração motivadas pelo apagão na apuração do primeiro turno e a prorrogação de Zanin no domingo, fico com os fatos. A política do medo – na qual o PT é craque – venceu. O <i>nós contra eles</i> continua. E que seja o fim do bolsonarismo, alternativa medíocre ao horrendo petismo.</p><p>Sérgio Eckermann Passos</p><p>Porto Feliz</p><p>*</p><p>A ilusão da virtude</p><p>Há algo de degradante numa sociedade reduzida a escolher entre o lixo e o esgoto. Mas mais deprimente é o dia seguinte: o vencedor é aclamado como “salvador da Pátria” e seus eleitores festejam como se a vitória eleitoral lhe conferisse virtudes que jamais demonstrou. Quando a disputa se limita a decidir qual dos males parece menos repugnante, o problema ultrapassa os candidatos e alcança a sociedade que os produz, os consagra e, depois, os celebra. Para o eleitor fanatizado, pouco importa a conduta de seu candidato, desde que o adversário seja derrotado. A consciência torna-se refém da paixão partidária e a moral, uma conveniência descartável. A vitória nas urnas dá legitimidade ao mandato, não superioridade moral ao eleito. Democracia não é absolvição antecipada nem licença para transformar vícios em virtudes. E, quando a degradação moral se converte em motivo de orgulho, já não basta trocar os governantes. É preciso perguntar o que aconteceu com os governados.</p><p>Oswaldo Colombo Filho</p><p>São Paulo</p><p>*</p><p>O Brasil mais dividido</p><p>A responsabilidade que a eleição presidencial deste ano colocou sobre os ombros dos cidadãos brasileiros se estendeu para muito além dos quatro anos do novo mandato do chefe de governo. Ao cabo de 16 anos só de Lula mais dois anos de Dilma Rousseff no poder, o PT fez uma campanha eleitoral em que predominou o mais inescrupuloso marketing eleitoral, em prejuízo do embate de ideias e envolvendo compra de votos com um pacote de benefícios às vésperas da eleição. E fez com que o Brasil de hoje esteja muito mais dividido. Por enquanto, apenas em termos eleitorais. Mas o terreno está fortemente preparado para fazer germinar a cizânia social. Mais quatro anos de PT podem significar a agudização da hostilidade da polarização <i>nós versus eles</i>, num conflito social escancarado cuja primeira vítima já é a tão fraca democracia brasileira.</p><p>Eugenio de Araujo Silva</p><p>Natal</p><p>*</p><p><b>Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal </b><a href="http://estadao.com.br/" target="_blank" rel="" title="http://estadao.com.br/"><b>estadao.com.br</b></a></p><p>DEPOIS DAS ELEIÇÕES</p><p>Lula venceu o segundo turno presidencial, e Flávio Bolsonaro anunciou que pedirá a anulação do pleito, questionando a prorrogação do horário de votação. A controvérsia deve ser esclarecida pelas instituições competentes, com transparência, fundamentos e provas. O direito de questionar deve conviver com o respeito à vontade popular e às decisões institucionais. O Brasil precisa de segurança jurídica para seguir adiante. Não cabe condenar o eleitor por sua escolha. O voto é livre, e quem vence assume a obrigação de governar para todos. Encerrada uma campanha marcada por ataques e antigas divergências, é hora de enfrentar os problemas da população. Equilíbrio fiscal, controle da inflação, saúde, educação, segurança e empregos exigem providências. O cidadão espera que as promessas se transformem em serviços eficientes e melhores condições de vida. O País também precisa de uma oposição forte e determinada, capaz de fiscalizar, cobrar e apresentar alternativas. Sua responsabilidade inclui apoiar medidas que atendam ao interesse público. Parlamentares e governadores devem honrar seus compromissos. Os Três Poderes precisam respeitar suas competências e atuar conforme a Constituição. As eleições terminaram; os deveres democráticos continuam. Governo e oposição devem contribuir para o desenvolvimento social, humano e econômico. O Brasil precisa avançar. A hora é agora.</p><p>Dirceu Cardoso Gonçalves</p><p>São Paulo</p><p>*</p><p>TORCER E ESCOLHER</p><p>A Copa do Mundo tem o poder de transformar o Brasil. Vestimos verde e amarelo, reunimos amigos e familiares, vibramos a cada gol e sofremos a cada derrota. Torcer é prazeroso. Mesmo quando perdemos, a emoção faz parte do espetáculo, e a vida segue. Nas eleições, também somos convocados a escolher. Mas, diferentemente do futebol, não basta vestir uma camisa, vibrar com um discurso ou comemorar uma vitória. O voto exige reflexão, comparação e responsabilidade. Afinal, não estamos escolhendo quem levantará uma taça, mas quem tomará decisões capazes de afetar nossas vidas por anos. E como é desgastante escolher! A campanha se prolonga em acusações, confrontos e promessas, enquanto o eleitor tenta separar fatos de discursos e propostas viáveis de intenções anunciadas. Não basta perguntar o que um candidato promete. É preciso saber como pretende cumprir, quanto custará e quem pagará a conta. Na Copa, o apito final encerra a disputa. Nas eleições, o resultado marca o início de uma nova etapa, cujas consequências serão sentidas por toda a população. Torcer nos proporciona a alegria de participar de uma paixão coletiva. Escolher nos impõe o dever de pensar além das emoções e assumir a responsabilidade pelo futuro. No futebol, podemos torcer sem medo de errar. Nas urnas, precisamos escolher sabendo que as consequências vão muito além do dia da votação.</p><p>Izabel Avallone</p><p>São Paulo</p><p>*</p><p>O TEMPO DIRÁ</p><p>Entre as declarações de Lula após o anúncio oficial de sua vitória sobre Flávio Bolsonaro, habilitando-o a exercer um quarto mandato presidencial, destaca-se aquela na qual afirma que seu próximo governo será dirigido a todos os brasileiros, mesmo aos que nele não votaram. Afinal, isso é o que se espera de quem galgou o mais alto posto do País com mais de 51,79% dos votos válidos. O povo, no entanto, já ouviu declaração semelhante em 2022, quando, em seu primeiro pronunciamento após ser eleito para exercer o presente mandato, enfatizou o mesmo compromisso. Mesmo levando em consideração que é natural que o jogo político de poder tenda a favorecer as hostes aliadas e, no embalo, obstaculizar o caminho dos adversários, é inevitável o questionamento: cumpriu ele, ao longo dos últimos quatro anos, em proporções razoáveis, a promessa feita em 2022? Se não, fica a dúvida em relação às suas intenções no mesmo sentido a partir de 5 de janeiro de 2027. Caso se avalie que sim, a atual reiteração seria desnecessária. O tempo responderá.</p><p>Paulo Roberto Gotaç</p><p>Rio de Janeiro</p><p>*</p><p>DISCURSO DE LULA</p><p>O que mais me chamou a atenção no pronunciamento de Lula após a vitória foi seu discurso de estadista, afirmando que governa para todos. Ele mostrou que a eleição foi apenas o primeiro passo para fortalecer a democracia em nosso país, pois a mentira da extrema direita continua em vigor, como vimos pelo que declarou o oponente derrotado.</p><p>Adilson Roberto Gonçalves</p><p>Campinas</p><p>*</p><p>VENCENDO OBSTÁCULOS</p><p>Apesar dos desafios, se o presidente Lula colocar o País em primeiro plano, acima dos interesses eleitorais, e só nomear profissionais de primeira linha para funções executivas e indicar ao Senado juízes de notório saber para os tribunais superiores, estará resgatando o respeito e a autoridade das instituições – tribunais, agências reguladoras e estatais – e, em decorrência, a confiança dos empreendedores nacionais e estrangeiros para investir no País, condição necessária e indispensável para o Brasil encontrar o tão sonhado caminho da prosperidade.</p><p>Nilson Otávio de Oliveira</p><p>São Paulo</p><p>*</p><p>REELEIÇÃO</p><p>Lula conseguiu se reeleger. Será importante que seja informado de que já estamos no século 21 e entenda que precisa se cercar de jovens inteligentes e bem formados para que nosso país reencontre o caminho do progresso e consigamos proporcionar aos brasileiros uma boa qualidade de vida. Quem sabe, depois da derrota no primeiro turno, Lula tenha entendido que seu terceiro mandato foi muito ruim e que precisa mudar para deixar um legado à altura de sua carreira.</p><p>Aldo Bertolucci</p><p>São Paulo</p><p>*</p><p>ALÍVIO E MÁGOA</p><p>Agora, terminada a eleição presidencial, sinto-me aliviado porque não vamos passar novamente por um governo bolsonarista, que tantas sequelas deixou no País. Mas fiquei com uma mágoa da trupe que queria voltar ao poder por ter me obrigado a votar na esquerda da ideologia do atraso.</p><p>Abel Pires Rodrigues</p><p>Rio de Janeiro</p><p>*</p><p>REVER A HISTÓRIA</p><p>Itamar herdou uma bomba e uniu todos os espectros políticos em prol da reconstrução do Brasil. FHC fez as reformas políticas e sociais necessárias. Tudo sem briga, sem gritaria, sem lacração ou extremismo. Nós, da direita civilizada, precisamos resgatar isso. O bolsonarismo é tão odioso quanto o lulismo. Não serve!</p><p>Sérgio Eckermann Passos</p><p>Porto Feliz</p><p>*</p><p>VITÓRIA DA DEMOCRACIA</p><p>A nova vitória do presidente Lula para o quarto mandato presidencial representa que as expressões democráticas foram vitoriosas nessas eleições. Esperemos que ele tenha condições de cumprir esse novo mandato para que possamos ter uma melhora na qualidade de vida da nossa imensa população.</p><p>José de Anchieta Nobre de Almeida</p><p>Rio de Janeiro</p><p>*</p><p>PAÍS ESQUISITO</p><p>A maioria dos governos estaduais é conservadora. O Senado e a Câmara foram renovados à direita. São dois fatos irrefutáveis divulgados pela mídia. No entanto, quem os colocou lá votou em um presidente progressista. O maestro soberano Tom Jobim continua atual: “O Brasil não é para principiantes.”</p><p>Antonio Manoel Vasques Gomes</p><p>Rio de Janeiro</p><p>*</p><p>ETARISMO</p><p>A vitória de Lula foi também contra o etarismo, que, aliás, está presente em boa parte dos problemas enfrentados por pais e professores em relação aos jovens que não querem saber de estudar e não aceitam a autoridade dos mais velhos. Grande parte da responsabilidade cabe à moderna tecnologia, principalmente à internet, que empanturra nossas mentes com enxurradas de informações. As mentes jovens mais sensíveis ficam achando que já sabem de tudo e passam a não aceitar a contribuição dos mais velhos. Essa virada no segundo turno mostra-nos que nem tudo está perdido e que existe uma boa parcela de jovens ainda livres dessa praga.</p><p>Nestor Rodrigues Pereira Filho</p><p>São Paulo</p><p>*</p><p>FRAGILIDADE POLÍTICA</p><p>O encerramento do pleito de 2026 confirmou a vitória de Lula e a derrota de Flávio Bolsonaro, que finalizou sua campanha mantendo o mesmo tom do início: a distorção da realidade e a recusa em aceitar os fatos. Apesar das promessas prévias de respeitar o resultado, o candidato viu as urnas confirmarem a rejeição à sua candidatura, evidenciando uma fragilidade política que acompanhou toda a sua trajetória. Ao invés de demonstrar compromisso com o processo democrático, Flávio escolheu alimentar suspeitas infundadas. Em declarações públicas, omitiu que sua própria campanha havia pedido a prorrogação do horário de votação, sugerindo de maneira cínica que a Justiça atendera somente a um pleito do PT. Embora a decisão do Supremo Tribunal Federal possa ser alvo de críticas por ter criado confusão nos momentos finais da votação, a medida não interferiu no resultado das urnas e não valida as alegações de contestação do candidato.</p><p>Gilberto Pereira Tiriba</p><p>Santos</p><p>*</p><p>PRORROGAÇÃO DA VOTAÇÃO</p><p>Agora, Flávio Bolsonaro pediu a anulação da eleição sob a alegação de que houve favorecimento da parte do Supremo Tribunal Federal para o candidato Lula, com a prorrogação do tempo de votação. Mas ele deve se lembrar de que a sua própria campanha também solicitou a prorrogação. Será que se esqueceu de que estaria na mesma situação? E para terminar, só uma perguntinha: após a derrota nas urnas, será que Flávio irá aceitar a sugestão do seu irmão que é ex-deputado federal cassado para fugir do Brasil?</p><p>Tomomasa Yano</p><p>Campinas</p><p>*</p><p>IMPREVISTO E PREVISTO</p><p>O resultado das eleições de 2026 pode ser entendido a partir das perspectivas do imprevisível e do previsível. A virada na vantagem do porcentual de votos do PT em relação ao PL foi, sem dúvida, imprevisível. A rejeição do resultado final do pleito por parte do candidato Flávio Bolsonaro, além de previsível, já estava escrita nas estrelas. É próprio de regimes autoritários e conservadores flertar com a rigidez dos processos burocráticos. Trata-se de um compromisso cego com o excesso de positivismo. Seguir a ordem é o único meio de alcançar o progresso. Toda e qualquer flexibilidade liberal é diagnosticada como anarquismo. Conclui-se daí que prolongar o tempo de votação para que a democracia seja efetivamente realizada deixa de ser um direito e passa a representar uma ameaça à lisura da eleição. Mas que lição podemos tirar dessa história toda? Mais do que um otimismo superficial, é melhor ser realista. O Estado Democrático de Direito é uma realidade complexa, uma casa comum para o previsto e o imprevisto.</p><p>Luís Fabiano dos Santos Barbosa</p><p>Bauru</p><p>*</p><p>STF</p><p>Com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, ele poderá indicar pelo menos quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal ao longo de seu novo mandato. “E vai rolar a festa, vai rolar...”</p><p>Roberto Solano</p><p>Rio de Janeiro</p>]]></content:encoded><media:content url="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/MEXCC2GR4NGFZORL23U4G6QQQA.png?auth=cd21c70faa09c15d623466b3d86fbe305c1b53ac15b84672b00068f3c5093a35&amp;smart=true&amp;width=1309&amp;height=872" type="image/png" height="872" width="1309"><media:description type="plain"><![CDATA[Ex-Libris / Logomarca especial do Estadão, elaborada pela agência Africa Creators, para celebrar os 150 anos do jornal Crédito: Africa Creative/Estadão]]></media:description><media:credit role="author" scheme="urn:ebu">Africa Creative/Estadão</media:credit></media:content></item><item><title><![CDATA[Lucro presumido, regime fundamental para formalização de diversos setores da economia, perde espaço]]></title><link>https://www.estadao.com.br/economia/lucro-presumido-regime-fundamental-para-formalizacao-de-diversos-setores-da-economia-perde-espaco/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/economia/lucro-presumido-regime-fundamental-para-formalizacao-de-diversos-setores-da-economia-perde-espaco/</guid><dc:creator><![CDATA[Lucas Corsino de Paiva]]></dc:creator><description></description><pubDate>Tue, 27 Oct 2026 01:00:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>O regime do lucro presumido ainda corresponde a cerca de 20%-30% da arrecadação total dos tributos sobre o lucro (IRPJ e CSLL), conforme os relatórios de 2026 da <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/receita-federal/" target="_blank" rel="" title="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/receita-federal/"><b>Receita Federal</b></a>. Os dados mais recentes apontam que, entre as empresas não optantes do <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/simples-imposto/" target="_blank" rel="" title="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/simples-imposto/"><b>Simples Nacional</b></a>, cerca de 85% adotam este regime.</p><p>O lucro presumido consiste, em essência, na aplicação de uma margem de presunção de lucro prevista em lei sobre a receita bruta, conforme a atividade econômica. Costuma-se dizer que esse regime, criado em 1995, foi fundamental para a formalização de diversos setores da economia brasileira. </p><figure><img src="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/TABWVMBBOJDAXFUS7NOUR46UCM.jpg?auth=c4217d3a5aeb0a39c498ddf914ef4a30f0151fb30fde08745e88bb801eb720b9&smart=true&width=5930&height=3986" alt="Diversas mudanças legislativas recentes tendem a reduzir a importância do regime de lucro presumido para a economia brasileira" height="3986" width="5930"/><figcaption>Diversas mudanças legislativas recentes tendem a reduzir a importância do regime de lucro presumido para a economia brasileira</figcaption></figure><p>A simplicidade, que é uma de suas características, beneficia tanto as empresas como a Receita Federal. Enquanto no lucro presumido basta verificar a receita bruta para a apuração dos tributos sobre o lucro, no lucro real as autoridades fiscais devem verificar a dedutibilidade de custos e despesas.</p><p>Após quase três décadas, o Brasil distanciou-se do cenário de 1995. A parcela de empresas na informalidade reduziu-se, e os diversos avanços tecnológicos permitem a Receita Federal fiscalizar de forma automática. Neste cenário, a utilidade de um regime presumido se torna mais reduzida.</p><p>Diversas mudanças legislativas recentes tendem a reduzir a importância desse regime para a economia brasileira. No fim do ano passado, houve majoração de 10% das margens de presunção de lucro sobre a parcela do faturamento anual que exceder R$ 5 milhões.</p><p>Com a instituição da “tributação mínima para as pessoas que auferem altas rendas”, com efeitos em 2026, o regime do lucro presumido pode implicar uma tributação adicional de 10% sobre os lucros e dividendos distribuídos por empresa brasileira. </p><p>A “<a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/reforma-tributaria/" target="_blank" rel="" title="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/reforma-tributaria/"><b>reforma tributária</b></a> do consumo” extinguirá, a partir de 2027 o PIS/Cofins, eliminando uma das principais justificativas para a opção pelo lucro presumido: o regime cumulativo desses tributos, sendo que o novo IVA valerá indistintamente para lucro presumido e real.</p><p>Há, ainda, outros fatores indiretos que minam a relevância desse regime, como a ausência de atualização do limite de faturamento para a sua opção, mantido em R$ 78 milhões desde 2013, e o cenário socioeconômico atual, com Selic elevada e aprovação do <a href="https://www.estadao.com.br/economia/quando-comeca-a-valer-o-fim-da-escala-6x1-veja-perguntas-e-respostas-npr/" target="_blank" rel="" title="https://www.estadao.com.br/economia/quando-comeca-a-valer-o-fim-da-escala-6x1-veja-perguntas-e-respostas-npr/"><b>fim da escala 6x1</b></a>, pressionando despesas.</p><p>Considerados em conjunto, todos esses elementos podem levar a uma migração do lucro presumido para o lucro real já em 2027.</p><p>Não se nega que o lucro presumido manterá a sua utilidade como forma simplificada de apuração de tributos sobre o lucro. No entanto, as justificativas que antes o fundamentavam já não estão presentes, ao menos na mesma intensidade.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Iron Maiden arrebata gerações de fãs em SP e Bruce Dickinson promete: ‘Como James Bond, voltaremos’]]></title><link>https://www.estadao.com.br/cultura/musica/iron-maiden-arrebata-geracoes-de-fas-em-sp-e-bruce-dickinson-promete-como-james-bond-voltaremos/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/cultura/musica/iron-maiden-arrebata-geracoes-de-fas-em-sp-e-bruce-dickinson-promete-como-james-bond-voltaremos/</guid><dc:creator><![CDATA[Sérgio Martins]]></dc:creator><description></description><pubDate>Mon, 26 Oct 2026 11:39:39 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Uma das anedotas mais famosas em relação ao <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/iron-maiden/" target="_blank" rel="" title="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/iron-maiden/"><b>Iron Maiden</b></a> é que o grupo jamais saiu do Brasil: moram num condomínio em Vinhedo – ao lado de Paul McCartney, Katy Perry e Maroon 5, para ficarmos entre outros “visitantes” famosos – e de tempos em tempos saem do conforto de seu condomínio para fazer algumas turnês.</p><p>Brincadeiras à parte, poucos astros possuem uma relação tão estreita com o Brasil quanto o sexteto inglês. Desde o Rock in Rio de 1985, quando estrearam nos palcos brasileiros, tocando para um público estimado em 300 mil pessoas, até os tempos atuais, foram nada menos do que dezesseis visitas (quer dizer, estamos fazendo de conta que eles não moram aqui). São Paulo é a cidade que mais consome Iron Maiden no Spotify – 1,2 milhão de ouvintes só no mês passado – e o canal do conjunto no YouTube chegou a 5,5 milhões de acessos no dia 26 de setembro, talvez inspirado pela nova turnê.</p><p>A apresentação deste domingo, 25, (e que será reprisada na terça em São Paulo e na quarta-feira em Curitiba) faz parte da turnê<i> </i><i><b>Run for Your Lives</b></i>, na qual o grupo inglês toca praticamente faixas de todos os discos lançados entre 1980 a 1992 (o único que fica de fora é <i>No Prayer for the Dying</i>, de 1990). A novidade, além do andamento um pouco mais vagaroso em relação às gravações originais, é a presença do baterista Simon Dawson no lugar do carismático Nicko McBrain, que aposentou as baquetas em 2024. Egresso do British Lion, projeto paralelo do baixista e líder do Iron Steve Harris, Dawson é um músico discreto, mas eficiente. Embora falte a ele a desenvoltura de seu antecessor (que, aliás, sugeriu o brasileiro Aquiles Priester para a função), o novo membro segura as pontas e mostra-se bem entrosado com Steve Harris, o dono da banda.</p><figure><img src="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/W566QVRNCFFCDCIVUBBTSEBN6M.JPG?auth=6b87a72869f5fe9b31a9293869ace3e491bb9b7c47bda43c52332954a355639e&smart=true&width=4608&height=3072" alt="Surgido em 1975, o Iron Maiden é a maior expressão de um movimento que representou um novo modo de fazer e pensar rock pesado" height="3072" width="4608"/><figcaption>Surgido em 1975, o Iron Maiden é a maior expressão de um movimento que representou um novo modo de fazer e pensar rock pesado</figcaption></figure><p>Surgido em 1975, o Iron Maiden é a maior expressão de um movimento chamado “new wave of british heavy metal”, que representou um novo modo de fazer e pensar rock pesado. Suas influências vão de grupos progressivos como Jethro Tull e o hard rock do Deep Purple, passando por bandas de rock épico – <i>Rising</i>, que o quinteto britânico Rainbow lançou em 1976, é obrigatório para entender a pauleira com tendências épicas dos “maidenianos”. Outras características estão no casamento de guitarras de Dave Murray e Adrian Smith (que se tornaram um trio com a presença de Janick Gers), inspiradas em duplas como Glenn Tipton e K.K. Downing, do inglês Judas Priest, e Scott Gorham e Brian Robertson, do irlandês Thin Lizzy. As letras do conjunto vão de encontro ao hedonismo trivial do heavy metal – eles falam de assuntos que vão de personagens históricos como Alexandre o Grande a feitos da Segunda Guerra Mundial e seres sobrenaturais.</p><p>A performance começou pontualmente com a execução, nas caixas de som, de <i>Doctor Doctor</i>, canção do grupo UFO – cujo baixista, Pete Way (1950-2020), foi uma das inspirações de Steve Harris. Em seguida, <i>The Ides of March</i>, canção de abertura do disco <i>Killers</i>, de 1981, foi o ponto de partida para, no palco, o Iron atacar outras três músicas do álbum – <i>Murders in the Rue Morgue</i>, <i>Wrathchild</i> e <i>Killers</i>. Nesta última, Eddie, a caveira/mascote do conjunto, faz a primeira das duas aparições da noite. Ela brande um machado e recebe um golpe nas partes baixas do vocalista Bruce Dickinson. Eddie retornaria algumas canções depois, brandindo uma bandeira durante a execução de <i>The Trooper</i>.</p><p>O cantor, aliás, é um fenômeno. Nem parece que ele foi diagnosticado com câncer na língua em 2014 – recuperou-se no ano seguinte. Do alto de seus 68 anos, Dickinson brilha tanto nos agudos – o grito de<i> The Number of the Beast </i>e o tom altíssimo de <i>Aces High </i>se mantém intactos – como nas canções que exigem tons mais graves. Caso de <i>Hallowed Be thy Name</i> e <i>Fear of the Dark</i>. Bruce sofreu com a plateia durante um show do Iron Maiden no Equador – os sinalizadores impediram que ele respirasse decentemente e o vocalista chegou a sair do palco. O público brasileiro, por seu turno, não apenas o respeitou como o saudou com carinhos de “Brucê, Brucê, Brucê.” </p><figure><img src="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/Z63U72PISZCX3KE4RMLZXOUO2A.jpg?auth=f5aa4ee5399584a4fa05727a3d94fc8134843edb28e9d7535c6d2f4dbf847bf5&smart=true&width=6500&height=4063" alt="Iron Maiden voltou a São Paulo para shows na turnê 2026" height="4063" width="6500"/><figcaption>Iron Maiden voltou a São Paulo para shows na turnê 2026</figcaption></figure><p>Bruce atua ainda como o mestre de cerimônias do conjunto. “Vocês são um país espetacular”, diz, ao final de <i>The Number of the Beast</i>. Logo depois de <i>Two Minutes to Midnight</i>, diz para a plateia que é a “hora da cachaça”, mas finge indignação ao perceber que na verdade iria tomar água. As palavras de ordem “scream for me São Paulo, scream for me Brazil”, então, são praticamente obrigatórias nas suas performances.</p><p>O sexteto inglês desfilou dezessete canções em quase duas horas e meia de apresentação, para uma plateia que invadiu todos os setores do Nubank Parque e que trazia pessoas das mais diferentes gerações. Um feito que não passou despercebido por Rod Smallwood, o empresário do sexteto. “Ver a empolgação e a paixão nos rostos dos espectadores adolescentes — alguns vendo a banda pela primeira vez, outros que já compareceram a vários shows — é algo maravilhoso. Valorizamos todos os nossos fãs, jovens e mais velhos, mas saber o quanto nossa música significa para cada nova geração é algo que guardamos com muito carinho — e não há lugar onde isso seja mais evidente do que no Brasil”, disse ele para o <b>Estadão</b>. “Ficamos muito contentes pelo fato de nosso público no Brasil ser tão multigeracional.”</p><p>O show se encerrou com <i>Wasted Years</i>, canção de <i>Somewhere in Time</i>, de 1986. “Assim como James Bond, nós voltaremos”, brincou Bruce Dickinson, antes de se despedir da plateia – e, provavelmente, descansar no condomínio das estrelas em Vinhedo. </p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Cinebiografia de Anthony Bourdain que chega ao streaming, ‘Tony’ é um aperitivo prazeroso]]></title><link>https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/cinebiografia-de-anthony-bourdain-que-chega-ao-streaming-tony-e-um-aperitivo-prazeroso/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/cinebiografia-de-anthony-bourdain-que-chega-ao-streaming-tony-e-um-aperitivo-prazeroso/</guid><dc:creator><![CDATA[Jeannette Catsoulis]]></dc:creator><description></description><pubDate>Mon, 26 Oct 2026 15:22:06 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Um dos muitos charmes de <b>Tony</b>, o esplêndido quinto longa-metragem do cineasta canadense <b>Matt Johnson</b>, é que o filme seria igualmente prazeroso se seu retratado fosse um completo desconhecido. Em outras palavras, esta história de origem ficcionalizada sobre <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/anthony-bourdain/?srsltid=AYCX9vKC5Pn8eSPgAlQImkBY6_lats_nmqtVhBaUT5ILEi3hGj03QSUc" target="_blank" rel="noreferrer" title="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/anthony-bourdain/?srsltid=AYCX9vKC5Pn8eSPgAlQImkBY6_lats_nmqtVhBaUT5ILEi3hGj03QSUc"><b>Anthony Bourdain</b></a> — o celebrado chef, escritor, contador de histórias e apresentador de televisão morto em 2018 — não exige de seu público nada além do que qualquer outro filme sobre um adolescente bocudo no tortuoso caminho para a vida adulta.</p><p>E isso é crucial, porque o próprio Bourdain é quase grande demais para um único filme; suas provações e talentos são um bocado difícil de engolir de uma só vez. Ciente disso, Johnson nos restringe a um aperitivo: um sabor de uma personalidade ácida, complexa e, por vezes, autodestrutiva.</p><figure><img src="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/4XCAKZK75VK3ZIWKFUA5TSQTYY.jpg?auth=49727a4eacc3936a587ea1c8d5fd47af291827221fcdc45628e419e464016517&smart=true&width=3287&height=2160" alt="Anthony Bourdain em imagem exibida no documentário 'Roadrunner', que estreou no Festival de Tribeca, em Nova York; chef ganha agora cinebiografia 'Tony'" height="2160" width="3287"/><figcaption>Anthony Bourdain em imagem exibida no documentário 'Roadrunner', que estreou no Festival de Tribeca, em Nova York; chef ganha agora cinebiografia 'Tony'</figcaption></figure><p>Inspirado nos primeiros capítulos do livro de memórias publicado por Bourdain em 2000, <i>Cozinha Confidencial. Uma Aventura nas Entranhas da Culinária </i>(Companhia de Mesa<i>)</i>, Johnson (que assina o roteiro ao lado de Todd Bartels, Lou Howe e Matthew Miller) apresenta seu herói espichado de 19 anos durante um verão transformador em 1975.</p><p>Após não conseguir uma bolsa de escrita que julgava garantida, <i>Tony </i>(Dominic Sessa, fantástico) segue impulsivamente sua paixão, Nancy (Emilia Jones), até Provincetown, em Massachusetts. Tendo mentido aos pais (Dagmara Dominczyk e Rich Sommer) sobre a rejeição, ele não tem plano algum; o que carrega é um ego gigante e um apetite voraz por experiências.</p><p>Declarando-se escritor, armado com vocabulário erudito e um nunchaku preso ao cós da calça, ele persegue Nancy, que não dá a menor trela para sua bravata imatura. Quando o nunchaku entra em cena e ele inevitavelmente leva uma surra, vai parar na porta de um restaurante de frutos do mar — aos pés de alguém que lhe ensinará muito mais do que apenas cozinhar.</p><figure><img src="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/BJEKUHOJGNCVNL6DY3NB2H4EKI.jpg?auth=0c704c5d478b3d39e411c5672a37e54db65321c0a70e4b6747f03041b3038083&smart=true&width=1917&height=1429" alt="Antonio Banderas (Chef), Dominic Sessa (Tony) e Leo Woodall (Sal) em 'Tony'." height="1429" width="1917"/><figcaption>Antonio Banderas (Chef), Dominic Sessa (Tony) e Leo Woodall (Sal) em 'Tony'.</figcaption></figure><p>Esse restaurante, um pequeno degrau acima de uma lanchonete de fast-food, é o coração barulhento de <i>Tony</i>. Sua cozinha — a exemplo do ruidoso ambiente de trabalho em <i>BlackBerry</i>, joia lançada por Johnson em 2023 — é uma colmeia de caos controlado e o crisol no qual Tony será testado. (Johnson demonstra um talento real para retratar o companheirismo tumultuado de velhos amigos e colegas de trabalho.)</p><p>O proprietário do restaurante, conhecido apenas como Chef (Antonio Banderas), é um supervisor rigoroso, porém bondoso, que reconhece algo potente por trás da postura arrogante de Tony e lhe oferece uma rede na varanda em troca de lavar pratos. A beleza da atuação discretamente comovente de Banderas reside em como ele transmite a gradual percepção de Chef de que a mentoria oferecida ao jovem despertou nele próprio sonhos há muito abandonados.</p><p>Mas se Chef é o anjo no ombro de Tony, o diabo do outro lado é Sal (um brilhante Leo Woodall), um hedonista conquistador que cheira carreiras de cocaína e atua como um guia sem amarras da vida noturna e das substâncias ilícitas da cidade. Essa tensão, mais do que qualquer romance, move o drama do filme, com o roteiro impondo repetidamente a escolha entre a disciplina e a inconsequência. Trabalhando miseravelmente ao lado de Sal e dos outros cozinheiros (vividos com vigor por Stavros Halkias e Michael Jibrin), Tony finalmente aprende algo em que é bom; ele só está alucinando demais para perceber no momento.</p><p>Desde sua estreia em longas em 2013, Johnson despontou como uma espécie de cronista da masculinidade conturbada; seus personagens são inquietos obstinados com grandes ideias que acabam sendo seus próprios piores inimigos.<i> Tony</i> se encaixa no molde: assim como seu homenageado, o filme é cru e sincero, birrento e vaidoso. E ocasionalmente poético.</p><p>“Quero que você tire uma foto minha porque gosto de como me sinto quando você olha para mim”, diz Tony a Nancy, pedindo um retrato para um livro que ele ainda não escreveu. Em raros momentos como esse, Sessa se desfaz do carisma da alienação para revelar a vulnerabilidade que temperaria a hiperconfiança insolente de Bourdain.</p><p>Com lentes vintage e gravações realizadas principalmente em Cape Cod, o diretor de fotografia Michael Bauman confere um tom nostálgico, quase sentimental, às locações praianas. A história é simples, mas, ao se concentrar nesse recorte crucial de uma vida agitada, Johnson alcança algo mais profundo e universal do que um foco mais amplo permitiria. Ao final, este filme cativante pode ser menos sobre o nascimento de um chef e mais sobre a formação de um homem.</p><p><i>Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. </i><a href="https://www.estadao.com.br/link/estadao-define-politica-de-uso-de-ferramentas-de-inteligencia-artificial-por-seus-jornalistas-veja/" target="_blank" rel=""><i><b>Saiba mais em nossa Política de IA</b></i></a><i>.</i></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Lei de Crimes Ambientais: a responsabilidade penal de empresas falha onde prometia acertar]]></title><link>https://www.estadao.com.br/economia/lei-de-crimes-ambientais-a-responsabilidade-penal-de-empresas-falha-onde-prometia-acertar/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/economia/lei-de-crimes-ambientais-a-responsabilidade-penal-de-empresas-falha-onde-prometia-acertar/</guid><dc:creator><![CDATA[Maria Tereza Grassi Novaes]]></dc:creator><description></description><pubDate>Sat, 24 Oct 2026 01:00:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Há uma crença disseminada de que o <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/codigo-penal/" target="_blank" rel="" title="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/codigo-penal/"><b>Direito Penal Ambiental</b></a> brasileiro foi feito para punir as grandes empresas poluidoras. A realidade é quase o oposto: quanto mais sofisticada a estrutura de uma empresa, mais difícil se torna responsabilizá-la criminalmente.</p><p>A <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/crime-ambiental/" target="_blank" rel="" title="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/crime-ambiental/"><b>Lei de Crimes Ambientais (Lei n.º 9.605/98)</b></a> estabelece três condições para que uma empresa responda penalmente: é preciso identificar uma infração praticada por uma pessoa física; que ela decorra de decisão de representante legal, contratual ou de órgão colegiado da empresa; e que tenha sido cometida em interesse ou benefício dela. Todos os requisitos precisam estar presentes na denúncia.</p><p>Em <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/empreendedorismo/" target="_blank" rel="" title="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/empreendedorismo/"><b>pequenas e médias empresas</b></a>, os três elementos aparecem com mais facilidade. O responsável é identificável, a decisão que determinou o delito é rastreável e o benefício à empresa é evidente. A lei funciona, mas funciona para quem não era, supostamente, seu alvo principal.</p><p>Nas grandes corporações, o quadro muda radicalmente. A tomada de decisão é difusa, distribuída entre conselhos, diretorias e gerências intermediárias. </p><figure><img src="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/TYRLKPEPZVNT3KT23NL7PHFNDA.jpg?auth=1a52a906d7e22c8199671efe8e96baf0c3e39cad5f986b2ef379a13e9a63b360&smart=true&width=710&height=473" alt="O resultado em quase três décadas de aplicação da Lei de Crimes Ambientais impõe um dilema" height="473" width="710"/><figcaption>O resultado em quase três décadas de aplicação da Lei de Crimes Ambientais impõe um dilema</figcaption></figure><p>Um dano ambiental pode resultar de uma cadeia de omissões, de orientações genéricas de eficiência, de pressões orçamentárias que jamais tomaram a forma de uma ordem explícita. Provar que essa decisão veio de alguém com poderes formais de representação torna-se tarefa próxima do impossível.</p><p>O resultado é um paradoxo perturbador. Numa pequena transportadora cujo dono determinou o descarte irregular de resíduos, a investigação consegue reunir os três elementos exigidos. </p><p>Já numa grande mineradora cujo processo decisório pulverizado resultou em desastre ambiental de proporções históricas, a empresa frequentemente escapa – não porque seja inocente, mas porque dificilmente se identifica, dentro de sua estrutura, a decisão expressa que a lei exige.</p><p>A justificativa para criar essa responsabilidade era clara: punir criminalmente as grandes corporações responsáveis pelos piores danos ambientais do País. Vinte e oito anos depois, é preciso reconhecer que a lei não cumpriu essa promessa.</p><p>Talvez a conclusão mais honesta não seja reformar a lei para que alcance ainda mais empresas, mas questionar se o Direito Penal é o instrumento adequado para responsabilizar entes coletivos – e se não seria mais eficaz investir em responsabilização civil, administrativa e regulatória, que conhecem melhor a anatomia das grandes organizações.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A lambança final do Judiciário na eleição]]></title><link>https://www.estadao.com.br/opiniao/a-lambanca-final-do-judiciario-na-eleicao/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/opiniao/a-lambanca-final-do-judiciario-na-eleicao/</guid><dc:creator><![CDATA[Notas & Informações]]></dc:creator><description></description><pubDate>Mon, 26 Oct 2026 06:01:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>A Justiça conseguiu a proeza de encerrar a eleição presidencial de 2026 do mesmo modo como a conduziu desde o início: em meio a uma grossa confusão. Às 17h01 deste domingo, um minuto depois do horário oficial de encerramento da votação, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, a pedido do PT, determinou que as seções eleitorais de todo o País permanecessem abertas até as 19 horas, a pretexto de permitir a participação de eleitores que enfrentaram problemas no transporte coletivo em algumas cidades. Àquela altura, muitas urnas já estavam lacradas e a totalização dos votos havia começado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A escolha do presidente da República agora corre o risco de se converter num impasse jurídico sem precedentes, com evidente ameaça de crise institucional.</p><p>Houve, sim, problemas na oferta de transporte público em Salvador. Ao longo do dia, multiplicaram-se relatos de falta ou atraso de ônibus e filas nos pontos. Desde 2023, por decisão do STF, os municípios são obrigados a oferecer transporte gratuito no domingo da eleição e não podem reduzir a frota em relação à oferta nos dias úteis. A cidade é governada por um aliado do candidato Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).</p><p>A desordem começou com a omissão do TSE. Os alertas sobre problemas na oferta de transporte público aos eleitores chegaram à Corte no fim da manhã. Nada foi feito. O presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, limitou-se a dizer que as dificuldades “já estão sendo corrigidas”, enquanto eleitores esperavam ônibus que nunca chegavam. Era dever do TSE agir de acordo com a gravidade da situação e decidir a tempo se, e onde, a votação deveria ser prorrogada. A inércia de Nunes Marques abriu o vácuo que Zanin logo tratou de ocupar.</p><p>E o fez de forma completamente atabalhoada. Sua decisão de prorrogar a votação por mais duas horas atendeu a um pedido da coligação petista, que apontava problemas em três municípios baianos. Zanin, no entanto, estendeu os efeitos de sua decisão para todo o Brasil, sem explicar por que eleitores do Amazonas ou de Santa Catarina, por exemplo, poderiam votar até aquele horário por falta de ônibus na Bahia. A fundamentação de sua decisão, estranhamente, não é jurídica. O ministro apegou-se à “gravidade dos fatos” e à “urgência evidente”. Em um primeiro momento, nem uma palavra sobre as urnas já lacradas, que não poderiam ser reabertas, nem sobre os votos já apurados – sem falar no atropelo da competência do TSE. Só depois de criar essa confusão, Sua Excelência esclareceu que a votação estendida era válida apenas para as urnas que ainda não haviam sido fechadas.</p><p>Pesa ainda o fato, de resto incontornável, de Zanin ter sido o aguerrido advogado pessoal de Lula antes de ter sido indicado pelo presidente ao STF. Mas o ministro, após ter sido sorteado, não viu razão para se afastar de um caso de interesse direto de seu mais notório ex-cliente, no exato dia em que este disputava a reeleição.</p><p>Esses episódios lamentáveis protagonizados por Nunes Marques e Cristiano Zanin coroam um pleito marcado, do início ao fim, pelas lambanças do Judiciário, particularmente do STF e do TSE. E tudo isso porque, como nunca, os interesses políticos dos magistrados deram as caras numa disputa pelo poder central da República que deve ser arbitrada, única e exclusivamente, pelos eleitores.</p><p>Neste domingo, a soma da omissão de um ministro com o voluntarismo de outro levou ao pior cenário para a democracia: a dúvida sobre a legitimidade do resultado das urnas. Uma eleição presidencial que pode ser judicializada abre as portas para o inferno. Basta que o derrotado, Flávio Bolsonaro, conteste os votos dados depois das 17 horas – ou reclame os que deixaram de ser dados nas urnas já lacradas quando Zanin autorizou a prorrogação da votação – para que o Brasil mergulhe em uma disputa de desfecho imprevisível, sobretudo num ambiente já intoxicado pela polarização.</p><p>O sistema eleitoral brasileiro é modelo para o mundo. É lastimável que tenha sido tisnado logo por quem tem o dever de defender sua integridade. </p>]]></content:encoded><media:content url="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/QFXAXZ3VOBH4TLR7DN2TAOVTKM.png?auth=ca8e9ecd2c3e9968b8fde9b794b41d3281176ee0d66e69b213f10b315fef7fba&amp;smart=true&amp;width=1920&amp;height=1080" type="image/png" height="1080" width="1920"><media:description type="plain"><![CDATA[Logo Estadão - Opinião - Editorial - Editoriais]]></media:description><media:credit role="author" scheme="urn:ebu">Estadão</media:credit></media:content></item><item><title><![CDATA[Acordo com a UE já rende frutos]]></title><link>https://www.estadao.com.br/opiniao/acordo-com-a-ue-ja-rende-frutos/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/opiniao/acordo-com-a-ue-ja-rende-frutos/</guid><dc:creator><![CDATA[Notas & Informações]]></dc:creator><description></description><pubDate>Mon, 26 Oct 2026 06:00:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Em vigor em caráter provisório desde maio, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) já rende bons frutos ao Brasil. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras para a UE aumentaram 30,7% entre maio e setembro de 2026.</p><p>O resultado premia a perseverança brasileira para fazer o tratado vingar e merece ser celebrado. Só se chegou até aqui porque, por mais de duas décadas, o Brasil não se intimidou com as resistências do próprio Mercosul e, sobretudo, da UE, o que permitiu que o acordo finalmente fosse assinado em janeiro deste ano.</p><p>Mas celebrar não deve ser senha para acomodação. Para começo de conversa, não se pode perder de vista que o acordo, embora operante, ainda carece de um parecer definitivo do Tribunal de Justiça da União Europeia – processo que pode levar até dois anos para ser concluído.</p><p>Inconformados com a eficiência sul-americana no agronegócio, os opositores europeus ao acordo, liderados pela França, não se furtam a buscar subterfúgios para invalidar o tratado. Por isso mesmo, o Brasil precisa estar um passo à frente, antecipando-se a potenciais desafios e armadilhas.</p><p>Não foi o que se viu no caso do recente veto às exportações brasileiras de carne bovina, suína, de frango, mel, pescados e ovos para a UE, que passou a valer a partir de setembro. A UE alegou que o Brasil não apresentou informações suficientes que garantam o cumprimento do regulamento europeu de uso de antimicrobianos nas criações, tais como antibióticos.</p><p>A reação inicial do governo brasileiro ao veto foi de “surpresa”, o que causa espanto, não só porque as regras da UE sobre antimicrobianos já eram de conhecimento público, mas também porque a Argentina, parceira do Brasil no Mercosul, segue habilitada a exportar carne para o mercado europeu.</p><p>Não é aceitável que, após tanto esforço brasileiro para fazer o acordo vingar, o País tenha se permitido dar um cochilo desses. É fundamental que o governo e o setor produtivo trabalhem juntos, colhendo informações na UE e atuando de modo a evitar humilhações dessa monta. A esta altura dos acontecimentos, é previsível que a UE se valerá de barreiras sanitárias, ambientais e regulatórias para disfarçar seu protecionismo.</p><p>Ademais, além de continuar trabalhando para que o acordo com o bloco europeu se consolide, o Brasil também precisa seguir buscando novos mercados obstinadamente. Isso passa por superar divergências internas no próprio Mercosul, bloco que já negocia tratados com países como Canadá e Japão.</p><p>Não menos importante é que o Brasil – independentemente de alinhamentos ideológicos entre os governos de ocasião – guie-se pelo pragmatismo, negocie com todos e privilegie sempre o interesse da população brasileira.</p><p>Penalizado com tarifas injustificadas pelos EUA, o Brasil também vê suas exportações para a China estagnarem em termos de volume. A saída para esse impasse, como demonstram os resultados iniciais do acordo com a União Europeia, sempre foi e continua sendo ampliar horizontes. </p>]]></content:encoded><media:content url="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/QFXAXZ3VOBH4TLR7DN2TAOVTKM.png?auth=ca8e9ecd2c3e9968b8fde9b794b41d3281176ee0d66e69b213f10b315fef7fba&amp;smart=true&amp;width=1920&amp;height=1080" type="image/png" height="1080" width="1920"><media:description type="plain"><![CDATA[Logo Estadão - Opinião - Editorial - Editoriais]]></media:description><media:credit role="author" scheme="urn:ebu">Estadão</media:credit></media:content></item><item><title><![CDATA[O Plano Real dos juros]]></title><link>https://www.estadao.com.br/opiniao/espaco-aberto/o-plano-real-dos-juros/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/opiniao/espaco-aberto/o-plano-real-dos-juros/</guid><dc:creator><![CDATA[Roberto Giannetti da Fonseca ]]></dc:creator><description></description><pubDate>Mon, 26 Oct 2026 06:00:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Neste artigo, analiso o dilema da persistente taxa de juros elevada. Sempre questionei a intensidade, a duração e a real eficácia das medidas de política monetária no combate à inflação. Os juros mais elevados impactam, sim, a demanda agregada e apresentam correlação inversa com a taxa de inflação. Meu ponto é que esse axioma deve ser relativizado, à luz dos objetivos de política econômica e do funcionamento da macroeconomia.</p><p>Por que há, no Brasil, tal foco excessivo na política monetária, quase como ferramenta exclusiva de combate à inflação? A resposta é a absoluta falta de colaboração da política fiscal. Quando há déficit primário, a forma mais simples de cobertura é o novo endividamento, especialmente quando já se esgotou a alternativa de aumento da receita tributária. Se a trajetória da dívida é continuamente ascendente, a percepção prospectiva de risco induz à elevação da taxa de juros de longo prazo da economia brasileira.</p><p>A questão relevante, mas não exclusiva, é o equilíbrio fiscal, aliado à tarefa de corrigir a má qualidade de gestão dos recursos públicos no Brasil, pois não apenas gastamos muito, mas gastamos mal, com baixa produtividade. A dívida pública segue aumentando, com baixo retorno para os contribuintes, que, em última instância, pagam a conta das despesas correntes e dos juros, com carga tributária na ordem de 34% do Produto Interno Bruto (PIB).</p><p>Se apenas reduzíssemos a carga tributária brasileira de 34% do PIB para o nível médio de países semelhantes (25% do PIB), nosso déficit primário seria absurdamente elevado. Torna-se evidente a necessidade de um forte programa de redução de despesas públicas de forma seletiva e consistente.</p><p>Se o estoque da dívida bruta é de 82,9% do PIB, patamar muito inferior ao de dezenas de outros importantes países, por que a conta de juros sobre a dívida atinge o nível de 8,9% do PIB? Isso acontece porque a relação dívida/PIB segue numa tendência insustentável. Daí o mercado financeiro capturar essa percepção na formação da taxa de juros de longo prazo. A solução estaria, portanto, em medidas que promovessem a evolução positiva do denominador (aumento do PIB) sobre a evolução do numerador (estoque da dívida) nessa equação.</p><p>O verdadeiro problema fiscal não está no déficit primário, mas sim no déficit nominal sobre o PIB, que em 2026 deverá atingir um nível próximo a 9% do PIB. Além do necessário ajuste fiscal, trago ao debate a existência de um fator inercial retroativo no processo de formação da taxa de juros pelos agentes econômicos, num processo moto-contínuo da elevação contínua da taxa de juros.</p><p>Essa tese tem sido explorada com muita competência por muitos economistas brasileiros e estrangeiros, mas destaco aqui o recente artigo elaborado pelo economista André Lara Resende, sob o provocativo título <a href="https://andrelararesende.substack.com/p/eu-acuso-uma-proposta-para-eliminar" target="_blank" rel="" title="https://andrelararesende.substack.com/p/eu-acuso-uma-proposta-para-eliminar"><i>Eu acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos</i></a>.</p><p> Desta vez, vislumbro neste trabalho de Lara Resende a mesma centelha criativa para ser um “Plano Real para os juros”, fundeado solidamente numa âncora coordenadora de expectativas com foco num consistente programa de equilíbrio fiscal.</p><p>Assim como ocorreu em 1994 na concepção do Plano Real, é preciso abrir a mente para o exame de novas alternativas de eliminação do fator inercial dos juros, a principal (mas não única) raiz da crise de confiança monetária que observamos no Brasil. O objetivo deste plano seria a redução induzida da taxa de juros básicos ao longo de 12 meses para o nível de 7,5% ao ano (a.a.), com juros reais de cerca de 3,0% a.a., diante de uma inflação projetada de 4,5% a.a. Caso estas previsões se confirmem, somente pelo impacto da redução dos juros básicos sobre o estoque da dívida pública, haveria uma economia fiscal de 4% do PIB ao ano, com a redução do déficit nominal do nível de 10% do PIB para 6,0%, condição para que a inflação viesse a convergir para a diferença entre a taxa de juros básica e a taxa de crescimento real da economia.</p><p>Inúmeros instrumentos devem compor a ótica do plano, como a composição da carteira de títulos públicos préfixados e pós-fixados e seus respectivos prazos de vencimento, a estabilidade da taxa de câmbio e a calibração técnica do nível das reservas cambiais, controle seguro da oferta de moeda e crédito no mercado, apuração do nível de emprego, da taxa de investimento do setor privado, entre outras variáveis.</p><p>Embora na economia muitas vezes os diagnósticos das diferentes escolas de pensamento possam ser relativamente coincidentes, existem várias receitas para a solução adequada e eficaz. Não podemos nos deixar guiar por um voluntarismo inconsequente para resolver problemas socioeconômicos complexos e intrigantes.</p><p>A pergunta final que fica após o segundo turno é se o próximo presidente terá condições para entender e agir com a urgência necessária para sanar esta grave debilidade da economia brasileira.</p>]]></content:encoded><media:content url="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/MEXCC2GR4NGFZORL23U4G6QQQA.png?auth=cd21c70faa09c15d623466b3d86fbe305c1b53ac15b84672b00068f3c5093a35&amp;smart=true&amp;width=1309&amp;height=872" type="image/png" height="872" width="1309"><media:description type="plain"><![CDATA[Ex-Libris / Logomarca especial do Estadão, elaborada pela agência Africa Creators, para celebrar os 150 anos do jornal Crédito: Africa Creative/Estadão]]></media:description><media:credit role="author" scheme="urn:ebu">Africa Creative/Estadão</media:credit></media:content></item><item><title><![CDATA[Menos interesses, mais Brasil]]></title><link>https://www.estadao.com.br/opiniao/carlos-alberto-di-franco/menos-interesses-mais-brasil/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/opiniao/carlos-alberto-di-franco/menos-interesses-mais-brasil/</guid><dc:creator><![CDATA[Carlos Alberto Di Franco]]></dc:creator><description></description><pubDate>Mon, 26 Oct 2026 06:00:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Encerrada a eleição presidencial, o Brasil precisa reencontrar o Brasil. As urnas definiram quem governará. Não deram a ninguém a propriedade do País nem autorizaram a perpetuação dos palanques. A vitória impõe responsabilidades. A derrota exige maturidade. Acima das duas está uma nação que precisa trabalhar, crescer e oferecer um horizonte aos seus filhos.</p><p>É hora de baixar a voz e elevar a qualidade da política. O cidadão não pode continuar refém de uma disputa que invade a vida cotidiana, rompe amizades e transforma divergências em hostilidade. O adversário não é um inimigo a ser eliminado. É um brasileiro com quem será necessário conviver e construir soluções.</p><p>O País não carece de recursos naturais, inteligência ou capacidade empreendedora. Carece de liderança com autoridade moral, consciência histórica e espírito público. Carece de homens e mulheres capazes de subordinar suas conveniências ao interesse nacional. Há muita gente pensando na próxima eleição. Precisamos de gente pensando na próxima geração.</p><p>A pergunta decisiva já não é quem venceu. É o que faremos com o mandato recebido e com a responsabilidade que cabe a cada um. Que Brasil queremos entregar aos jovens? Um país prisioneiro de ressentimentos ou uma sociedade que transforme suas possibilidades em oportunidades reais? A resposta virá das decisões.</p><p>O cenário mundial evidenciou o valor estratégico dos alimentos, da energia e dos minerais. O Brasil tem condições para participar desse movimento. Temos água, terras, fontes de energia, empresas, agricultura produtiva e um povo trabalhador. Mas riqueza potencial não põe comida na mesa. Precisa transformar-se em investimento, produtividade e trabalho.</p><p>Enquanto discutimos pessoas, grupos e facções, projetos se arrastam, obras encarecem e oportunidades desaparecem. A burocracia sufoca quem empreende. A insegurança jurídica afasta investimentos. A instabilidade das regras pune quem planeja. O preço dessa paralisia não é pago apenas pelas empresas. É pago, sobretudo, por quem espera um emprego e por quem depende de serviços públicos precários.</p><p>Destravar o desenvolvimento deve ser prioridade nacional. Integrar o território, modernizar portos e ferrovias, melhorar a educação e estimular a inovação são tarefas que exigem continuidade. Um projeto necessário não pode ser abandonado porque nasceu em outro governo. O dinheiro público não pertence ao governante da vez. Pertence ao contribuinte, que merece respeito.</p><p>Preservação ambiental e desenvolvimento não são coisas contraditórias. Exigem decisões responsáveis, apoiadas na ciência, na proteção das comunidades e em regras claras. Mas a defesa do ambiente tampouco pode servir de justificativa para condenar populações inteiras à pobreza. O Brasil precisa recuperar seu território. Não pode admitir que organizações não governamentais, atreladas a interesses externos, decidam o nosso futuro. Governar exige conciliar direitos, avaliar consequências e decidir.</p><p>Também é preciso desfazer uma confusão persistente: desenvolvimento não se fabrica com descontrole fiscal, favores a grupos influentes ou promessas sem financiamento. O Estado precisa gastar melhor, combater desperdícios e priorizar o que muda a vida das pessoas. Inflação, dívida e improvisação cobram sua conta. Os mais pobres costumam pagá-la primeiro.</p><p>Combater a corrupção faz parte desse compromisso. Não há corrupção aceitável quando beneficia os nossos e intolerável quando favorece os outros. O dinheiro desviado falta na escola, no hospital e na segurança. A honestidade não pode ser uma bandeira recolhida depois da posse. Precisa orientar a administração e a conduta dos Poderes.</p><p>Ao presidente eleito cabe uma obrigação especial: governar para o conjunto da sociedade. Ouvir além do próprio círculo, escolher pessoas competentes e aceitar a fiscalização são sinais de grandeza. À oposição cabe exercer o controle com firmeza, apresentar alternativas e apoiar o que servir ao País. O fracasso do governo não pode ser desejado quando significa o sofrimento dos brasileiros.</p><p>Ao Congresso, ao Judiciário, aos empresários, aos sindicatos e à imprensa cabe rever prioridades. Toda instituição deve prestar contas. Nenhum setor pode exigir sacrifícios coletivos enquanto protege seus privilégios. A reconstrução da confiança começa quando o discurso encontra correspondência no comportamento.</p><p>Pacificar exige verdade, respeito à lei e disposição para o diálogo. Exige abandonar a exploração permanente do medo e da raiva. Não significa renunciar a convicções ou suspender a crítica. Significa compreender que a divergência democrática precisa produzir caminhos, e não um estado interminável de guerra.</p><p>O Brasil é maior do que qualquer biografia, partido ou projeto de poder. Não pode continuar sendo tratado como instrumento de ambições particulares. A eleição terminou. A responsabilidade permanece. Que os vencedores tenham grandeza, que os derrotados tenham espírito público e que todos saibamos cobrar resultados. Menos vaidade, menos revanche, menos interesses pessoais. Mais trabalho, mais responsabilidade, mais Brasil. </p>]]></content:encoded><media:content url="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/MEXCC2GR4NGFZORL23U4G6QQQA.png?auth=cd21c70faa09c15d623466b3d86fbe305c1b53ac15b84672b00068f3c5093a35&amp;smart=true&amp;width=1309&amp;height=872" type="image/png" height="872" width="1309"><media:description type="plain"><![CDATA[Ex-Libris / Logomarca especial do Estadão, elaborada pela agência Africa Creators, para celebrar os 150 anos do jornal Crédito: Africa Creative/Estadão]]></media:description><media:credit role="author" scheme="urn:ebu">Africa Creative/Estadão</media:credit></media:content></item><item><title><![CDATA[Parlamentar ou para lamentar?]]></title><link>https://www.estadao.com.br/opiniao/espaco-aberto/parlamentar-ou-para-lamentar/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/opiniao/espaco-aberto/parlamentar-ou-para-lamentar/</guid><dc:creator><![CDATA[José Renato Nalini ]]></dc:creator><description></description><pubDate>Mon, 26 Oct 2026 06:00:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>É bem significativo que a maioria dos brasileiros, além de não se recordar em quem votou para o Parlamento em 2022, sequer saiba indicar o nome de um integrante do Legislativo, como indica pesquisa Datafolha deste ano.</p><p>Tal situação oferece farto material para reflexão. Na formatação ideal de Montesquieu, dentre as três funções do Estado, a mais importante seria o Parlamento. A ele compete estabelecer as regras do jogo. No Estado de Direito, ao Executivo incumbe administrar mediante aplicação da lei. Ao Judiciário se reserva a atribuição de fazer incidir a vontade concreta da lei sobre as contendas. Mas o elemento preponderante para qualquer governo é a lei. Produto do Poder Legislativo.</p><p>O Parlamento brasileiro quase chegou a adotar o parlamentarismo, tendência forte quando da transição do autoritarismo para a democracia. Tanto que a estrutura da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é tendencialmente indicativa de que a solução parlamentarista restaria vencedora nos debates constituintes. Mas o “parlamentarismo de fato” hoje observado não é a melhor solução para uma nação às voltas com infindáveis e crescentes problemas.</p><p>Houve um sequestro do Executivo pelo Congresso, que parece convertido em surreal Câmara Municipal. Atende-se prioritariamente aos interesses paroquiais, localizados, na base eleitoral do deputado. Não é muito diferente o que ocorre no Senado, que deveria representar os Estados-membros e zelar pela preservação do federalismo, que cedeu espaço a um bizarro Estado unitário.</p><p>O capítulo das emendas multiportas é a comprovação de que interesses localizados, com vistas a alavancar a força eleitoral e a continuidade dos feudos, fazem recuar o longínquo aceno de democracia participativa, diante do cansaço do modelo exclusivamente representativo.</p><p>Esquece-se do objetivo de atender às mais urgentes necessidades de um Estado nacional que sempre foi considerado “promissora esperança”, o “País do futuro”, que não consegue superar os entraves permanentes, a mantê-lo na condição de mero exportador de commodities, com educação capenga e retrocesso em todas as pautas que motivam protagonismo do mundo civilizado.</p><p>Um exemplo claro é o recuo na tutela ambiental, a evidenciar crassa ignorância de que sem clima favorável, não haverá produtividade, sem chuva equilibrada não existirá lavoura, sem floresta mantida, restaurada e cuidada, o agronegócio deixará de ser “a salvação da lavoura”.</p><p>A preocupação com o Fundo Eleitoral e Fundo Partidário é a prova de que o sistema já esgotou suas possibilidades de conduzir a Nação ao seu patamar utópico. Se os partidos políticos realmente seduzissem os eleitores, estes é que teriam de sustentá-los, não fazer com que escassos recursos, insuficientes para atender à saúde, educação, saneamento básico, fossem cruelmente destinados a fomentar campanhas desalentadoras. Quem é que se anima a assistir a propaganda eleitoral? E ainda se a qualifica “gratuita”. Gratuita para quem, cara pálida?</p><p>O custo Brasil é onerado pela disfunção de um Parlamento que é extremamente dispendioso, incompatível com o nível de trabalho ofertado à cidadania. A política partidária tupiniquim tornou-se profissão rentável, que perpetua e enriquece os que nela mergulharam, mas cujos frutos não são percebidos pelo eleitorado. Tanto que ninguém se lembra em quem votou e não sabe indicar sequer um nome de integrante do Legislativo, tamanha a desimportância desse Poder.</p><p>Será também consequência da falta de comunicação com o eleitorado? Ou de insuficiência dos instrumentos de contínua formação de uma cidadania consciente de seus direitos, mas também de seus deveres?</p><p>Quais os cursos, seminários, simpósios, congressos e debates propiciados pelos ainda inúmeros partidos políticos brasileiros? Qual o seu trabalho na preparação de novas lideranças? O que podem oferecer de edificante em sua história?</p><p>Seria importante que, neste ano de renovação da Câmara dos Deputados e de parcela do Senado da República, os eleitores tivessem escolhido aqueles cujo discurso propõe uma reversão do quadro atual e se dispõem a retornar o Parlamento àquela função proeminente na proposta de Charles-Louis de Secondat, barão de La Brède e de Montesquieu (1689-1755), reabilitando-o para que os objetivos nacionais permanentes mereçam o empenho hoje opaco.</p><p>O Legislativo, que também possui a prerrogativa de fiscalizar o Executivo, é muito mais importante do que o chefe do Executivo, hoje refém do Parlamento, responsável pela maior parte da destinação das verbas públicas.</p><p>Antes de votar, o eleitor precisaria garimpar, dentre os milhares de pretendentes a ocupar uma vaga junto ao Congresso, aqueles aos quais poderia recorrer durante o mandato, para criticar, sugerir, aplaudir – se for o caso – mas para se mostrar presente durante toda a legislatura.</p><p>Sem essa vigilância constante e firme, nada se alterará, para infelicidade de um povo que perde o sono diante da insuficiência de Orçamento para atender às suas mais prementes necessidades e ainda tem de conviver com um Parlamento que parece distanciado de suas agruras.</p>]]></content:encoded><media:content url="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/MEXCC2GR4NGFZORL23U4G6QQQA.png?auth=cd21c70faa09c15d623466b3d86fbe305c1b53ac15b84672b00068f3c5093a35&amp;smart=true&amp;width=1309&amp;height=872" type="image/png" height="872" width="1309"><media:description type="plain"><![CDATA[Ex-Libris / Logomarca especial do Estadão, elaborada pela agência Africa Creators, para celebrar os 150 anos do jornal Crédito: Africa Creative/Estadão]]></media:description><media:credit role="author" scheme="urn:ebu">Africa Creative/Estadão</media:credit></media:content></item><item><title><![CDATA[Fórum dos Leitores]]></title><link>https://www.estadao.com.br/opiniao/forum-dos-leitores/forum-dos-leitores-26-10-2026/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/opiniao/forum-dos-leitores/forum-dos-leitores-26-10-2026/</guid><dc:creator><![CDATA[Fórum dos Leitores]]></dc:creator><description></description><pubDate>Mon, 26 Oct 2026 06:00:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Eleições 2026</p><p>A vitória do medo</p><p>O medo do que foi, é e do que seria o governo bolsonarista prevaleceu sobre o medo do que foram, são e serão Lula, PT e lulismo, lançando, sob o domínio do medo, os dados da sorte ou do azar do futuro deste país.</p><p>Napoleão J. Pereira M. Alves</p><p>Campinas</p><p>*</p><p>Amado e odiado</p><p>Recebi estarrecida a notícia da vitória de Lula ontem. Realmente, o pacote de bondades de que lançou mão o presidente às vésperas da eleição deu ao povo a vontade de reeleger aquele que, para muitos de nós, é o algoz do País. Agora, só nos resta aceitar com inconformismo e assistir ao que acontecerá neste país nos próximos quatro anos. É difícil de aceitar a vitória de Lula diante de tantas dificuldades que vemos o Brasil passar todos os dias: inflação, dívida interna além das alturas, juros escorchantes, e por aí vai. O carisma de Luiz Inácio é estarrecedor: é amado e odiado. </p><p>Célia Maria Anderáos</p><p>São Paulo</p><p>*</p><p>Ressaca política</p><p>Quando um espelho se quebra, são sete anos de azar; quando Lula vence, são quatro anos de atraso. O dia seguinte da eleição presidencial deveria ser feriado: o Dia da Ressaca Política. Quem perde precisa respirar e reordenar os pensamentos; quem ganha precisa comemorar com o tempo livre. A ressaca política é dolorosa: ir trabalhar com a certeza de que o seu mundo imaginário vai mudar é muito difícil e improdutivo. Vamos respeitar o resultado das urnas refletindo sobre o futuro de forma positiva. Pensar que, mesmo com uma derrota política, o mundo não acabou.</p><p>Roberto Solano</p><p>Rio de Janeiro</p><p>*</p><p>A democracia e a lei</p><p>Como brasileiro, manifesto profundo repúdio a qualquer ação ou omissão que possa comprometer a integridade do processo eleitoral e o direito constitucional do cidadão ao voto. É inadmissível que, em pleno exercício da democracia, surjam denúncias de obstáculos ao comparecimento dos eleitores às urnas, enquanto autoridades legalmente responsáveis por assegurar a normalidade das eleições são questionadas por sua atuação. Também considero preocupante a aparente insuficiência de medidas preventivas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cuja missão é garantir a lisura, a segurança e a igualdade de condições no exercício do voto. A democracia não pode ser defendida só no discurso. Ela precisa ser respeitada nas decisões, nas atitudes e, sobretudo, no cumprimento da lei.</p><p>Márcio M. Pascholati</p><p>São Paulo</p><p>*</p><p>Tumulto jurídico</p><p>Foi criado ontem um precedente de tumulto jurídico que o TSE tem de resolver de forma séria e competente, e que isso envolva a responsabilização do ministro Kássio Nunes, pela inércia na condução do processo eleitoral.</p><p>Tania Tavares</p><p>São Paulo</p><p>*</p><p>Lições</p><p>O cidadão de bem não vai mais se lembrar das eleições do ano de 2026 para o cargo de presidente da República. O seu auge evidenciou uma crise da democracia e da própria representatividade, e que a polarização não se dá somente entre os adversários, mas está em todos os ambientes, até na Corte Eleitoral, onde as decisões são conflitantes e, muitas vezes, pendulares. Nosso maior benefício é tirar boas lições desta triste jornada e endereçar o País no rumo do crescimento e do desenvolvimento, livre da classe política que o mantém no atraso. Todos perdemos quando a democracia não se manifesta e os candidatos são incapazes de elaborar um discurso que mostre o verdadeiro sentido da eleição.</p><p>Carlos Henrique Abrão</p><p>São Paulo</p><p>*</p><p>Respeito ao povo</p><p>O Brasil espera e exige que o vencedor desta eleição presidencial respeite o povo brasileiro. Que saia do palavreado, abandone o ranço do ódio e do rancor e seja capaz de gestos e atitudes grandiosos que dignifiquem e melhorem a qualidade de vida dos cidadãos. Que as promessas sejam transformadas em mais empregos, segurança e mais comida na mesa de quem mais precisa. Que o vencedor, por fim, proteja as crianças, nossa maior esperança para um Brasil feliz.</p><p>Vicente Limongi Netto</p><p>Brasília</p><p>*</p><p>Caminho da prosperidade</p><p>Sem extremismos e sem ranços ideológicos, que o Brasil, enfim, encontre o caminho da prosperidade tão sonhado por todos e vislumbrado, em 1941, pelo aclamado escritor austríaco Stefan Zweig no seu <i>Brasil, País do Futuro</i>.</p><p>Nilson Otávio de Oliveira</p><p>São Paulo</p><p>*</p><p><b>Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal </b><a href="http://estadao.com.br/" target="_blank" rel="" title="http://estadao.com.br/"><b>estadao.com.br</b></a></p><p>ABERTURA DAS URNAS</p><p>Nenhum candidato pode comemorar a vitória antes da abertura das urnas. Foi o que fez Fernando Henrique e perdeu para Jânio Quadros. A campanha de Flávio Bolsonaro cometeu esse grande erro ao dizer: já ganhamos no primeiro turno, agora é só confirmar. Outro grande erro foi no debate, quando achou que era só fazer promessas e não responder a nenhuma das perguntas de Lula, acreditando que bastava fazer política para ganhar.</p><p>Carlos Afonso de Negraes Brisolla</p><p>São Paulo</p><p>*</p><p>QUARTO MANDATO</p><p>Lula reeleito presidente do Brasil para o quarto mandato. Podemos respirar aliviados. Sem Bolsonaro! Graças a Deus! Parabéns, Lula. Obrigada, Brasil.</p><p>Jane Araújo </p><p>Brasília</p><p>*</p><p>DESGOVERNO</p><p>A reeleição do presidente Lula por uma estreita margem de votos é o prenúncio de mais quatro anos de mediocridade, atraso e desgoverno. O Brasil continua sendo o país do futuro que nunca chega. Triste.</p><p>J. S. Vogel Decol</p><p>São Paulo</p><p>*</p><p>CÓDIGO SAMURAI</p><p>Sem nenhuma honra, o País cometeu um <i>haraquiri eleitoral</i>.</p><p>Ademir Fernandes</p><p>São Paulo</p><p>*</p><p>POLARIZAÇÃO</p><p>Para os eleitores do centro que querem o fim da polarização política e ficaram sem representantes nessa disputa, só nos resta o triste pensamento de que, enquanto o povo sufraga, o Brasil naufraga.</p><p>José Renato Nascimento </p><p>São Paulo</p><p>*</p><p>EXPERIÊNCIA DIFÍCIL</p><p>Perfeito o comentário da sra. Jane Araújo, leitora de Brasília (<a href="https://www.estadao.com.br/opiniao/forum-dos-leitores/forum-dos-leitores-25-10-2026/?srsltid=AYCX9vLYKvjuT0gg5YmQf_hw31Xq8AjlHEhVjOjHW5HCDekbtQF89MZE" target="_blank" rel="noreferrer" title="https://www.estadao.com.br/opiniao/forum-dos-leitores/forum-dos-leitores-25-10-2026/?srsltid=AYCX9vLYKvjuT0gg5YmQf_hw31Xq8AjlHEhVjOjHW5HCDekbtQF89MZE"><i>Fórum dos Leitores</i></a>, 25/10, A4). É de partir o coração viver essa “experiência tão difícil em relação à eleição mais importante do Brasil”.</p><p>Wagner Machado</p><p>São Paulo</p><p>*</p><p>TRISTEZA</p><p>Votei. Fiz o que achei que devia. Senti uma profunda tristeza...</p><p>Georges Schwarzstein</p><p>Campinas</p><p>*</p><p>DEMOCRACIA BRASILEIRA</p><p>A democracia deixou de ser a solução e se tornou um problema: candidatos péssimos, despreparados, mal-educados, que não representam nada nem ninguém. O povo é obrigado a votar em candidatos que deveriam estar na cadeia, sem qualquer projeto para o País. O Brasil precisa resgatar a democracia das garras dos partidos políticos. Não é possível que a única exigência para presidir a República seja ser filiado a um partido político. O País precisa de uma grande reforma política que coloque os partidos políticos em seu devido lugar. Não são os donos do poder. É preciso gabaritar os postulantes aos cargos públicos. Chega de ignorantes no poder! O dinheiro dos fundos partidário e eleitoral deveria ser usado para oferecer educação gratuita aos postulantes aos cargos públicos, que poderiam disputar as eleições depois de concluírem os estudos. Isso seria um bom começo.</p><p>Mário Barilá Filho</p><p>São Paulo</p><p>*</p><p>ENSINO BÁSICO</p><p>Para debater o futuro do Brasil com seriedade, precisamos separar experiências pessoais e paixões partidárias dos dados oficiais. Os resultados do Pisa 2022 (65.ª posição em Matemática) e do Ideb 2023 mostram que, embora políticas como Prouni e Reuni tenham ampliado o acesso ao ensino superior, o País segue distante de resolver os gargalos fundamentais do ensino básico. O mesmo rigor deve ser aplicado à economia, ao avanço tecnológico e ao combate à corrupção, que exige investigação justa e a mesma régua para qualquer governo. Como engenheiro que atuou na Embraer e lecionou na USP, defendo que o desenvolvimento de grandes projetos nacionais atravessa administrações e exige continuidade. O Brasil precisa parar de tratar a política como torcida de futebol e focar em metas mensuráveis de aprendizagem, inovação e produtividade, baseadas em dados de órgãos de referência como IBGE, Inep e Banco Central. O País pode muito mais, mas com fatos e responsabilidade.</p><p>Ciro Bondesan dos Santos</p><p>São Paulo</p><p>*</p><p>REBECA ANDRADE</p><p><a href="https://www.estadao.com.br/esportes/rebeca-andrade-domina-final-do-salto-conquista-ouro-e-se-torna-tricampea-mundial/?srsltid=AYCX9vKXfu0OIHnFDDWRaEO9-Y0porZV4rNxk2xB9N6_IYDM9t7mqEDl" target="_blank" rel="noreferrer" title="https://www.estadao.com.br/esportes/rebeca-andrade-domina-final-do-salto-conquista-ouro-e-se-torna-tricampea-mundial/?srsltid=AYCX9vKXfu0OIHnFDDWRaEO9-Y0porZV4rNxk2xB9N6_IYDM9t7mqEDl"><i>Rebeca Andrade domina final do salto, conquista ouro e se torna tricampeã mundial</i></a> (<b>Estadão</b>, 24/10). Rebeca Andrade, viciada em medalhas! Coleção completa. Admirável ginasta! Rebeca merece muito respeito.</p><p>José Ribamar Pinheiro Filho</p><p>Brasília</p>]]></content:encoded><media:content url="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/MEXCC2GR4NGFZORL23U4G6QQQA.png?auth=cd21c70faa09c15d623466b3d86fbe305c1b53ac15b84672b00068f3c5093a35&amp;smart=true&amp;width=1309&amp;height=872" type="image/png" height="872" width="1309"><media:description type="plain"><![CDATA[Ex-Libris / Logomarca especial do Estadão, elaborada pela agência Africa Creators, para celebrar os 150 anos do jornal Crédito: Africa Creative/Estadão]]></media:description><media:credit role="author" scheme="urn:ebu">Africa Creative/Estadão</media:credit></media:content></item><item><title><![CDATA[Apesar de tudo, deu Lula]]></title><link>https://www.estadao.com.br/opiniao/apesar-de-tudo-deu-lula/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/opiniao/apesar-de-tudo-deu-lula/</guid><dc:creator><![CDATA[Notas & Informações]]></dc:creator><description></description><pubDate>Mon, 26 Oct 2026 00:21:55 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu a proeza de se reeleger para um quarto mandato, a despeito de ter feito o pior governo de sua trajetória política desde que chegou à Presidência pela primeira vez, no longínquo ano de 2002. As pesquisas mostraram, ao longo dos quatro anos deste mandato, uma consistente rejeição dos brasileiros a seu modo de governar – uma reação natural a um presidente sem projeto para o País, sem responsabilidade fiscal, sem reverência pelo dinheiro do contribuinte e sem a menor ideia de como lidar com um mundo em profunda transformação. Logo, Lula só venceu porque do outro lado do ringue estava um dos Bolsonaros, cuja rejeição provou-se ligeiramente maior que a sua própria. Resta torcer para que o petista tenha consciência disso e faça um governo muito diferente deste que está no fim.</p><p>No entanto, não temos muitos motivos para otimismo. Recorde-se que, na eleição anterior, em 2022, Lula derrotou o então presidente Jair Bolsonaro porque prometeu ser o líder de uma “frente ampla” em defesa dos valores democráticos, mas entregou o governo mais petista da história, desprezando os não petistas que, diante das circunstâncias, haviam decidido apoiá-lo e foram cruciais para sua eleição. Portanto, a “frente ampla” foi, no jargão político, um estelionato eleitoral.</p><p>Agora, nem de estelionato se pode falar, porque nesta campanha Lula jamais prometeu fazer um governo minimamente responsável. Pelo contrário, a corrida eleitoral mostrou que Lula está no zênite da demagogia, distribuindo dinheiro e fazendo promessas desvairadas para tentar seduzir um eleitorado que lhe tem sido crescentemente hostil. É difícil imaginar que em seu quarto mandato, que se presume seja o último, Lula haverá de se emendar.</p><p>Para piorar, será grande a tentação de se julgar dispensado de tarefas mundanas, como governar o Brasil, negociar com o Congresso e enfrentar o dia a dia de um país em crise. Afinal, Lula tornou-se o primeiro brasileiro eleito quatro vezes presidente da República pelo voto direto e, ao fim do novo mandato, terá governado o País por 16 anos, mais do que qualquer outro presidente, à exceção de Getúlio Vargas. O retirante que virou líder sindical, fundou um partido de massas, foi preso e voltou ao Palácio do Planalto é um dos personagens centrais da história brasileira. Com essa trajetória, Lula, que nunca foi exatamente modesto, pode achar que se tornou um totem, que deve ser adorado e sobre o qual não cabem questionamentos.</p><p>O problema é que nem todos compartilham a mitologia lulopetista. O Congresso eleito no começo de outubro, por exemplo, será francamente hostil a Lula, que deve levantar as mãos aos céus se conseguir terminar o mandato. Ademais, metade do País o rejeitou nas urnas e mesmo uma parte substancial dos eleitores que votaram nele não o fizeram por considerá-lo um bom presidente, mas porque têm ojeriza aos Bolsonaros.</p><p>Tudo isso se dará num cenário desafiador para qualquer presidente. Em agosto, segundo o Banco Central, a dívida pública bruta chegou a R$ 11,1 trilhões, ou 82,9% do PIB, o maior patamar em cinco anos. A taxa básica de juros está em 13,75% ao ano, nível proibitivo para o crescimento econômico. Quem gasta mais do que arrecada paga caro para financiar seus gastos. E Lula não terá um antecessor para culpar, como sempre faz. O perdulário é ele.</p><p>Nossa obrigação, malgrado o pessimismo, é cobrar que haja um ajuste fiscal condizente com o tamanho da crise. O próprio governo previu que, a partir de 2028, faltará dinheiro para despesas discricionárias, com risco de paralisação da máquina pública.</p><p>Ademais, Lula também governará um país em crise institucional, em grande parte pelo esfacelamento da credibilidade do Supremo Tribunal Federal (STF). O petista terá ao menos quatro vagas a preencher no STF. Espera-se que o Senado faça a sua parte e obrigue Lula a nomear juristas respeitados, em vez dos integrantes da patota petista. Assim, por linhas tortas, pode ser que o STF comece a recuperar sua imagem.</p><p>Em resumo, o próximo mandato de Lula, a despeito de seus delírios solipsistas, terá o contorno que a realidade impuser. O Brasil certamente sairá lanhado, mas sobreviverá. </p>]]></content:encoded><media:content url="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/QFXAXZ3VOBH4TLR7DN2TAOVTKM.png?auth=ca8e9ecd2c3e9968b8fde9b794b41d3281176ee0d66e69b213f10b315fef7fba&amp;smart=true&amp;width=1920&amp;height=1080" type="image/png" height="1080" width="1920"><media:description type="plain"><![CDATA[Logo Estadão - Opinião - Editorial - Editoriais]]></media:description><media:credit role="author" scheme="urn:ebu">Estadão</media:credit></media:content></item><item><title><![CDATA[Entre o mitômano e o ‘sincericida’, existimos com relativo grau de felicidade]]></title><link>https://www.estadao.com.br/cultura/leandro-karnal/entre-o-mitomano-e-o-sincericida-existimos-com-relativo-grau-de-felicidade/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/cultura/leandro-karnal/entre-o-mitomano-e-o-sincericida-existimos-com-relativo-grau-de-felicidade/</guid><dc:creator><![CDATA[Leandro Karnal]]></dc:creator><description></description><pubDate>Sun, 25 Oct 2026 08:30:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>O carnaval europeu ocorre no inverno. Ao ver cenas da festa em Veneza, entendemos que lá a geografia faz com que as pessoas se cubram para brincar. Aqui, suando, ficamos quase sem roupa. Geografia ou cultura? Boa discussão.</p><p>As máscaras são de vários tipos. Carl Jung cunhou o conceito de persona (do latim, “máscara teatral”) justamente para descrever esse fenômeno. Ele escreveu que “a persona é aquilo que alguém não é, mas que ele mesmo e os outros pensam que é”: uma máscara necessária para a convivência social, mas perigosa quando a pessoa se identifica completamente com ela.</p><p>Oscar Wilde tem a famosa provocação, em <i>O Crítico como Artista</i>: “Dê a um homem uma máscara e ele lhe dirá a verdade”. A ideia é que a máscara, paradoxalmente, liberta e protege quem a usa, e permite uma sinceridade que o rosto exposto não ousaria.</p><figure><img src="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/YAGELOSYE5HRZFV6NNBFREDD2M.jpg?auth=e473925da40d4d81307652c947454f001890e5f210f1e92a3730d197a4959898&smart=true&width=5881&height=3921" alt="Mascarados em Veneza; ao cair da noite deste domingo, soarão os primeiros acordes de um inesquecível ‘bal masqué’" height="3921" width="5881"/><figcaption>Mascarados em Veneza; ao cair da noite deste domingo, soarão os primeiros acordes de um inesquecível ‘bal masqué’</figcaption></figure><p>Fernando Pessoa vive essa questão. Há um trecho do Livro do Desassossego (Bernardo Soares) que diz: “Cada um de nós é vários, é muitos, é uma prolixidade de si mesmos”. E o próprio fenômeno dos heterônimos é uma encenação filosófica das máscaras do eu.</p><p>Erving Goffman, sociólogo, em <i>A Representação do Eu na Vida Cotidiana</i> (1959), desenvolve a tese de que toda interação social é uma espécie de teatro, em que cada um desempenha papéis conforme o palco, ideia próxima do “todo o mundo é um palco” de Shakespeare (Como Gostais).</p><p>Nietzsche, em <i>Além do Bem e do Mal</i> (aforismo 40), escreve: “Tudo o que é profundo ama a máscara”. Para ele, a máscara não é apenas dissimulação, mas também proteção do que há de mais íntimo e valioso em alguém.</p><p>Ninguém sobrevive no trabalho ou em família sem uma máscara. Em um casamento, cedo se aprende que tornear a verdade, amansar a opinião ou evitar uma crítica sincera pode trazer mais benefícios. Não se trata de cinismo, mas quem sobrevive à devastação cáustica da sinceridade? Entre o “mitômano”, que crê na própria inverdade e rompe com a ordem simbólica do real, e o “sincericida”, existimos com relativo grau de felicidade. Não é cinismo nem uso seletivo da verdade, mas a negociação que todo ser humano aprende para existir no mundo.</p><p>Eu diria, voltando aos pensadores citados, que as máscaras do baile da vida não são apenas para agradar aos que nos cercam, mas para que possamos estar bem com nós mesmos. Elas são para serem vistas e para que nós não vejamos algumas coisas. Como a Medusa, o real pode petrificar. Preciso vê-lo pelo escudo polido de Perseu. O que você diria a si e aos outros se pudesse ser absolutamente sincero? De novo o Livro do Desassossego de Fernando Pessoa (Bernardo Soares): “O homem não deve poder ver o seu próprio rosto. (...) A Natureza deu-lhe o dom de o não poder ver, assim como de não poder fitar os seus próprios olhos”.</p><p>A Bíblia reforça o custo da verdade. Jesus disse o que pensava e morreu crucificado. Ele era a verdade e foi torturado. Seu primo João Batista simplesmente disse algo real sobre Herodes e teve a cabeça decepada. Curiosamente, a pergunta “o que é a verdade?”, feita por Pilatos a Jesus, não foi respondida. Há uma expressão peculiar em João (3,21 e, igualmente, 1 João 1,6): “fazer a verdade” (em grego, poiein tēn alētheian). A verdade bíblica não é só algo a ser pensado ou dito: é algo a ser vivido. Tiago 1,22 ecoa isso: “tornai-vos praticantes da Palavra e não simples ouvintes”. A verdade deveria ser vivida biograficamente. A verdade é um comando divino, o falso testemunho é interditado pelo Decálogo, mas... pode custar sua cabeça.</p><p>Walter Salles dirigiu Diários de Motocicleta (2004), recriando um momento da vida de Che Guevara em viagem com seu amigo Alberto Granado pela América Latina, em 1952. Há um momento na obra em que um benfeitor de ambos, o médico peruano Hugo Pesce, dá o esboço de um livro recém-terminado para que os argentinos o analisem. Granado, diplomático, elogia. Che diz que o texto é muito ruim e cheio de clichês. O amigo o questiona depois: por que não mentiu ao benfeitor? Claro, o episódio ajuda a criar a imagem hagiográfica de um Che amigo da verdade. O diálogo é forte: por que não mentir quando isso não prejudica ninguém? A resposta religiosa (ou marxista) seria... porque não é a verdade.</p><p>E você, querida leitora e estimado leitor, estaria no time Alberto Granado ou no time Che? Só para lembrar: Granado morreu com 88 anos, de causas naturais, em 2011; Che foi assassinado em 1967.</p><p>Afinal, qual é o valor absoluto ou relativo da verdade? Quais as máscaras necessárias? Como conciliar a obrigação de usar máscara que o mundo quase nos exige e o impulso de fazer um corte afiado com a lâmina epistemológica do que consideramos real?</p><p>Você terá um almoço em família hoje? Espero que consiga pensar em algo a tempo para as perguntas sinceras que rondam qualquer encontro fraterno em clima eleitoral. Com que rosto você irá hoje? Qual persona lhe permitiu sobreviver a estas semanas de agitação política? Ao cair da noite deste domingo, soarão os primeiros acordes de um inesquecível “bal masqué”. Escolha bem a roupa: a festa vai longe. Mantenha a esperança (e a sanidade). Brindemos sempre ao novo César: somos os gladiadores que ficarão na arena lidando com as feras do mundo real. </p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Com Flávio ou Lula, o Brasil precisa mudar]]></title><link>https://www.estadao.com.br/opiniao/com-flavio-ou-lula-o-brasil-precisa-mudar/</link><guid isPermaLink="true">https://www.estadao.com.br/opiniao/com-flavio-ou-lula-o-brasil-precisa-mudar/</guid><dc:creator><![CDATA[Notas & Informações]]></dc:creator><description></description><pubDate>Sun, 25 Oct 2026 06:02:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>É natural o desânimo de grande parte dos cidadãos com o segundo turno da eleição presidencial que se realiza hoje. O Brasil está cansado de governos medíocres, de uma elite política que enxerga no eleitor apenas um instrumento da manutenção de seu poder e de um Judiciário cuja reputação vem se deteriorando a olhos vistos. Não é de hoje que isso acontece, claro, mas Brasília se transformou de vez numa versão cabocla do Palácio de Versalhes, na qual cortesãos se refestelam em luxos obscenos e se engalfinham em conspirações palacianas, enquanto do lado de fora milhões de pessoas lutam para sobreviver e estão cada vez mais enojadas de tudo isso. Nesse cenário, infelizmente, muitos brasileiros irão às urnas sem qualquer convicção de que seu voto fará alguma diferença, enquanto outros tantos nem sequer se darão ao trabalho de sair de casa. Ainda assim, é preciso manter a fé na democracia, o único regime em que regularmente é possível mudar de governantes sem derramamento de sangue. E o Brasil precisa urgentemente de mudança.</p><p>O presidente que for eleito hoje só será merecedor do voto recebido se se comprometer a fazer tudo o que estiver a seu alcance para interromper a marcha da insensatez a que há anos assistimos, perplexos, no Brasil.</p><p>É preciso um esforço de toda a sociedade para mudar a rota do País e tirá-lo do rumo do abismo. Isso começa por considerar inaceitável que a riqueza capturada pelo Estado na forma de impostos seja pilhada por grupos organizados que fazem valer seus interesses em detrimento do conjunto da sociedade e do futuro do País. As novas lideranças políticas deveriam usar seu patrimônio eleitoral para desmontar esse sistema antidemocrático de perpetuação de privilégios e desigualdades.</p><p>De alto a baixo, todos devem colaborar. A elite empresarial, por exemplo, precisa aceitar o fim dos inúmeros subsídios e benefícios concedidos a título de estimular determinados setores da economia, mas que serviram apenas para proteger esses setores da concorrência e, assim, arruinar sua competitividade e sua produtividade. Na outra ponta, as políticas sociais de transferência de renda precisam ser mais bem desenhadas e focadas em quem realmente precisa.</p><p>O presidente eleito hoje, ademais, precisa ter coragem de enfrentar os lobbies e reduzir drasticamente as exceções criadas na reforma tributária para que a alíquota do imposto possa ser reduzida. Precisa também lutar para que o Brasil abra sua economia, fomente o desenvolvimento por meio de investimentos em infraestrutura e em educação e saúde de qualidade e melhore o ambiente de negócios com mais segurança jurídica e respeito a contratos. Como se vê, há muito trabalho a fazer.</p><p>Ao mesmo tempo, o presidente eleito hoje precisa tratar como prioritária a reforma institucional do País, de modo a devolver o poder aos cidadãos, como está estabelecido no parágrafo único do artigo 1.º da Constituição. É intolerável, por exemplo, que o Legislativo disponha de parte do Orçamento sem qualquer controle dos eleitores e que aprove leis sem o devido debate público, graças a acordos políticos feitos à sorrelfa.</p><p>Do mesmo modo, é intolerável que os integrantes do Judiciário e do Ministério Público concedam a si mesmos privilégios que a Constituição não prevê e que ignorem fronteiras éticas comezinhas ao se relacionarem de maneira pouco republicana com empresários com causas nos tribunais. Se participar de eventos extravagantes bancados por esses empresários já é suficientemente ofensivo, piora muito quando os magistrados dizem que isso não tem nada de mais. Caberá ao presidente eleito hoje a tarefa de conduzir o debate democrático na direção da reorganização do Judiciário e da reforma da administração pública, com o objetivo de, a um só tempo, devolver a credibilidade à Justiça e acabar com vantagens indevidas que escandalizam a sociedade.</p><p>Dir-se-á que se trata de utopia, mas essa é precisamente a matéria-prima da vida política. Este jornal mantém sua crença inabalável na democracia e na capacidade do Brasil de construir consensos por meio do diálogo político franco e honesto. E toda eleição, por mais desanimador que seja o cenário, renova essa fé. </p>]]></content:encoded><media:content url="https://www.estadao.com.br/resizer/v2/QFXAXZ3VOBH4TLR7DN2TAOVTKM.png?auth=ca8e9ecd2c3e9968b8fde9b794b41d3281176ee0d66e69b213f10b315fef7fba&amp;smart=true&amp;width=1920&amp;height=1080" type="image/png" height="1080" width="1920"><media:description type="plain"><![CDATA[Logo Estadão - Opinião - Editorial - Editoriais]]></media:description><media:credit role="author" scheme="urn:ebu">Estadão</media:credit></media:content></item></channel></rss>