Terça-feira, 29 de março de 1910

Estadão

29 de março de 2010 | 00h00

 

 

 

 

 

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Partida do chanceller allemão- A Triplice Alliança

ROMA – O sr. Bethmann Hollweg, chanceller allemão, partiu hoje para Florença, de onde regressará a Berlim.(…)

Os jornaes dizem que, apesar da crise ministerial italiana, o sr. Bethmann Hollweg partiu convicto de que deixou a tríplice Aliança firmada sobre base solida. (pág.4)

A marcha destruidora da lava do Etna

ROMA – Telegrapham de Catani, communicando que a erupção do Etna augmentou hoje, novamente, em violência.

Três correntes de lava avançam destruindo tudo á sua passagem.

Uma corrente invadiu a estrada de rodagem denominada “Fra Diavolo”; outra dirige-se para os vinhedos de Fusara; a terceira avança em direcção de Aci, devastando pomares e vinhedos.

A erupção é acompanhada por fortes rumores subterrâneos e chuvas abundantes de seixos e cinzas.

As populações, consternadas, abandonam-se a scenas de fanatismo religioso, realisando procissões e outras cerimônias….

Um despacho da Agencia Stefani, de Catania, diz que a lava attingiu o extremo limite da erupção de 1886.

As bocas eruptivas augmentaram sendo impossível verificar o seu numero.

O prof. Annibal Riccó, director do observatório sísmico e geodynamico de Catania, entrevistado, affirma que muitos dos phenomenos que apresenta a acatual erupção são inexplicáveis, como a ausência de fortes abalos de terra e a fluência irregular da lava. (pág.4)

 

 

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RUSSIA

PETERSBURGO – Causou grande apprehensão nas rodas officiaes a noticia aqui publicada hontem, de que os Estados Unidos tinham celebrado um tratado de alliança com a China.

A imprensa tambem se mostra alarmada com esse facto.

É opinião geral nesta capital que esta alliança não visa sómente o Japão como as quer fazer acreditar, mas tambem afastar a Russia da política do Extremo Oriente.

Em certos centros diz se que o governo japonez está redigindo uma nota que pretende enviar ás potencias, protestando energicamente contra esse tratado.

 

 

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BELLO HORIZONTE

Tem causado exraordinaria impressão nesta cidade o manifesto do dr. Ruy Barbosa.

Na hora da chegada do trem, uma grande massa popular estaciona na rua da Bahia, para comprar os jornaes que trazem o manifesto daquelle notável estadista, sendo os números desses jornaes que vêm para a venda avulsa, abasolutamente insuficientes para a grande procura e vendidos por elevados preços.

Há uma viva commoção em todo o povo deste Estado pela candidatura civil.

O espírito publico continua em grande agitação, havendo geral ansiedade pela próxima reunião do Congresso Nacional.

No próximo numero o “Correio do Dia” publicará um artigo sobre a organisação do novo partido político, composto de todos os elementos civilistas do Estado. (pág.4)

 

 

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JORNAES DO RIO

Diarios de Noticias – O sr. Andrade Figueira trata da inelegibilidade do marechal Hermes:

“Salta aos olhos a differença entre o presidente da Republica, para o qual a Constituição exige o ser cidadão nato e estar no exercício de seus direitos políticos, de que é titulo forçado e  provada o alistamento, e aos cargos de senadores e deputados, para os quaes, de accordo com a nossa tradição legislativa, só exigiu a “posse dos direitos de cidadão e os requisitos do eleitor”, embora não alistado, deixando assim ao eleitorado maior ampplitude de escolha.

Não assim o presidente da Republica, que é o chefe do poder executivo, o mais activo dos poderes constituídos, tendo á sua disposição o Exercito e Armada, a administração civil em todos os seus graus, a diplomacia, o patronato civil e militar que representa a Nação e lhe dirige os destinos, por si só sem o concurso de um conselheiro de governo ou sequer do conselho de seus ministros, todos irresponsáveis, exercita com a audiência do Congresso muitas de sua mais séria attribuições, outras provisoriamente em sua ausência, participa do poder legislativo pelo “veto” e pela iniciativa das medidas, do judiciário pela nomeação dos magistrados e pelo perdão ou commutação das penas; declara e faz a guerra, commanda o exercito e a Armada, dirige toda a política externa, nomeia o corpo diplomático, celebra negociações e tratados com os Estados estrangeiros, etc.

Nomear para tão alto cargo o cidadão que não é nativo, senão naturalizado, e o cidadão, que não exerce de facto e de direito seus direitos políticos, chega a ser tão absurdo e irracional quanto o nomear o ignorante e o incompetente. (…)

Mas a evidencia ahi está: não pode ser eleito quem não estiver “no effectivo exercício dos direitos políticos pelo alistamento eleitoral”. Ou não há evidencia neste planeta.”(pág.2)

 

 

ANNUNCIO

 

 

 

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