Quinta-feira, 15 de setembro de 1910

Estadão

15 de setembro de 2010 | 00h00

 

 

 

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INGLATERRA

 

A alta do cambio e os títulos brasileiros

 

LONDRES, 14 (D.)- O “Daily Telegraph”, em sua secção financeira, occupou-se da firmeza em que se mantém actualmente os títulos brasileiros, attribuindo esse phenomeno á alta do cambio.

Accrescenta o “Daily Telegraph” que a elevação do cambio , que se observa nos mercados do Brasil, confirma a prosperidade econômica e as excellentes condições financeiras do paiz. (pág.2)

 

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NOTICIAS DA EUROPA ( PELO “ATLANTIQUE”)

 

PORTUGAL

 

A campanha clerical- Para se fazer um juízo do que são e de que valem as associações monarchicas jesuíticas, actualmente entregues á tarefa de atacar os liberaes por todos os modos e feitios, covem archivar o relato authentico de duas sessões de propaganda eleitoral por ellas feitas. A primeira effectuou-se no centro denominado Liga monarchica, da rua do Alecrim, Lisboa, e foi assim relatado pelo “Seculo”:“Foi uma coisa épica! (…)”

“(…)A outra sessão realisou-se no centro nacionalista (o nacionalismo é o partido clerical) e da longa noticia que o “Seculo” publicou transcrevemos algumas das mais importantes passagens: “Disse o sr. Alfredo Torres que era urgente salvar a pátria, que cominha para a ruína, e que urge não menos “metter o rei na ordem” que outrora teve sympathias e hoje as perdeu por haver chamado aos conselhos da coroa gente incapaz de governar. Accrescentou estar disposto a contribuir para metter o rei na ordem, se a nação se levantar nesse sentido. Há exemplos na historia- prosseguindo o sr. torres- do povo obrigar os reis a seguir o bom caminho. Só o nacionalismo, em sua opinião conseguirá salvar a pátria… Convém, pois, votar nos seus candidatos.(…)

O padre Simões frisou a necessidade de ir á urna votar contra o governo e contra os republicanos, descompoz os seus collegas que professam idéas democráticas, chamando-lhes a “vergonha do clero”, e, ao lamentar a actividade republicana, que fórma contraste com a indolência monarchica, berrou: – Na minha freguezia nenhum republicano põe pé em ramo verde.(…)

(…)O sr. Arthur Annibal da Cunha foi o primeiro de todos os oradores na vehemencia e na originalidade. Quando meia hora antes passava no chiado disse o orador attentou num grupo que estava a uma esquina. Os do grupo discreteavam sobre um projecto de matar o rei no domingo ou na segunda-feira. Denunciando a conversa, não queria armar em bufo, mas apenas contribuir para salvar uma pobre criança que vive “rodeada de malandros que o perdem.” (…) Apontando para um retrato do rei que ornamenta a sala: -Por aquella criança, que alli está, dou todo o meu sangue!

Padre Simões- o terror de Carnidade- applaudiu ás mãos ambaas e o presidente fechou, abruptamente, a torneira da eloqüência, com vivas a Pio X, ao clero, ao partido nacionalista(…)

-Vivas ao rei não haverá emquanto elle não entrar na ordem!- explicava um dos ouvintes, com os  olhos em alvo e as mãos seraphicamente cruzadas sobre o peito…

Que súcia!” (pág.4)

 

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