Quinta-feira, 5 de maio de 1910

Estadão

05 de maio de 2010 | 00h00

 

 

ITALIA

Em seguida ao tremor de terra que em 28 de dezembro de 1908 devastou a cidade de Messina, tomaram-se todas as precauções necessárias para conservar as obras de arte existentes naquella cidade. O commendador Marinos, superintendente dos monumentos da Sicilia, fez tudo o que era preciso para attenuar o desastre que não poupou a riqueza artística de Messina. Conseguiu-se salvar uma parte do revestimento de mármore da celebre cathedral do século XIV. Foi restabelecido o revestimento do estrado da abside afim de preservar os mosaicos do interior assim como as magníficas cadeiras do côro esculpidas, do século quinto, as quaes ficaram intactas. Foi escorada a egreja de Santa Maria, que constitue a crypta da cathedral, o que começava a dar de si em detrimento da egreja e da própria cathedral. Sabe-se já que o thesouro da cathedral, que tão rico é de obras de arte e de pedras preciosas, pôde ser salvo e se encontra ainda depositado em casa do arcebispo de Messina. (…) (pág.1)

 

FRANÇA

Já os leitores conhecem, pelos telegrammas, os incidentes da excursão política do sr. Aristide Briand, pela circumscripção eleitoral que representa. O presidente do conselho fez vários discursos em que sustentou a nota do seu programma político, de apaziguamento e de firmeza na manutenção da ordem e na execução das reformas reclamadas pela democracia franceza. O discurso de Briand em Saint Chamond foi uma exposição da orientação política da maioria republicana e do governo que essa maioria apóia até agora. Em plena campanha eleitoral- as eleições realisam-se a 24 de abril- o sr. Briand quis desarmar as hostes clericaes e reaccionarias affirmando que não há perseguição religiosa e que a separação da egreja do estado, sua obra, fôra concebida com largo espírito de tolerância e com o elevado intuito de consagrar a neutralidade do Estado diante das differentes confissões religiosas. (…) (pág.1)

 

ALLEMANHA

O sr. Oscar Muller, correspondente allemão da “Gazeta de Francfort”, em Strasburgo, acaba de publicar, na “Revista alsaciana illustrada”, um estudo interessantíssimo sobre a autonomia da Alsacia-Lorena. Esse estudo estrictamente objectivo, descreve com muita clareza a a situação presente  e, e muito melhor que o têm feito até agora outros artigos escriptos por immigrados, interpreta os sentimentos da população alsaciana-lorena. Começa o sr. Muller por assentar no facto de que, embora theoricamente a questão da Alsacia-Lorena haja sido regulada pelo tratado de Francfort, se não poderia querer mal aos francezes por sentirem saudades da sua antiga pátria, nem aos demais povos civilisados por manifestarem inquietações a propósito da sorte da Alsacia-Lorena. A própria Allemanha terá o maior interesse em que a questão da Alsacia- Lorena fosse liquidada no sentido da liberdade; infelizmente os immigrados, que estão na posse da maior parte dos cargos de funccionarios, têm o maior empenho em que se conserve a subordinação da Alsacia-Lorena ao império. (…) Receia principalmente que a Prussia, por meio da nova Constituição, procure fortalecer a sua hegemonia; o que não deixaria de criar insuperáveis difficuldades junto dos outros Estados confederados. (…) (pág.2)

 

COISAS DA SCIENCIA

Febre typhoide artificial – Metchnikoff, vice-director do instituto Pasteur de Pariz, resolveu ultimamente um problema de grande importância, que muitos sábios há mais de trinta annos procuravam resolver. Elle conseguiu reproduzir num chimpanzé uma affecção rigorosamente análoga á febre typhoide. Até agora tentava-se conseguir esse resultado fazendo ingerir caldos de cultura do bacillo typhico ou injectando taes culturas. Os resultados foram pouco interessantes, porque não se conseguia produzir os accidentes intestinaes da moléstia. Não se podia assegurar que se tratasse da legitima febre typhoide humana e por isso não se tentava estudar a acção do bacillo ou experimentar os soros susceptíveis de lhe serem opostos. Metchikoff, auxiliado por Besredka, seu chefe de laboratório, teve a Idea muito simples e muito lógica de fazer absorver a um chimpanzé não o vírus da cultura, mas o vírus retirado de doentes. O chimpanzé morreu. Graças aos recursos do instituto, a experiência poderá ser repetida we é de esperar que Metchnikoff consiga um soro anti-typhico. Esculapio (pág.3)

 

Manteiga de petróleo – A Standard Oil Company já não se contenta que se consuma o seu petróleo-queimando. Quer tambem que se consuma- comendo. Se a poderosa companhia retirasse do seu petróleo, de cheiro desagradável, perfumes deliciosos já seria uma coisa digna de nota, diz o “Journal dês Debats”; no entanto, ella conseguiu retirar manteiga, constituindo um producto que julga ser magniofico. Pelo menos tem uma grande vantagem essa manteiga do petróleo: é barata. Qual o processo de obtenção? É o que constitue o segredo da companhia, que naturalmente não revelará. As experiências foram feitas debaixo do maior mysterio e a companhia affirma em annuncios que brevemente estará habilitada a fazer  concorrência séria ás melhores manteigas do mercado. É uma questão de tempo. E ainda não contente com tamanho successo, ou pelo menos com tão fundada espectativa de sucesso, a companhia espera extrair do nauseabundo kerozene um leite superior aos produzidos pelos mamíferos. Apregôa-se desde já uma grande vantagem para esse leite: não transformitte a tubercullose. Teremos brevemente o leite de petróleo em todas as mesas e em todas as mamadeiras. Só assim teremos o prazer de ver reduzida a mortalidade infantil. Resta tambem esperar que essas criaturas assim nutridas não venham a se tornar inflammaveis.  (pág.3)

 

ANNUNCIO

 

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