Sabbado, 21 de maio de 1910

Estadão

21 de maio de 2010 | 00h00

 

 

 

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GRAN-BRETANHA

No sabbado, 23 de abril, ás 5 horas da manhan, Graham White deixava o seu galpão do Royal Park , em Londres, tentando vencer com o seu biplano Farman, o circuito Londres Manchester. A saída foi soberba. O aviador elevou-se rapidamente a uma altura de 80 a 100 metros, e tomou a direção de Wormwood Scrubs, afim de effectuar a sua partida official , como a exigiam os regulamentos, num raio de 8 kilometros do edifício do Daily-Mail. Descrevendo um grande semi-circulo dirigiu se finalmente em direcção a Manchester seguindo a linha da Londres North Western Railway. Depois de ter percorrido 133 kilometros, Graham White desceu em Bugly, local escolhido para asua primeira paragem. Abasteceu os reservatórios de óleo e de essencia e retomou a marcha depois de ter descançado uma hora e dez minutos. O vento começou então a soprar e a contrariar o vôo do apparelho. O aviador quis, apesar disso, levar a viagem até o mais longe possível, afrontando o ar, seguido de uma multidão de automobilistas. Mas forçado a descer numa campina, perto de hademore, pequena aldeã situada a 6kilometros e meio ao sul de Lighfield e a 181 kilometros de Londres, verificou que o motor não funcionava com regularidade. Uma patina do apparelho quebrou-se ao tocar em terra. Como o vento não abrandasse, o aviador resolveu não partir senão ás três horas da manhan do dia seguinte, para poder contar com todas as vantagens possiceis. Se o tempo estivesse calmo e podesse vencer os cento e nove kilometros que lhe faltavam afim de descer num raio de oito kilometros de Manchester, ganharia o premio de 250.000 francos do Daily Mail”, não indo além do prazo marcado de duas horas. Para sair á hora conveniente Graham White decidiu utilizar um pharol de automóvel e, se fosse possível, attendendo á escuridão, seguil-o-ia mesmo um comboio expresso transportando um immenso guarda-fogo branco, com um pharol tão potente que podesse guiar o aviador. Graham White, tendo feito as duas paragens previstas pelo “Daily Mail”, precisava concluir a sua viagem sem tocar mais em terra. Elle precisava egualmente attingir Manchester antes das vinte e quatro horas depois da partida. (pág.2)

 

 ALLEMANHA

Neste momento em que as suffragistas estão occupando a opinião publica internacional, acaba de publicar um publicista allemão, o sr. Eisenhardt, as declarações que o príncipe de Bismark, depois de deixar o poder, teria feito a uma alleman que lhe pedia a sua opinião acerca da questão feminista. Damos em seguida essas declarações, que os jornaes mais sérios da Europa reproduziram sob todas as reservas: “O que eu sou, teria dito Bismarck, devo-o á minha mulher. Estimo as mulheres que ajudam os homens a engrandecer-se, que nos ensinam a religião e a moral, que conseguem que conservemos intacto o nosso ideal. A rainha Luiza tambem fez política, uma política que lhe era ditada pelo seu puro coração. Ella pretendia tornar poderoso o seu paiz. Nunca senti mais respeito por ninguém do que por Ella experimentei.” Depois de manifestar o desejop que sentia de que as mulheres que se preocupam com a politica se inspirassem no exemplo da rainha Luiza, accrescenta o principe de Bismark: “Há de chegar um dia em que se ha de appelar para a collaboração das mulheres. Nós homens, somos uns desastrados, somos tão malgeitosos como pesados, e não faço excepção dos diplomatas. Se as mulheres exercessem a diplomacia, muito menos casos viriam a publico,pois a mulher intelligente sabe calar-se e sabe egualmente obter do seu adversário segredos que aos homens se não confiam. As mulheres excedem-nos em habilidade; a mulher sabe evitar habilmente todos os escolhos e conciliar as partes sem carecer de trocas de notas, cujo sentido póde aliás ser falseado. A mulher é que nos faz homens”. Estas declarações, de que o sr. Eisenhardt affirma a authenticidade sem nomear a confidente do primeiro chanceller do império, poderiam ter sido acclamadas numa reunião feminista que a associação das mulheres socialistas há pouco organisou em rixdorf, perto de Berlim. Estas, porém, não querem limitar-se a votos platônicos. Pelo contrario afim de alcançarem o direito de voto, pretendem organisar demonstrações na rua, como as que os socialistas têm organisado a favor do suffragio universal. Ainda fizeram mais, produziram uma manifestação contra os homens que se encontravam na sala da reunião e fizeram com que estes saíssem sem opporem resistencia . (pág.2)

 *-*-*- Os dirigíveis “Militar I”, “Parseval II” e “Zeppelin II”, emprehenderam no dia 22 de abril, conforme o desejo do imperador Guilherme II, a travessia de Colonia a Hamburgo. Os três balões, que heviam partido de Colonia pelas 11 horas da manhan, chegaram ao campo de descida ás tres horas e quarenta e cinco minutos da tarde. A viagem realisou-se sem incidente. A velocidade média foi de 81 kilometros por hora, chegando o “Zeppelin II” a attingir uma velocidade de 90 kilometros. Comtudo, o “Militar I” atrazou um pouco a sua marcha por causa de um accidente havido na transmissão de uma das hélices. O imperador, que assistia á descida dos balões acompanhado peloa imperatriz e pela princeza Victoria Luiza, felicitou calorosamente os pilotos dos balões (…)(pág.2)

 

AUSTRIA-HUNGRIA

O sr. Justh, presidente do partido independente, numa viagem eleitoral que fez pela Transylvania, proferiu vários discursos que foram duma violência inaudita contra o conde Tisza, o conde Khuen-Hedervary e os partidários de ambos, a quem elle chamou “Os trabants”. Na opinião do chefe principal da opposição, a nação húngara deve travar agora uma luta sem teguas a sem quartel, quando não, estabelecerse-á eternamente no paiz um “governo de “trabants”, e a Austria reduzirá á escravidão o povo megyar. “Por estes motivos, declarou o sr. Justh, se o gabinete Khuen-Hedervary alcançar a maioria nas próximas eleições, o partido da independencia organisará na Camara uma encarniçada resistencioa e varrerá “os trabants” dentro dos oito dias que se seguirem á reunião do Parlamento”. Estes desmandos de liguagem soa desapprovados sem reservas por todos os jornaes moderados, e até pelos orgams do sr. Francisco Kossuth. Alguns desses jornaes tambem manifestam o receio que sentem de que semelhantes discursos, dirigidos á populações ignorantes e exaltadas, sirvam para prepararem eleições sangrentas. (pág.2)

 

TURQUIA

Telegrapham de Constantinopla as seguintes noticias queprovam que a situação na Albania está longe de haver melhorado: “Segundo informações de fonte segura, estão-se batendo desde 24 de abril pela manhan cerca de 10.000 albanezes, (…) , contra oito batalhões. Faltam pormenores: Ha noticias de se haverem as tropas encontrado com os albanezes na região de Diakova. Os albanezes encontraram-se a uma distancia de duas léguas de marcha de Ypek, e pedem que lhe seja concedida uma amnistia geral. Os insurrectos fizeram para em Pelivhtach um comboio que vinha de Uskub e fizeram prisioneiros um gendarme e oito soldados. As tropas expulsaram os albaneses de Ichtime. Estes puzeram-se em fuga e, concentrando-se novamente, atacaram um regimento que ia em sua perseguição. Mas as tropas receberam reforços e impelliram os assaltantes. Da parte dos albanezes houve numerosos mortos e feridos. O “Tanin”, de Salonica, calcula que o numero dos insurrectos deve andar por uns 30.000. Fala-se em mandar para a Albania mais doze batalhões e quatro baterias. As tropas concentram-se actualmente em Lipian. (págs. 2 e 3)

 

 

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O London and Brazilian Bank Ld., conceituado estabelecimento desta praça, inaugura hoje, ás 3 horas da tarde, o seu novo predio, á rua 15 de Novembro, esquina da rua da Quitanda. O acto revestir-se-á de grande brilho, tendo sido para elle convidados o sr. presidente do Estado, os seus secretários, prefeito municipal, outras personalidade do mundo official, representantes do mundo official, representantes do alto commercio e da imprensa etc. 

 

ANNUNCIO

 

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