Domingo, 11 de setembro de 1910

Estadão

11 de setembro de 2010 | 00h00

 

 

 

SERVIÇO ESPECIAL do “ESTADO” e da Agencia Havas

 

FRANÇA

 

Fallecimento do esculptor Frémiet

 

PARIZ, 10 (H.)- Falleceu hoje nesta capital o esculptor Emmanuel Frémiet

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Estátua do conde Ferdinand de Lesseps, diplomata e empresario responsável pela construção do Canal de Suez.  A enorme escultura localizada na entrada do canal, era vista por todos os navegantes  que realizavam a travessia.

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N.da R.- Frémiet falleceu com 86 annos de edade. E’ um dos mestres da esculptura franceza.

Sobrinho e discípulo do grande Rude, Frémiet mostrou desde cedo a sua preferência pela esculptura anatômica.

O seu primeiro trabalho notável foi uma “Gazella”, exposta em 1843. Depois vieram outros de sucesso sempre crescente, destacando-se as estatuas de Napoleão I, de Luiz de Orleans e de Joanna d’Arc.

Emmanuele Frémiet expoz em 1888 um “gorilla roubando uma mulher” que lhe deu a medalha de honra e que entre todos os seus trabalhos sobreleva pelo modelado flagrante de concepção.

Entre innumeros outros trabalhos de Frémiet, cita-se o “Ferdinand de Lesseps”- uma colossal estatua á entrada do canal de Suez, que ahi relembra o emprehendimento colossal do grande engenheiro francez. (pág.2)

 

MARIPOSAS

 

Uma invasão importuna- A myelobia smerintha- Que fazer? Coel-as com manteiga- A’ Prefeitura.

 

De um sujeito se conta que costumava definir a pulga- “animal metaphysico, criado pela imaginação dos que não têm que fazer”. Era evidentemente um sujeito de somno pesado e de pouca sensibilidade cutânea.

Eu tinha um scepticismo semelhente a respeito de mariposas. A mariposa, segundo estava habituado a ler em poesias, principalmente em poesias do nosso tempo de romantismo chlorotico, seria um  insecto de azas transparentes, com a triste sina de morrer queimado pela torcida dos lampeões ou pela chamma das velas. Era bonito, prestava-se como se prestou de facto, a uma larga exploração poética. A incauta mariposa , seduzida pelo esplendor, sedenta de luz voltejando em torno (…)

(…)Foi uma destas noites , na praça Antonio Prado. Uma nuvem de borboletas pardacentas, pesadas e feias, bailava sobre as nossas cabeças, peneirava no ar, acima das árvores. Muitas caiam ao chão, que se alastreava dellas, e não havia um palmo de solo onde se pudesse pôr o pé sem esmagar um desses flaccidos e felpudos bicharocos. Em torno das lâmpadas, elles adensavam-se em myriades, volteando, batendo de encontro aos globos, caindo uns após outros sobre a calçada. Invadiam os cafés, voejavam por cima das mesas, embarafustavam pelos assucareiros. Uma coisa assustadora. (…)

 

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(…) -Pois muito bem, meu caro dr. Thering. Mais uma pergunta, e temos conversado. Não há perigo nenhum nesta invasão de mariposas? O pós das azas…

-Não, não há perigo. O pó, aliás escamas, é geralmente tido como prejudicial aos olhos; mas não é verdade; São muitíssimo aborrecidas, eis tudo; perigosas, não. Entretanto, há um meio de dar cabo dellas…

-Qual?

-Comel-as.

Para um entomologista, a pilheria não pareceu má. Sorri, e dispunha-me a tomal-a como bom fecho para a conversa. Mas o meu amável interlocutor advertiu-me que não brincava. As mariposas, ou, antes , as lagartas, que são brancas, roliças e molles de tamanhoo de um dedo médio., amis  ou menos, têm os seus apreciadores, e grande, apaixonados aapreciadores.(…) (pág.3)

 

 

Congresso de Geopgraphia

 

Esteve hontem reunida, ás 3 horas da tarde, a XI commissão (Geographica Economica e Social, sob a presidência do dr. Lobo d’Avila, servindo o dr. Teixeira da Silva . Foram lidos, discutidos e approvados unanimamente os pareceres apresentados: pelo dr. Lima Miadello sobre as memórias “ O corte das matas e sua legislação”, do dr. Belfort de Mattos, e  “O que é o Paraná?”, de Romario Martins, e sobre a memoreia “A zona da Ribeira”, do dr. Diogo de Moraes. (…)

 

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Legenda: Foto publicado no OESP de 10 de setembro de 1910, pág.3

 

-As conclusões do parecersobre “O corte das matas” é no sentido de fazer-se um appelo aos poderes  competentes para que seja estabelecida definitivamente uma legislação sobre a conservação e derrubada das mattas.

– O parecer sobre a “A zona da Ribeira” termina declarando que, para o completo desenvolvimento daquella zona, se tornam precisos: 1- Vias facceis de communicação, quer marítimas, quer terrestres que a colloquem em prompto contacto com os principaes mercados, visando tornar a viação férrea mais um meio de transporte entre este prospero Estado e o do Paraná. !!- o povoamento da bacia da Ribeira por processos que fixem no solo o colono e que contribuam para a sua mais prompta nacionalisação. (…)(pág.2)

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