Quarta-feira, 20 de abril de 1910

Estadão

20 de abril de 2010 | 00h00

 

 

 

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RUSSIA

Os deputados russos compareceram em grande numero na sessão da Duma de 25 de março. O novo presidente, sr. Gutchof, exercia o seu cargo pela primeira vez. Abriu a sessão com uma allocução cujo resumo é o seguinte: “Estou convencido de que um regimen constitucional e monarchico com uma representação popular com amplos poderes legislativos tende a fortalecer a monarchia e não os partidos politicos. Sem uma monarchia constitucional não se poderia pensar num desenvolvimento pacifico para a Russia actual, sob o domínio de systema parlamentar, pois que o paiz possue certas particularidades que constituem a herança da historia russa e na alma russa t~em suas raízes profundas.(…) (pág.2)

 

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ITALIA

O rei recebeu suscessivamente, no dia 23 de março, os srs. Francisco Tedesco, Fernando Martini, Victor Manuel Orlando, Eduardo Pantano, Pedro Lacava, Camillo Finneccero Aprile, Raphael Cappeli e João Giolitti. Conferenciou tambem durante duas horas com o ex-presidente do conselho, Sidney Sonnino.  As duas únicas combinações que continuavam a ser encaradas com mais probabilidade, e que encontravam ambas ellas, partidários declarados, são um ministério Giolitti ou então uma recomposição do gabinete Sonnino. Segundo em Roma se afirmou, o sr. Giolitti foi o proprio a indicar esta ultima solução como sendo a melhor, dizendo-se até que, pediu aos seus amigos para continuarem a dar o seu apoio ao sr. Sonnino e que  puzessem de parte os preconcceitos e a desconfiança que a maioria giolittiana nutre pelo sr. Sonnino. Disto o sr. Giolitti que, apezar de sua frieza apparente, o sr. Sonnino é um homem apaixonado pelo bem publico e que há todo o interesse em entender alguns dos projectos por ele appresentados. Por outro lado, o sr. Sonnino não é homem para se agarrar ao poder. Tinha todo o empenho em realisar algumas reformas de utilidade, mas não desejava voltar á presidência do conselho para se não ver exposto continuamente aos caprichos de uma maioria sempre ameaçadora; e houve quem dissesse que se o acceitar novamente o poder só o fará munindo-se préviamente de um decreto de dissolução assignado pelo rei, decreto de que poderia fazer USP se a sua necessidade se fizesse absolutamente sentir. (…) (pág.1)

 

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GRAN-BRETANHA

(…) No dia 29 começou na Camara dos Communs a discussão do projecto governamental em que se declara abolido o “veto” da camara dos “lords”. A Camara estava quase completa; as tribunas estavam cheias. O primeiro ministro sr. Asquith levantou-se no meio da espectativa anciosa de toda a assistência e pronunciou o discurso em defesa do projecto do governo. O “veto-bill” é o eixo da batalha política travada entre unionistas e liberaes. Começou por dizer que a camara dos “lords”, na sua constituição actual, é incompatível com o espírito do tempo moderno. Affirmou que os membros da camara alta se elegem a si próprios e que, portanto, não representam senão os interesses de um reduzidíssimo numero de pessoas. “É absurdo- accrescentou- que uma camara que não representa os cidadãos inglezes possa tornar nullas as decisões tomadas pelos communs, eleitos por seis milhões de votos. Dá-se o caso que a vontade de dois ou três mil inglezes, nem mais intelligentes, nem mais aptos, nem mais honrados que o resto dos seus  concidadãos, esterilise os esforços reformadores da quase totalidade dos naturaes da Gran-Bretanha. A camara alto a deve ser um corpo consultivo, com faculdade revisionistas, quando muito; mas incapacitado para se oppôr como um obstáculo insuperável á evolução perfectível da sociedade ingleza. A camara alta deve constar de poucos representantes. Estes devem ser eleitos segundo os preceitos verdadeiramente democráticos e prescindindo-se, em absoluto, dos chamados direitos hereditarios. A camara alta não deverá nem poderá ser a fortaleza de um partido. Há de ficar sujeita á vontade nacionalista manifestada nos actos eleitoraes.” Em seguida, Asquith explicou detidamente o alcance do “veto-bill”, defendendo-se das censuras que os jornaes conservadores lhe têm feito. Asquith terminou o seu discurso com estas palavras: “O progresso da democracia destróe toda a espécie de entraves. Com o veto dos “lords” ha de succeder o mesmo que com o veto do rei. Tem que se abrir caminho amplo á democracia, porque esta tem provado sobejamente estar apta para a liberdade.” As palavras de Asquith causaram uma profunda sensação, tanto na camara como nas galerias. Houve um largo momento de silencio após a ultima phrase do discurso do chefe do governo. Pouco a pouco, sacudindo a impressão que a fórma clara como a questão fora posta havia produzido, os deputados da esquerda romperam em estrondosos applausos. A impressão produzida entre os conservadores era, porém, como é de calcular, bem diversa. Emquanto os deputados governamentaes applaudiam com enthusiasmo o chefe do governo, os seus inimigos procuravam começar a tirar effeitos do discurso de Asquith que o pudessem comprometter.Os conservadores, nas suas conversas, diziam que o presidente do conselho tinha ameaçado a Corôa na ultima parte do seu discurso. (…)(pág.2)

 

TURQUIA

(…) Os meios officiaes ottomanos estão desagradavelmente impressionados pelos communicados sobre o acordo austro-russo e irritados  com a tendência das potencias para falar da Turquia nova como da Turquia do antigo regimen e para querer exercer sobre Ella a sua tutella empregando termos sonoros taes como a manutenção do “statuquo”, consolidação do regimen constitucional, integridado territorial.” No “Tanin”, Ismail Haky-bey, deputado de Bagdad, declara que uma nação livre não supporta garantias estrangeiras. Há cincoenta annos que as potencias proclamam a sua integridade territorial  e durante esse espaço de tempo a Turquia tem soffrido mais perdas do que durante dois séculos: a Bulgaria, a Servia, a Bosnia-Herxegovina e outros paizes, sem contar a guerra desastrosa com a Russia. Por conseguinte a Europa faria melhor se deixasse a Turquia socegada e não lhe dispensasse a sua protecção que durante mais de meio secculo lhe tem sido tão funesta. . (…)(pág.3)

 

ANNUNCIO

 

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