Sexta-feira, 17 de junho de 1910

Estadão

17 de junho de 2010 | 00h00

 

 

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FRANÇA

PARIZ – Realisou-se hontem a nnunciada recepção em homenagem ao marechal Hermes da Fonseca, pelo grupo de arbitramento do Senado. O marechal Hermes da Fonseca compareceu no senado, acompanhado do sr. Gabriel Piza, ministro plenipotenciário do Brasil, sendo recebido pelos membros do grupo parlamentar de arbitramento. O sr. d’Estournelles de Constant, presidente do grupo, na saudação que fez ao marechal Hermes da Fonseca, declarou latimar que a sua recusa em considerar-se como presidente eleito da grande republica sul-americana impeça o grupo do arbitramento de o receber officialmente com o brilho que era de seu desejo. Disse que os parlamentares franceses não podem abster-se de manifestar as suas vivas sympathias pelo admirável paiz sul-americano e o seu reconhecimento pela maneira por que tem sido acolhidos os francezes que visitam o Brasile e ainda que não deseja esconder a sua admiração por certas individualidades brasileiras, são celebres no seu paiz como na Europa, como por exemplo, JoaquimNabuco e Santos Drumont.Recordou o facto dos delegados brasileiros á Conferencia Internacional da Paz de Haya, haverem formado bloco com os francezes, a favor do arbitramento e da paz. Exprimiu a sua grande sympathia pelo marechal Hermes da Fonseca e agradeceu o comparecimento do sr. Gabriel Piza, que faz honra ao Brasil, filho intellectual da França, garças á qual chegou á sua civilisação actual. O marechal Hermes da Fonseca respondeu nos seguintes termos: “Honrando a minha pessoa, quereis manifestar a vossa sympathuia pelo Brasil. Ainda que sem autoridade official, sinto-me feliz por agradecer-vos. O Brasil merece a vossa sympathia, porque, partidário convencido do arbitramento internacional, inaugurou as questões de fronteira com os paizes vizinhos por meio de accordos amistosos.A adopção pela nossa constituição do principio  do arbitramento, é uma prova da civilisação do Brasil, onde mesmo os militares t~em profundo respeito por esse principio, pondo-se espontaneamente ao serviço da causa do que vós sois o sustentáculo mais poderoso. Agradeçonovamente ao grupo do arbitramento a grande honre feita ao Brasil e faço votos sinceros pela vossa prosperidade”. (…) (pág.2)

 

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A ALTA DO CAFÉ E DO CAMBIO

Escrevem-nos:”depois de seis mezes e meio de completa paralysação da exportação do café pelo porto de Santos, vae-se dar começo a esse trabalho no próximo mez de julho.Não vem fora de propósito, portanto, neste momento qm que a safra nova já está sendo remettida para Santos, lembrar aos srs. Lavradores que a situação da sua mercadoria nos mercados de consumo é de quase inteira escassez, e que a alta só depende de nós possuidores della. De facto, o supprimento visível em 1 do corrente era de 15.000.000 de saccas, estando incluídos nesse total 6.343.000 saccas pertencentes a valorisação e fora do commercio e 1.873.000 saccas, que formam o stock de Santos e do Rio.Calcula-se em 1.5000.000 saccas o café necessário para o movimento das bolsas, e que, por imprestável, não serve para o consumo, e deduzindo-se estas três parcellas, ou sejam 9.716.000 saccas do supprimento visível em 1 do corrente, chegamos á conclusão que o consumo nessa data, tinha á sua disposição immediata 5.284.000 saccas. Esse stock disponível, que pouco poderá ser augmentado até final de agosto, época em que os cafés de Santos, exportados em julho, irão ter ao seu destino, aos grandes mercados de Nova York, Havre, Hamburgo, etc.. será quase inteiramente absorvido pelo consumo até então, pois o consumo mundial é calculado, no mínimo, em 1.500.000 saccas por mez.Nestas condições, e sendo de 16.000.000 de saccas o computo da producção mundial para 1910-1911, e absorvendo o consumo 18.000.000 milhões no mínimo, é fora de duvida que a perspectiva de preços é toda de alta. Mas uma barreira se levanta actualmente contra tão bonita e risonha situação para a lavoura de café: “ alta vertiginosa do cambio”, que o sr. Bulhões por mero capricho, quer levar a 17 ou 18. O café sobre em francos mas cae em réis, porque a sua alta não é egualmente proporcional á do cambio.Contra isso, só há um remédio:Não façam os srs. Lavradores a remessa de seus cafés para Santos e nem as vendam no interior, antes de liquidada a questão da ficação do cambio. O tempo a esperar é pouco e há muito a ganhar, pois a differença do cambio, já é de 600 a 800 réis em arroba. O governo pede a fixação a 16 r há uma grande corrente de opinião que a deseja a 15. Na peor hypothese, teremos o que pede o governo, e ainda neste caso, dados os preços do café no estrangeiro, cuja tendência ainda é de ata, só lucram os que esperarem, e a espera, sobre não ser longa, vale bem a pena. (…)

Uma baixa agora poderá ser duradoura, como foi o anno passado, e eis sacrificada uma safra, que não é grande, e que póde ser muito bem vendida.

Reflictam os srs. Lavradores, e tenham paciência, esperando um pouco. (pág.4)

 

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Fachada principal e lateral – O grande palácio das Republicas Americanas, inaugurado solennemente em Washington, a 26 de abril próximo passado, foi em grande parte devido á generosidade do militonário americano Andrew Carnegie- um dos grandes apóstolos da paz no nosso século. O seu donativo de $750.000 e a contribuição de $ 200.000 feita  pelo congresso americano permittiram que immediatamente fizesse acquisição dos terrenos necessarios e se começasse a construcção. Era isto em princípios de 1907. Tres annos apenas são passados, e hoje alli temos á beira do Potomae, levantando altivamente as suas paredes de mármore ao centro do que outr’ora se chamou Van Ness Park, um bello palácio que não só pela sua elegância, como pela sua extrema originalidade, faz sem duvida honra aos que Washington, a Cidade dos Monumentos, acaba de enriquecer-se, em estylo de architetura, é de facto differente de todos os mais edifícios públicos da cidade e em suas linhas geraes allia bem a serenidade da força daquelle paiz com aquelle suave encanto da alma latina, que mais parece ter-se aprimorado e requintado em sua transpalentação para o nosso continente. Elle attende não só ás necessiades actuaes da corporação que alli tem de trabalhar, como facilita augmentos futuros, se necessarios, e dispõe de installações adequadas ao objectivo da instituição como organisação diplomática internacional, dedicada ao desenvolvimento do commercio, paz e amizade entre as Republicas Americanas.

Na fachada principal avultam como principaes motivos decorativos as estatuas monumentaes da America do Norte e da America do Sul, pelos esculptores Gutzon Borglum e Isidoro Konti. Uma mulher de typo latino, amparando com amor em seu regaço um ancebo em cujo braço direito estendido descansa um globo alado, symbolo de Progresso, representa a America do Sul. O condor dos Andes, num gracioso effeito, coroa a formosa cabeça feminina que assenta sobre os ombros opulentos numa postura de dignidade e de heroísmo. Num baixo relevo, a despedida de Bolivar e San Martin.

O edifício tem acesso por dois grandes portões de ferro esculpturado, no valor de $40.000 dollares cada um e que passam por ser um dos trabalhos de serralheria artística mais notáveis da capital americana. Abrem sobre um amplo vestíbulo ao longo de cujas paredes se vêm painéis de bronze symbolisando “O Amor da Patria, a “Concordia”, A “Lei”, e a “Sabedoria”. A’ direita há uma sala de recepção especial para as senhoras; á esquerda, a sala geral de recepção com mobílias offerecidas ao “Bureau” pelos fabricantes de moveis do Estado de Oregon e de Washington. (pág.3)

 

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Plantação da “Arvore da Paz”, no pateo do novo palácio, no dia da inauguração – Vêm-se da esquerda para a direita: o sr. John Barrot, director da secretaria; o bispo Harding; o embaixador do Mexico, sr. de la Barra; o sr. Andrew Carnegie; o presidente Taft; o secretario de Estado, sr. Philander Knox; o senadore Elihu Root e o cardeal Gibbons (pág.3)

 

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