INGLATERRA

Estadão

26 Agosto 2009 | 00h04

Como se sabe, há alguns annos para cá, reina na Inglaterra a censura prévia. A ultima recusa soffrida pelas peças de Bernard Shaw chamou maiz uma vez a attenção para tal procedimento. A censura foi convidada a explicar a sua maneira de examinar, de acceitar ou de recusar as peças do theatro que lhe são submettidas. Os indivíduos encarregados do inquérito reuniram-se na Camara dos Lords. Pediram ao sr. Redford, director da censura, informações minuciosas acerca do methodo que segue na escolha das peças.
_ É muito difficil de explicar, respondeu o sr. Redford. Não há nenhuma regra precisa, baseio-me no uso e nos precedentes.
“Rejeito por systema as peças bíblicas. Corto as passagens indecentes, as allusões ás testas coroadas ás personalidades. Não sou critico theatral. Sou um antigo empregado de banco: mas a minha tarefa não tem que ver com a critica. Desde 1895 tenho lido 7.000 peças. Tenho rejeitado 42, tendo sido emendadas e acceitas 13. As peças de autores dos séculos precedentes não caem sob a minha jurisdicção. Suppõe-se que tiveram auctorisação prévia; mas as peças gregas, que se vão traduzindo, têm de ser submettidas á minha apreciação. Nunca escrevi livros, nem fiz jornalismo; mas tenho escripto varias peças que por signal nunca foram representadas….