Terça-feira, 10 de maio de 1910

Estadão

10 de maio de 2010 | 00h00

 

 

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FRANÇA

PARIZ – O “Figaro” dedica ao marechal Hermes da Fonseca um longo artigo, no qual lembra que a sua eleição para o alto cargo de presidente da Republica do Brasil foi eminentemente democrata, e tanto mais honrosa quanto o seu adversário, o sr. Ruy Barbosa, é um homem de grande valor moral e intellectual, cuja cultura e eloqüência deixram em haya lembrança immorredoura. Diz o mesmo jornal não temer o perigo do militarismo, pois os generaes Julio Rocca, Bartolomé Mitre e Battle y Ordoñez, apesar de militares typicos, foram fieis servidores da constituição e das leis na Argentina e no Uruguay. As declarações do marechal Hermes da Fonseca mostraram a maneira scientifica por que encarará os problemas sociaes. Cita o trecho da sua plataforma política que trata do problema econômico do Brasil. O “Figaro” termina o seu artigo dizendo que o Brasil espera muito do governo de s. exa., a quem compete ser o continuador das tradições de sua família, que verteu o seu sangue nos campos do paraguay para bem da sua pátria; e tambem confiar que o presidente eleito irá governar a grande nação brasileira, de acordo com os seus conhecimentos modernos. (pág.2)

 

A MANIA DOS AUTOGRAPHOS

 

Há muita gente que tem a mania de collecionar autographos. Para esses hão de ser interessantes os dados seguintes extrahidos de um jornal francez: Até 1850 os amadores de autogrphos faziam questão sobretudo de assignaturas de soberanos, papas, e homens celebres dos séculos 16 e 17. Para lhes satisfazer a mania os especuladores puzeram a saco as bibliothecas publicas. O assas celebre  Libri, membro do Instituto de França, esvasiou os archivos da Academia e do Observatorio e as bibliothecas de Pariz e da Província. É verdade que acabou mal: teve que fugir e morreu no exílio. Mas os damnos que praticou não puderam ser reparados. (…) (pág.7 )

 

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FRANÇA

PARIZ – O “Figaro” dedica ao marechal Hermes da Fonseca um longo artigo, no qual lembra que a sua eleição para o alto cargo de presidente da Republica do Brasil foi eminentemente democrata, e tanto mais honrosa quanto o seu adversário, o sr. Ruy Barbosa, é um homem de grande valor moral e intellectual, cuja cultura e eloqüência deixram em haya lembrança immorredoura. Diz o mesmo jornal não temer o perigo do militarismo, pois os generaes Julio Rocca, Bartolomé Mitre e Battle y Ordoñez, apesar de militares typicos, foram fieis servidores da constituição e das leis na Argentina e no Uruguay. As declarações do marechal Hermes da Fonseca mostraram a maneira scientifica por que encarará os problemas sociaes. Cita o trecho da sua plataforma política que trata do problema econômico do Brasil. O “Figaro” termina o seu artigo dizendo que o Brasil espera muito do governo de s. exa., a quem compete ser o continuador das tradições de sua família, que verteu o seu sangue nos campos do paraguay para bem da sua pátria; e tambem confiar que o presidente eleito irá governar a grande nação brasileira, de acordo com os seus conhecimentos modernos. (pág.2)

 

EDUARDO VII

LONDRES – O sr. John Redmond, chefe do partido nacionalista irlandez, dirigiu uma carta ao sr. Herbert Asquith, presidente do conselho de ministros, pedindo-lhe que tomasse providencias afim de evitar que o rei Jorge, pronunciando o juramento, por ocasião de sua ascensão ao throno, se referisse com palavras hostis ao catholicismo. Esta manhan, ás 9 horas e 15 minutos, Jorge V foi proclamado rei pelo conselho privado. A noticia da proclamação foi lida ao povo ás 10 horas e 45 minutos. A ceremonia tradicional de juramento realisou-se ás 9 horas da manhan, com numerosa concorrência, no palácio de Saint James. O acto revestiu-se de toda a imponência. Durante todo o percurso do cortejo, que foi feito, de Saint James até o palácio da municipalidade, entre alas de tropas, reinou extraordinária animação. Ás 11 horas e 20 minutos, dirigiu-se o lord-mayor ao templo de Chairing Cross, onde se realisou a ceremonia tradicional da proclamação do novo soberano, feita pelos arautos ao povo de Londres. Foi então organisado um préstito grandioso que se dirigiu ao “Royal Exchange”; ahi foi lida de novo a proclamação do rei Jorge V. Nessa occasião foram dadas as salvas de artilharia. Ao longo de todo o percurso comprehendido entre o palácio de Saint James e a Torre de Londres, a multidão popular enchia literalmente as ruas. Todo o transito de vehiculos ficou por isso interrompido, nessa parte da cidade, durante algumas horas. Ás 11 horas e 25 minutos da manhan, observando-se o mesmo ceremonial, foi feita a proclamação do novo soberano inglez em todas as cidades do Reino Unido (pág.5)

 

A taxa do cambio e a economia nacional- XI

(…) Com a elevação da taxa cambial, augmentado o valor do meio circulante nacional, todos aquelles, cujas rendas são provenientes de ordenados fixados em lei ou cujos benefícios resultam de contratos anteriores, verão accrescidos os seus pagamentos; porque, recebendo nominalmente as mesmas quantias, de facto as receberão maiores, a saber, com maior valor. Assim, porém, não acontecerá com os empregados particulares e os trabalhadores industriaes ou agrícolas. Se as industrias forem golpeadas, se a agricultura vier a soffrer, como acontecerá com a elevação do cambio, tramada pelo governo: antes de perecer, uma e outra se esforçarão por diminuir os gastos de producção; tratarão de reduzir quanto possível o preço do trabalho; e se o não puderem conseguir, certamente diminuirão o numero dos collaboradores de sua producção. O mesmo fará o commerciante, reduzindo o ordenado dos seus auxiliares, ou diminuindo o numero delles, ainda mesmo na contingência de estreitar o circulo das suas transacções. E assim, salvo a classe privilegiada do funccionalismo publico e os grandes especuladores altistas, todas as outras classes sociaes, mesmo as que merecem da Camara dos Deputados as attenções e os carinhos de que não são dignas as classes produtoras- virão a soffrer directa ou indirectamente com a súbita elevação da taxa cambial. MAC LEOD (pág.1)

 

ANNUNCIO

 

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