Terça-feira, 21 de junho de 1910

Estadão

21 de junho de 2010 | 00h00

 

 

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RIO

Antes da reunião do Congresso, foram hontem lidas nas respectivas commisões as contestações do sr. Isaias Guedes de Mello, procurador do sr. Ruy Brabosa.

O sr. Isaias Guedes pede a nullidade das eleições de Alagoas e Espirito Santo, e quanto a Pernambuco pede que se annullem as eleições de vários municípios, reduzindo a 2.993 o numero de votos obtidos pelo marechal Hermes. Sobre as eleiçõesrealisadas na Parahyba e no Sergipe, o procurador do sr. Ruy Barbosa limitou-se a offerecer documentos que representam uma formal impugnação. (…)

– O sr. Andrada Figueira protestou junto á commissão em que funciona contra o facto de lhe haver sido negada a prorogação de prazo para que possa fazer um exame completo dos papeis eleitoraes. Demonstrou ser illegal em face do regimento a reunião das commissões ás dez horas da manhan, porquanto o trabalho dessas commissões consta da ordem do dia que é posterior á hora do expediente, devendo, portanto, começar á uma hora da tarde. O sr. Ruy Barbosa protestou contra o facto das reuniões estarem sendo feitas a hora imprópria, respondendo-lhe com explicações o sr. Victorino Monteiro. (…)(pág.1)

 

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FRANÇA

PARIZ – Sob a presidencia do sr. Paul Doumer realisou-se na Sociedade de Geographia uma conferencia do publicista brasileiro sr. dr. Eugenio Egas, sobre as relações da França com o Brasil. A sala estava cheia, vendo-se na assistência avultado numero de brasileiros.

O conferente começa fazendo em palavras calorosas a historia da influencia da França no meio brasileiro. Demonstra em seguida que os estudos superiores no Brasil obedecem à orientação dos mestres francezes, e que, por largos annos, até 1880 na instrucção publica, em geral, ainda não eram conhecidos, ou não eram applicados, os methodos norte-americanos, introduzidos em S.Paulo por uma senhora americana, e a seguir amplamente divulgados por Cesario Motta, em dos maiores nomes paulistas.

Diz o conferente que a França, por muito tempo, não quis ser o mais poderosos auxiliar de desenvolvimento brasileiro, empregando no Brasil os seus capitães, com o decididdo empenho de conquistar o mercado, que é muito apreciável. Num quadro de algarismos, dados estarísticos, e curiosas observações, o conferentte demosntra o rápido progresso brasileiro, sob forma federativa republicana e faz ver como há em seu paiz campo vastíssimo para emprego e magnífica remuneração dos capitães francezes.O Brasil, e mais especialmente S.Paulo, tem feito bastante, tem progredido enormemente; mas, tudo quanto dependa de fortes capitães só se poderá realisar, se nações como a França, resolutamente, se puzerem ao nosso lado, e quizerem auxiliar como emprego seguro de suas sobras, que são tantas, afirme resolução em que o Brasil inteiro se encontra de não sair do caminho recto da paz e da lei. Paiz latino, o Brasil  tem o espírito francez, ama e adora esta França glorioza e immortal.

A conferencia durou cerca de uma hora e foi lida em francez. O conferente foi muito applaudido e felicitado. (pág.2)

 

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Brevemente S.Paulo vae ter ensejo de ouvir uma das maiores summidades musicaes, o mais extraordinario dos violinistas, só comparável, a Paganini, o mestre dos mestres dos virtuoses de violino. Referimo-nos a Jan Kubelik.Pela rara perfeição da sua techinica, pela extrema malleabilidade de seu tem peramento artístico, que se adapta maravilhosamente á interpretação dos clássicos e dos românticos, dos torturados e dos característicos, Jan Kubelik é hoje o maior “virtuose” do violino.Estamos certos de que o nosso publico saberá apreciar esta celebridade mundial e guardará por muito tempo da audição dos dois concertos que Kubelik aqui realisará, uma das mais deliciosas e imprevistas sensações de arte.

Jan Kubelik nasceu a 5 de julho de 1880. Filho de uma garicultor e musico, natural de Michle, perto de Praga, muito cedo o pae descobriu a vocação de seu filho pela musica e logo lhe fez fez dar, na edade de cinco annos, asua primeira lição de violino. A criança, porém, aos oito annos já executava, no concerto official de Praga, com immenso agrado, composições de Alard, Wieniawski e Vieuxtemps. Em 1892, Jan Kubelik entrou no celebre conservatório de Praga, de onde saiu em 1898, com um grande premio.(…) partiu então para Vienna, com o seu violino Mittenwalder, dando alli alguns concertos com grande sucesso.

Richard Hen Berger escreveu nesse tempo, no jornal “News Frein Presse”, que se este caso se tivesse dado em outras eras, teriam mandado Kubelik para uma fogueira, como se fosse uma feiticeira…Pouco tempo depois Kubelik recebeu, como lembrança, um violino de Josef Guarnerius, como qual fez uma grande “tournée”. (…)Em 1907 Kubelik fez uma viagem á  volta do mundo, visitando de novo os Estados Unidos, Canadá, Honolulu, Australia, Nova Zelandia e Caylão. Esta tournée durou doze mezes, e durante Ella Kubelik tocou 182 vezes. No seu primeiro concerto no hipódromo de Nova York teve a extraordinária concorrência de 5.325 pessoas, rendendo-lhe a “serata! 5.5000 dollars. Em Sydney Melbourne, kubelik deu tambem uma serie de concertos, sempre ouvido com o maior interesse. Da Nova Zelandia trouxe Kubelik valiosíssimos  presentes em pedras preciosas. Alli, o povo querendo demonstrar-lhe de uma maneira inequívoca a sua admiração, enfeitou-lhe a carruagem com flores e coroas de louros. A verdade é que a viagem de Kubelik á volta do mundo, tem sido um encadeamento de triumphos.

Em rápidos traços a historia dos triumphos mundiaes do grande artista, que em breve vamos ouvir, no Plytheama. (pág.3)

 

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O sr. Adriano Ramos Pinto, que se acha em São Paulo desde alguns dias, há mais de vinte annos que ligou os seus interesses de industrial intelligentissimo aos interesses commerciaes deste paiz, que elle ama tanto como o seu.

Espirito claro, temperamento admiravelmente organisado, o chefe e fundador da casa Adriano Ramos Pinto &Irmão ao iniciar o serviço de exportação dos seus grandes armazens de Villa Nova de Gaya, pensou desde logo no Brasil.(…)Era um paiz novo e cheio de seiva e de vida. Conhecia-lhe a estructura geographica, conhecia seus filhos mais illustres e acompanhava com carinhosa curiosidade o desdobrar das suas energias, que nestes vinte annos operaram o supremo milagre de tornar ETA Republica a mais forte e mais potente das Republicas da America do Sul. (…)(pág.5)

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