Quarta-feira, 18 de maio de 1910

Estadão

18 de maio de 2010 | 00h00

 

 

 

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PARIZ

“Le Journal” publica um artigo do seu collaborador Paulix sobre a colonisação do Brasil. Diz o articulista: “Acompanhando se o augmento progressivo de sua população, desde o ano de 1818, chega-se a conclusão de que o Brasil possue hoje 25.000.000 de habitantes”. Depois Paulix estuda os methodos de colonisação adoptados pelos diversos Estados do Brasil, e constata que S. Paulo, Paraná, Santa Catharina e Rio Grande do Sul são quase exclusivamente colonisados por italianos, allemaes e polacos. O mesmo colaborador de “Le Journal” assignala os esforços empregados pelo Estado de Minas Geraes na formação dos “núcleos coloniaes”, e termina aconselhando os agricultores e operários francezes a aproveitarem as vantagens  que offerece a colonisação do Brasil, que o articulista qualifica como um paiz de brilhante futuro. “Le Figaro” occupa-se tambem dos negócios do Brasil, publicando numerosas noticias sobre o seu movimento agrícola, financeiro, commercial e industrial (pág.2)

 

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A ELEIÇÃO PRESIDENCIAL

Como que abaixo transcrevemos dos jornaes do Rio completamos o nosso minucioso serviço telegraphico de hontem sobre a primeira sessão de apuração da eleição realisada a 1 de março ultimo: “Compareceram á sessão, que foi presidida pelo sr. Quintino Bocayuva, servindo de secretários os srs. Ferreira Chaves, Estácio Coimbra, Araujo Góes e Simeão Leal, 198 srs. Congressistas, sendo 150 deputados e 48 senadores. “Os sr. Barbosa Lima (antes de ser aberta a sessão, de pé no recinto e defronte do sr. Quintino Bocayuva”) diz que não se pode realisar, como se pretende, tumultuariamente, sessão alguma do Congresso Nacional no Senado, não só pela falta de conforto, pois o local é evidentemente acanhado, mesquinho, não comportando a franca deliberação de uma assembléa, quanto mais a reunião do congresso Nacional. Protesta em nome do decreto do art. 5º do Regimento Comum, que prescreve a precedência da participação e mutua intelligencia entre as duas Camaras  para a reunião do Congresso.(…) (pág.4)

 

O QUE HA DE NOVO

(…)A oração do sr. Ruy Barbosa foi empolgante. Dominou, de tal modo, a palavra grandiosa do excelso brasileiro que a maioria, dentro da sua obsessão pelo arbítrio e pela violência, não encontrou acommodação para aquelle excesso de autoritarismo que o orador do momento punha em collisão com o disposto no regimento commum, o qual determina taxativamente, no seu artigo quinto, que a escolha será feita por um accordo entre as duas mesas e por deliberação das respectivas camaras. O senador bahiano appellou para a mesa do Senado, para a mesa da Camara, e para os membros de uma e outra das casas do parlamento: quando e como se fizera esse accordo? Em que termos consiste elle? Esta como aquella o conhecem?deliberaram sobre elle? Ninguem respondeu. Foi um silencio impressionante. Accentuou o senador bahiano que se tratava de uma questão constitucional nova, para aqual pedia a attenção da assembléa. Cumpria acatar a lei, e emquanto Ella fosse desrespeitada e as duas camaras não deliberassem era tumultuaria, nulla, illegal. (…)S.(pág.1)

 

A taxa de cambio e a economia nacional- XIX

(…) Sim, a Caixa de Conversão, facultando as permutas da meda estrangeira e a sua circulação no paiz sob forma  de moeda papel, a uma taxa fixa, certamente impede a elevação do cambio nacional; mas tambem lhe impede a depressão. Consegue assim a estabilidade cambial que, sem contestação criteriosa, é beneficio maior para a economia social do que a alta do cambio, sem firmeza e susceptível de sbsequente baixa,- a instabilidade das suas cotações, em summa. Em segundo lugar, admittida mesmo como verdade a hypothese de uma continua ascensão do cambio, sem vacillações, sem retrocessos ainda que passageiros: qual a vantagem real que esse mavimento proporciona ao paiz?(…) Enumerar os desastres consequentes da situação figurada não será tão fácil quanto o foi a menção das suas vantagens? Se uma favorece os consumidores, não é ruinosa a outra para os productores nacionaes? (…)MAC LEOD (pág.1)

 

ANNUNCIO

 

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