Segunda-feira, 23 de maio de 1910

Estadão

23 de maio de 2010 | 00h00

 

 

 

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NOTAS E INFORMAÇÕES

Foi um allivio para o Senhor haver criado o mundo. Se não o houvesse criado era capaz de apparecer um sábio allemão e crial-o.  É incrível o que os sábios allemães criam. Ainda agora anda um annunciando pelos jornaes europeus uma nova criação- a theoria da confusão do sangue. Por essa theoria é fácil saber-se, pelo exame de sangue, se um individuo pertence ou não á família de que faz parte. Cada um de nós contém nos glóbulos do sangue traços dos paes. Conhecido o sangue da mãe, só um homem póde offerecer no seu sangue as partículas encontradas no sangue da criança e que lhe não vieram da mãe. Esse homem é o pae.

-Dae-me um pouco do vosso sangue, affirma o sábio investigador, e eu vos direi quem é o vosso pae. E, ao que parece, já tem mostrado que muita gente vivia enganada pensando que o pae era uma certa e determinada pessoa quando, no entanto, era outra muito differente. A theoria do sábio allemão está inquietando um pouco muitas senhoras, mas, para tranqüilidade dos lares, não será praticável tão cedo. É o proprio sábio quem nol-o assegura.(…)(pág.1)

 

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FRANÇA

Fallecimento de um escriptor (Pariz) – Falleceu hontem nesta capital o escriptor dramatico Jules Ronard.

N. da R.- Jules Renard, literato e escriptor dramático, nasceu em Châlons (Mayenne) no anno de 1864. Filho de um obscuro empreiteiro de obras, distanciando-se da posição humilde de seu pae, Renard seguiu o curso da Escola Normal, não conseguindo finalisar os seus estudos porque a sorte lhe foi adversa. Por falta de recursos pecuniários, se bem que dotado de uma intelligencia brilhante e de uma grande força de vontade, foi obrigado a abandonar o curso em que se matriculára, para se empregar em um empório commercial. Não se esqueceu, porém, dos livros e tanto assim foi que mais tarde escreveu versos, romances e pequenos trabalhos literários, os quaes lhe permittiram deixar a sua posição obscura para, com brilho e fulgor, apresentar-se mais tarde no scenario das letras francezas. Em 1890 contribuiu para a fundação do “Mercure de France” e collaborou em diversos jornaes da capital, dos departamentos e do exterior. Escrevia com grande naturalidade e a sua fantasia voluntariamente aguda e secca, não era mais do que o fruto de uma observação rigorosa. A sua obra mais notável é o “Poil de Carotte”, publicada em 1894, representada pela primeira vez em 1900 e que aqui em São Paulo teve uma extraordinária e emocionante interprete na celebre actriz Suzane Despès. O personagem principal, que é por assim dizer toda a peça, é o typo da criança-surrão de todos, armazém de pancadas, de odios e desprezo. “Poll dr Carotte” ficará no thetro francez como um typo assombroso de verdade, de uma observação profundamente exacta. Da sua obra literária destacam-se: “Crime de village”, “sourires pinces”, “L’Ecomilleur”, “Le coureur de lilles”, “La maltresse”, “Bucoliques” e “Le pain de ménage”. Jules Renard era um dos membros da Academia Goncourt. O seu fallecimento constitue uma grande perda para a literatura franceza. (pág.2)

 

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Touro “Massaranduva”, do sr.Joquim Correa

 

 

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“Paulo”, do Jardim d’Acclimação

 

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“Medoc”, do coronel Arthur Diederichsen.