Quarta-feira, 27 de abril de 1910

Estadão

27 Abril 2010 | 00h00

 

 

 

MELHORAMENTOS URBANOS

Impressiona-se o publico da capital com a lastimável freqüência dos desastres que ultimamente sucedem nas vias publicas. E, sem atinar com a verdadeira causa, accusa como responsáveis somente os conductores de vehiculos, não raro innocentes. No entanto, os maiores culpados desses sanguinolentos factos são os poderes municipaes, que nunca prestaram a devida attenção ao importante problema da viação no centro urbano. Nossas vias publicas mais velhas foram feitas para a circulação de pedestres, cavalleiros, tropas de bestas de carga e das clássicas cadeirinhas dos tempos coloniaes. A essas foram se accrescentando as ruas novas, sem largura conveniente, abertas com a preocupação do interesse particular. Dahi o termos hoje, sobre um plano de villarejo antigo, a expansão de uma grande metrópole com uns estreitos e desencontrados corredores, incapazes de dar franca circulação aos vultuosos e rápidos automóveis e bondes electricos da nossa época. (…) P.P. (pág.1)

 

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PERÚ

 

LIMA  – Continua a reinar grande enthusiasmo a favor da declaração da guerra ao Equador. O general Muniz, ministro da guerra, continua a receber diariamente oferecimentos de recursos e de homens para que a guerra seja declarada.

-A conferencia que o sr. Militon Porras, ministro das relações exteriores, teve com o ministro da Argentina, durou das 3 ás 6 horas e meia da tarde. Depois da conferencia, o sr. Porras conferenciou demoradamente com o presidente Leguia. Informam de Guayaquil que hontem se realisou uma ruidosa manifestação de sympathia á Venezuela e á Colômbia e de desagrado ao Perú. Accrescentavam as informações, que alli se affirma que foi assignada uma alliança offensiva e defensiva do Equador, Venezuela e Colombia. (pág 3)

 

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A política proteccionista

O sr. Shennau, vice-presidente dos Estados Unidos, em um discurso que pronunciou nesta cidade, declarou que a política proteccionista nunca será abandonada pelo governo norte-americano e que as novas tarifas alfandegárias, em um anno, farão desaparecer o “déficit” do orçamento. (pág.3)

 

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A MORTE DE LEBLON

Já é conhecida, pelos telegrammas, a catastrophe que custou a vida ao aviador Le Blon, Le Blon devia voar ás 5 horas da tarde de sabbado, 2 de abril, mas ás tres horas fez um vôo de experiência. Estavam no aeródromo, além do aviador, sua mulher, o machinista e três outras pessoas. Le Blon fez os seus preparativos, e esperou que o vento amainasse. Depois subiu ao seu apparelho e tomou vôo. Como não era a hora officialmente fixada, havia pouca gente em volta do aeródromo. O apparelho que era um monoplano Bleriot, munido de um motor de cincoenta cavallos, voou bem, e dando uma volta por cima da Bahia elevou-se a uma altura de mais de quarenta metros. Na viagem, quando se encontrava a uma distancia de trinta metros do aeródromo, observou-se que o apparelho mudava de direcção. E quando se estava a vinte e cinco metros de altura, caiu de súbito, verticalmente nas ondas, incobrindo de Blon ás vistas do publico. (…) (pág.4)

 

ANNUNCIO

 

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