Sexta-feira, 15 de abril de 1910

Estadão

15 Abril 2010 | 00h00

 

 

 

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ESTADOS UNIDOS

WASHINGTON – Na reunião havia hoje no “Bureau of the American Republics”, o sr. J. Calderon, minister plenipotenciário da Bolivia, pediu a palavra e declarou que a união das mesmas Republicas havia resolvido que se reunisse em Buenos Aires, este anno, a quarta conferencia internacional PA-americano. Assim a Bolivia, como parte integrante do continente sul-americano e como contribuinte do “Bureau”, segundo disse o orador, poderá tomar parte em todos os trabalhos de todas as conferencias internacionaes; mas só compareceria á próxima reunião em Buenos Aires se o “Bureau” reconhecesse que Ella tem o direito de apresentar-se para a mesma, independentemente de convite. Em seguida usou a palavra o embaixador do Mexico, sr. Léon de La Barra, que foi unanimamente approvada: “O governo da Republica Argerntina, depois de ter sido designada a cidade de Buenos Aires para nella ter sede a quarta conferencia internacional pan-americana, rompeu as suas relações com a Bolivia, mas esta Republica tem o direito de tomar parte na conferencia, para cuja convocação concorrera. Os representantes dos Estados que vão ás conferencias internacionaes são acreditados perante ellas e não perante o governo que empresta seu território ou a sua capital para sede dessas reuniões. Essa tem sido a regra observada em todas as conferencias pan-americanas e nas conferencias da paz em Haya. Assim, a Bolivia poderá comparecer á quarta conferencia pan-americana, por direito proprio, independentemente de convite”. (pág.2)

 

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RIO

Foram hoje lidos na Academia de Medicina os pareceres apresentados sobre o tratamento da febre aphtósa pelo dr. Alfredo de Castro, na zona urbana do Districto Federal. O dr. Moniz de Aragão confirmou a existência do mal e a segurança que tinha o tratamento adoptado pelo dr. Ernani Pinto. Disse que os cento e quarenta e cinco casos apresentados pelo dr. Alfredo de Castro, apenas três eram febris e desses só um era efectivamente febre aphtósa, não sendo applicado o tratamento Castro, devido ao facto de tratar-se de um caso de septicemia. O dr. Eduardo Meirelles leu o parecer do dr. Paula Rodrigues, fiscal da prefeitura municipal junto do serviço de tratamento da referida epizeotía , o qual nega que tenha havido febre aphtósa no Rio de Janeiro, pondo, entretanto, duvidas acerca da sua existência durante o tempo que acompanhou o tratamento feito pelo dr. Alfredo de Castro. (pág.2)

 

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O QUE HÁ DE NOVO

Rio, 13 de abril de 1910. (…)

Para nós brasileiros, sem distincção de partidos, é uma providencia a ida do sr. Rosa e Silva em companhia do marechal Hermes, pois elle servirá de pára-choque entre sua “modestiaa” e a indiscreta curiosidade da Europa pelo presidente eleito do Brasil. Fará o que na visita do sr. Bryan já fez o sr. José Carlos Rodrigues. Só assim o sr. Rio Branco ficará mais tranqüilo e não terá tantas razões para externar o constrangimento que lhe causa esta viagem. Pensa o eminente ministro das Relações Exteriores- e não haverá quem não justifique seu temor- que por mais ignorado e recolhido que queira o marechal Hermes manter-se em sua viagem, como é seu propósito, não lhe será possível evitar os jornalistas, os homens de negócios, as deferências naturaes dos governos amigos. E” o que elle teme; é o que todos nós tememos… Ao menos o sr. Rosa e Silva conseguiria attenuar um pouco a impressão que elle forçosamente deixará no espírito de quantos procurarem ouvil-o acerca do paiz que elle vae governar e queiram conhecer suas idéas e formar juízo da intelligencia e da cultura do homem que uma terra tão bella, tão rica e tão finamente intelectual escolheu para seu chefe e, o que é mais, em contraposição ao seu brilhante delegado na Conferencia de Haya, o eminente sr. Ruy Barbosa. Mas o sr. Pinheiro Machado é isto indifferente. O que lhe deve importat é o resultado político dessa viagem. Resta-lhe um recurso: não consinta que o marechal Hermes vá no “Araguaya”. Para isto não lhe falta força.(…) (pág.1) 

 

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