RIO

Estadão

28 Agosto 2009 | 00h08

Dillermando de Assis, assassino do mallogrado Euclydes da Cunha, depóz hoje novamente na 20ª delegacia.
Declarou que estando a tomar café em companhia de Anna da Cunha, Dinorah de Assis e Solon, filho de Euclydes da Cunha, Dinorah se levantou, e dahi a pouco voltava, dizendo que o dr. Euclydes batia a porta.
Como estivesse em mangas de camisa, Dillermando foi ao quarto vestir-se, deixando na sala de jantar Solon e Anna, aos quaes disse não deixassem entrar o dr. Euclydes da Cunha.
Justamente quando elle era declarante, estava a pôr o collarinho, ouviu os passos de Euclydes, e este dizes que “ia matar ou morrer”.
O dr. Euclydes da Cunha, com um ponta-pé arrombou a porta do quarto, e Dillermando perguntou-lhe então: que é isto, doutor?
Nesse momento o dr. Euclydes desfechou um tiro, attingindo a virilha do declarante, que, diante dessa aggressão, tentou subjugar o adversário, quando outro tiro no peito o fez vacillar e retroceder, entrando novamente no quarto.
Dinorah, que acompanhava o dr. Euclydes, vendo este de revolver em punho, tentou agarral-o, e não conseguindo, devido a ser alvejado, deitou a correr para os fundos da casa, e então foi ferido nas costas por Euclydes que desfechou o revolver dando gritos lancinantes, com a bocca cheia de espuma.
Dillermando, emquanto o dr. Euclydes atirava sobre Dinorah, apanhou da prateleira um “Smith and Wesson” que estava carregado, e chagando á porta do corredor fez disparo no intuito de amedrontar o dr. Euclydes para falar calmamente. Nas mesmas condições deu um segundo tiro quando o dr. Euclydes correu para a porta do seu quarto, alvejando novamente Dillermando. Este, depois do quarto projectil, atirou de novo sobre o dr. Euclydes, attingindo-lhe o hombro direito, porque o alvejado tinha o flanco esquerdo apoiado na parede do corredor.
O dr. Euclydes fugiu então, de costas voltadas para o declarante que, perseguindo-o, chegou até o meio da sala, onde deu o ultimo disparo.
Dillermando, não o vendo sair nem passar no jardim, chegou á porta que dá para este, empunhando o revólver e prompto para atirar na supposição de que Euclydes estivesse escondido, Então viu o escriptor estendido de bruços, com o rosto voltado para os fundos da casa e ainda accionando o gatilho do revólver, e nesse momento chegou Sólon, que vinha do interior da casa, e vendo o pae caído, pergundou ao declarante: Mataste meu pae? E, saccando do revólver, procurou fazer uso delle, no que foi impedido por Dillermando que o desarmou.
Então, o declarante, com Solon e dinorah, approximou-se de Euclydes, dizendo-lhe: “Que loucura foi essa? Que desvario! Veja o que fez ao que Euclydes respondeu: “Que gente! Odeio-te…honra…” (…) Dillermando que só atirara contra o dr. Euclydes depois de o intimidar, mas vendo que este feria a Dinorah, não atirou mais para os lados – alvejou-o directamente. O delegado dr. Oliveira Alcantara, tomou o depoimento de Sólon, que confirma o que outras testemunhas disseram sobre a criminidade de Dillermando.