EUCLYDES DA CUNHA (1)

Estadão

17 Agosto 2009 | 00h12

O corpo do dr. Euclydes da Cunha foi velado durante toda a noite no necrotério da policia por innumeros amigos seus, que se revesavam nessa piedosa tarefa.
O dr. Afranio Peixoto, chefe de serviço medico-legal, auxiliado pelos drs. Diogenes Sampaio, Alfredo de Andrade e Rodrigues Leão, procedeu, de manhan, á sua autopsia.
Do exame externo e interno do cadáver verificaram os médicos legistas o seguinte: na região infra-clavicular direita um ferimento circular, medindo dois centímetros no seu maior diâmetro; na parte media de braço esquerdo, nas regiões antero-interna e postero-externa esquerda, dois ferimentos, medindo um sete millimetros e outra doze, affectando, respectivamente, a fórma de orifício de entrada e saída de projectil. O braço esquerdo estava encurtado e deformado pela fractura do humerus com cavalgamento e cripitação, esquírolas e fragmentos ósseos (…)
No exame interno verificaram os médicos o trajecto seguido pelo projectil que penetrou pela região infra-clavicular direita. O projectil penetrou pelo lóbulo superior do pulmão direito indo alojar-se na sétima vértebra dorsal, fracturando a costella direita.
A bala foi encontrada, deformada, e pesava 10 grammas, medindo 17 millimetros. (…)
Depois de feita a autopsia, o cadáver foi vestido com um terno de casaca, camisa de linho branco, meias de seda preta e sapatos de verniz, e collocado em caixão de primeira classe.
Pouco depois de o corpo foi transportado do necrotério da policia para o edificio onde funcciona a Academia de Letras, pegando nas alças do caixão os srs. Afranio Peixoto, José Verissimo, Leoncio Corrêa e alunnos do Collegio Pedro II. (…)
Antes do saimento fúnebre o sr. Coelho Netto, em nome da Academia de Letras, pronunciou um segundo discurso de despedida.
O préstito fúnebre seguiu pela Avenida Beira-Mar, com destino ao cemitério de S. João Baptista, e compunha-se de mais de trezentos carros. O caixão foi depositado na carreira numero 3.026. Entre as pessoas, Lauro Sodré, Osorio Duque Estrada, Sylvio Romero, Olavo Bilac, José Veríssimo e entre as numerosas coroas, contavam-se as do Jornal do Commercio, do Barão do Rio Branco, do Paiz, do dr. Julio de Mesquita e do jornal O Estado de S. Paulo.