Bate-papo com Evandro Teixeira
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Bate-papo com Evandro Teixeira

Armando Fávaro

09 Março 2014 | 09h04

Evandro Teixeira inicia a carreira como repórter fotográfico de O Diário da Noite e O Jornal (Diários Associados). Em 1963, vai para o Jornal do Brasil, onde ao longo de 47 anos, se tornou um dos principais fotojornalistas do mundo.

Hoje, as fotos de Evandro compõem acervos de museus no Brasil e no exterior.
Com várias publicações lançadas, destaca-se, o livro “Fotojornalismo” com acontecimentos nacionais e internacionais marcantes desde a década de 60. Em 1992, foi incluído no acervo da Biblioteca do Centro de Artes Georges Pompidou, Paris, França.

Entre todas as suas participações em exposições individuais e coletivas, destaca-se a mostra dos 40 mais importantes fotógrafos do mundo, ao lado de Sebastião Salgado, Henri Cartier Bresson, Robert Capa e Marc Ribaud, na Galeria da Leica, em Nova lorque.

AF_ Qual o papel do fotojornalismo nas jornadas de protestos no país?
Evandro_ Documentar. As manifestações são um retrato atual da nossa sociedade.

AF_ As restrições e a repressão do regime militar alimentavam a criatividade expandindo o modo de olhar do fotojornalista?
Evandro_ Alimentava a nossa agilidade (risos…). Era muito complicado. Não se podia dar bobeira. No meu caso, tive sorte, ou a minha experiência me ajudou a manter um “distanciamento” emocional diante daquele cenário, de não só registrar, mas capturar ângulos diferenciados que resultaram em um material que até hoje é reconhecido por várias gerações.

AF_ Quais as principais diferenças entre as coberturas fotográficas durante o regime militar e nas manifestações atuais?
Evandro_ A própria sociedade que se manifesta de uma forma diferente. E, infelizmente, o “inimigo” pode ser alguém do seu lado.

AF_ A era digital está impondo uma nova linguagem ao fotojornalismo? Com novas tecnologias que aparecem o tempo todo, contar histórias por meio de fotografias é mais fácil nos dias de hoje?
Evandro_ Não diria mais fácil, mas, sem dúvida, a tecnologia trouxe mais velocidade! Com isso, uma imagem chega ao outro lado do mundo em segundos. E acredito também que não esteja impondo uma nova linguagem, pois o papel de retratar e documentar um fato através de um olhar crítico e artístico, ao mesmo tempo, ainda é o objetivo do fotojornalismo.

AF_ Como você vê a necessidade do profissional multimídia?
Evandro_ Sem dúvida, a forma de trabalho mudou. O profissional teve que se modernizar. Dominar os recursos tecnológicos. Utilizar todas as plataformas a favor da sua arte é um ganho profissional. Eu mesmo, que tenho uma longa estrada já percorrida, me adaptei. Mas o meu estilo de fotografar, a minha linguagem se manteve. Claro, procuro sempre inovar, surpreender o meu público. Mas todo profissional carrega sua identidade.

Foto de Evandro Teixeira do estudante de medicina na “Sexta-feira sangrenta” e a primeira página do JB de 22 de junho de 1968 (Reprodução do arquivo da Biblioteca Nacional)

Mais conteúdo sobre:

Fotojornalismo