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Revista TIME publica imagem de uma das 298 vitimas do atentado contra o voo MH17 da Malaysian airlines.

Poderia uma mãe, um pai, filho, marido ou esposa, amigo, namorado, irmão ou irmã reconhecer exatamente esta pessoa através de suas roupas?

André Liohn

25 de julho de 2014 | 16h55

Eu definitivamente não tenho certeza sobre como me sinto ao ver esta imagem publicada na ultima edição da revista semanal americana TIME.

Logo na primeira página da revista, o leitor encontrará uma foto mostrando o corpo desfigurado de uma das 298 vitimas do atentado contra o voo MH17 da Malaysian airlines entre Amsterdã e Kuala Lumpur, aparentemente derrubado por um míssil lançado por separatistas ucranianos no ultimo dia 17 de Julho.

A vitima, abandonada no meio de uma plantação de trigo, aparece ainda ligada ao acento do avião pelo cinto de segurança; teria ela tido tempo para tentar se proteger ou seria ela apenas uma das tantas pessoas cuidadosas que preferem sempre viajar com o cinto afivelado, assim como eu também prefiro?

A imagem me faz pensar em todos os momentos anteriores ao crime que tirou sua vida, porém, o que mais me perturba nesta imagem é ideia de que neste momento, milhões de pessoas, entre elas, familiares e amigos destas 298 vitimas, também serão expostos a sentimentos e questões muito mais intimas, e profundas que as minhas.

Poderia uma mãe, um pai, filho, marido ou esposa, amigo, namorado, irmão ou irmã reconhecer exatamente esta pessoa através de suas roupas? Seriam a camiseta branca e a calça jeans suficientemente neutras para preservar a identidade desta pessoa? Ou seriam estas roupas tão genéricas a ponto de abrirem espaço para que muitas famílias em sofrimento, comecem a reconhecer a vitima da foto como a pessoa amada perdida?

Tratar os problemas envolvidos em uma cobertura jornalística de um crime como este é uma tarefa difícil para nós, jornalistas e editores. A união da diretora de fotografia da revista Time, Kira Pollack e do fotógrafo francês Jerome Sessini é inegavelmente uma das melhores combinações que poderíamos ter para lidar com essa questão. Tenho certeza de que a publicação desta foto causará muito debate.

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