Terça-feira, 28 de junho de 1910

Estadão

28 de junho de 2010 | 00h00

 

 

NATALIDADE E MORTALIDADE NA EUROPA

O decrescimento da natalidade em França passa por ser um phenomeno caracteristicamente nacional, em completo desaccordo com o que se observa no movimento demographico dos outros paízes. Tal, porém, não é a verdade. Se é certo que em França esse decrescimento chegou ao ponto de se tornar alarmante e de suggerir fundados temores quanto ao futuro da nacionalidade, não é também menos certo que, embora em menor grau, o mesmo facto se vae notando em vários outros paízes europeus.

A verdade é que o numero de nascimentos diminue, mais ou menos, em quase toda a parte. Paízes há em que, apesar disso, apopulação augmenta; mas esse augmento se deve principalmente a um fator muito diverso da natalidade- o decrescimenhto da mortalidade. (…)(pág.2)

 

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RIO

A circular convidando os representantes federaes para a colligação dos Estados do Norte, é concebida nos seguintes termos: “Convencidos de que, conjugando os seus esforços numa acção commum, melhor poderão servir aos interesses dos Estados que representam, e cuja prosperidade depende de uma larga política de expansão economia de melhoramentos materiaes urgentes e inadiáveis, os abaixo-assignados resolveram, irmanados no mesmo ideal superior do bem publico, e identificados com o mesmo pensamento, subordinar a sua acção, como parlamentares, a esse objectivo, que será tanto mais facilmente attingido, quanto é certo que, na ordem política, mantida pela legislação liberal que possuímos e assegura á sombra da Constituição e das leis o respeito e a autonomia dos Estados ao exercício de todos os direitos e liberdade em suas múltiplas modalidades, o seu ponto de vista não é diferente do daquelles que com maiores responsabilidades visam a grandeza política da Republica estreitamente ligada ao seu desenvolvimento econômico.

Assim, embora sem se desinteressarem da solução dos problemas, que entendem com a vida do paiz, com o jogo regular das instituições, por isso mesmo que a sua união e força lhes dá grande autoridade política e moral no seio do congresso, terão mais directamente como desideratum trabalhar com o concurso de muitos pelo engrandecimento das circumscripções territoriaes que representam”. (pág.1)

 

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FRANÇA

PARIZ – Hontem, pela manhan, realisou-se no conselho municipal a recepção do marechal Hermes. O marechal foi acompanhado pelos srs. Gabriel Piza, ministro brasileiro, Fonseca Hermes e Teffé Von Hoonholtz. Estavam também presentes na municipalidade o Sr. De Selves, preeito do Sena, Henri Galli, presidente do conselho geral do Sena, e muitos membros do conselho municipal.O Sr. Bellan, presidente do conselho municipal, recebeu o marechal Hermes, dando-lhe as boas vindas em nome da cidade de Pariz.

O sr. Bellan saudou o marechal como presidente do Brasil, salientando os laços de sympathia que unem o Brasil á França, e louvou as qualidades e o valor pessoal do sr. Hermes. Depois falou o sr. Seves, prefeito do Sena, que se associou ás palavras do Sr. Bellan.O Sr. Laurent secretário geral da prefeitura da polícia, agradeceu ao Brasil o auxílio pecuniário que em subscripções prestou ás victimas da inundação de Pariz e por ultimo o Sr. Henri Galli fez votos pela prosperidade do Brasil. Respondendo aos oradores que o saudaram o marechal Hermes agradeceu o acolhimento cordial, dizendo que produzsirão impressão lisonjeira no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, as palavras affexctuosas e os sentimentos expressos, que acabavam de lhe ser testemunhados naquelle magnífico palácio onde bate o coração da grande cidade de Pariz- o centro principal das letras, sciencias e arte do mundo, e capital esplendida e gloriosa da Republica francesa.

– O sr. Bellan, presidente do conselho municipal, telegraphou ao prefeito municipal do rio de Janeiro, exprimindo-lhe, em nome do conselho municipal de Pariz, os seus sentimentos de fraternal sympathia pela municipalidade do Rio de Janeiro, com a esperança de que se estreitem cada vez mais os laços de amizade entre as duas cidades. (…)(pág.1)

 

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Instantaneo tirado hontem, em Santos, para o Estado, pouco antes de embarcar para esta capital, o professor Martinenche, que é o mais baixo do grupo, tendo de um lado os srs. Charles Lesca e Gofredo da Silva Telles e do outro o dr. Frederico Steidel.

 

 

INGLATERRA

 

LONDRES – O “Times”publicou hontem um editorial com o título “Escandalos políticos em Portugal”, em que, analysando os acontecimentos que se tem desenrolado durante o reinado de d. Manuel diz: “A monarchia portugueza persiste nos seus erros passados, desprestigiando-se cada vez mais.”

Referindo-se ao escândalo da Companhia de CréditoPredial, em que políticos monarchicos de responsabilidade se acham envolvidos, accrescenta o “Times”: “Apesar da extrema paciência do povo portuguez, parece impossível que as instituições monarchicas se mantenham, se ellas não se regenerarem sem perda de tempo.” (pág.2)

 

A ELEIÇÃO PRESIDENCIAL

(…) uma vez que v.exa. me fala, quasi esprobativamente, nos “altos deveres do Congresso”, nos “valiosos interesses nacionaes a que tem de attender”, e na urgência, portanto, de concluir a apuração afim de que elle, quanto antes, “ente no exercício normal das suas funcções”, vejo-me constrangido a ponderar a v. exa., bem como á mesa do Congresso, que a responsabilidade por essa dilatada cessação dos seus trabalhos corre á conta das autoridades que o dirigem, e não á minha, ou á dos meus amigos.

Já demonstrei em sessão do Congresso que, na Constituição do paiz, nada se oppõe a que, simultaneamente com os trabalhos verificativos da eleição, as camaras se entreguem, separadas, aos deveres ordinários do seu mandato. O que difficilmente se conciliaria com as boas normas da Constituição e com as próprias disposições do regimento commum, é a praxe, inconvenientementíssima, em que se está reincidindo agora, de se eclypsar o senado, até que a mesa apresente o seu parecer. Em sentido contrario estatue clarissimamente o regimento commum, dizendo, no artigo 18: “Emquanto não for apresentado o parecer da mesa com o resultado da apuração, a ordem do dia do Congresso será o trabalho das commissões apuradoras.”

Assim que o alvitre adoptado por v.exa., como a mesa, de abrir um vasio de vinte e um dias nas sessões do Congresso, viola materialmente esse texto, segundo o qual , emquanto a mesa do Congresso não apresentasse o seu parecer, as sessões deviam proseguir, sem interrupção, tendo diariamente por ordem de dia o trabalho de commissões. Por derradeiro accrescenta v. exa. , “embora a este assumpto se não referisse a minha carta”, “haver a mesa resolvido unanimamente que só possam examinar os papéis relativos á eleição presidencial”, como “procuradores meus, os representantes da naçãp, ao quaes, “aliás, mesmo sem procuração, a mesa está prompta a dar a mesma faculdade.” De modo que, a mesa do Congresso me reconhece o direito de vista, e, ao mesmo tempo, me nega o de exercer esse direito mediante procurador. Outra coisa, realmente, não é o obrigar-me a ir buscar os meus procuradores entre os membros da representação nacional. Quando juntamente, confessa que a esses, ainda em procuração minha, não julgaria poder recusar a inspecção, e exame daquelles documentos. Não é, já se vê, como procuradores meus que elles vão ter essa franquia, senão unicamente como membros do Congresso Nacional. Procedendo assim, amesa do Congresso recua, arbiotrariamente da praxe san, jurídica e irrecusável, que Ella mesma acaba de observar, permittindo que sete procuradores meus estranhos á representação nacional, funccionassem, nesta mesma apuração, ante as cinco commissões auxiliares, durante todos os seus trabalhos.

Mas ainda peor do que isso obra, estabelecendo  um aresto de gravíssima iniqüidade. Porque, se eu não tivesse amigos entre os representantes da nação, se nos achássemos no Congresso debaixo de uma dessas unanimidades tão repetidas entre nós; se a causa, que represento se visse isolada nas duas camaras, este arbítrio da mesa do Congresso, condemnando-me a exercer “pessoalmente” o meu direito de vista, exigiria de mim a falçanha miraculosa, absurda, impossível de estudar eu sozinho, em trinta dias, as eleições de vinte e um Estados, com seis ou sete mil actas eleitoraes. Admittir um direito debaixo de condições taes, o mesmo é, praticamente, que não o admittir.

Com a maior consideração e estima saúdo a v. exa.-Ruy Barbosa.” (pág.4)

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