CORITIBA

Estadão

29 Agosto 2009 | 00h08

(Euclydes da Cunha) – Continua repercutir dolorosamente no espírito publico a noticia do trágico fallecimento de Euclydes da Cunha.
A fatalidade tem surpresas e ironias.
Na vida nacional, Euclydes da Cunha deixa largo espaço vasio, impreenchível no momento.
Era um espírito lúcido, consciente, armado de saber profundo, adquirido com methodo, com pertinácia, ao serviço da pátria; era um exemplo vivo de lealdade e civismo, o coração generoso a palpitar na seiva dos períodos, a alma forte accentuando-se em ousadas energias. Parecia vasado nos moldes dos gregos dos tempos de Pericles, reunindo ao stoicismo de um espartano a cultura de um atheniense.
Os Sertões, livro que vale por uma glorificadora estatua, traduzem e reflectem, como um espelho, as nuanças da mentalidade complexa do illustre patrício. A sciencia e o civismo impõem-se em todas as paginas, na elevação do estylo, na bizarria das imagens, na novidade dos conceitos, na frescura das phrase, na independência das idéias. É o brasileiro concretizando a alma do povo, interpretando-a com carinho, affirmando-a com coragem, elevando-a no conceito dos homens, impondo-a ao respeito das nações. São quatro séculos da gênese de um povo, talhado para todos os emprehendimentos nobres, incomprehendido ainda, abandonado a si mesmo, ainda preso á rotina das edades extinctas, mas que assombrará o mundo, desde que os seus dirigentes saibam lhe acertar a marcha aos rhythmos de suas esperanças, de seus anhelos, de sua missão humana. (…)
Com a sua morte, a Academia de Brasileira ficou privada de um de seus mais bellos ornamentos; a Patria, de um de seus mais impávidos defensores; as letras, de um de seus mais brilhantes luminares. (…)