Segunda-feira, 19 de setembro de 1910

Estadão

19 de setembro de 2010 | 00h00

 

 

 

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OS MUNICIPIOS

 

BARRETOS-  (Do correspondente, em 17)- O famoso relatório do tenente Angelo Navarro e o conseqüente decreto em que seu governo acaba de prohibir a immigração hespanhola para o Brasil, suggeriram ao padre dr. José Cecere, estimado vigário desta paróchia, uma série de considerações interessantíssimas que elle se propõe deduzir em artigos successivos (…).Eis- “data vênia”,- o primeiro artigo publicado:

 

O Brasil e os estrangeiros”: (Considerações sobre o relatório do tenente Navarro ao governo hespanhol) – “Qui vetat dicere verum”?(…)

 

Em summa: o que é verdade e verdade incontestável, que eu, estrangeiro, não me pejo de reconhecer e proclamar em consciencia, é que no Brasil o colono vive á farta, bem nutrido e bem abrigado, ao passo que na Europa infelizes há que não têm por maradia sua e de toda a sua família, senão as quatro paredes de um quarto estreito e mal arejado, e onde muitas vezes se recolhem ta,be´m o burrico e o porco. Temos o direito de occultar as misérias de nossas casas, mas não nos assiste direito algum para ultrajar com mentiras as casas alheias.

Tenho ainda bem viva na memória scena empolgante, que tantas vezes presenciei numa das províncias da Italia, onde temporariamente me achei, como lente que era de um gymnario local. Todos os dias, uma horda androjosa de mulheres tinha de palmilhar a pés nu´s, por caminhos pedregosos, no período da colheita de trigo, nada menos de 8 kilometros de ida e outros tantos de volta, para ganhar o magro salário de 6 soldos, ou sejam cerca de 200 réis da moeda brasileira!

Ora, nestas condições, é força convir que para o pobre só há um recurso:- é immigrar. Procurar novos horizontes, seja onde for, onde cada um possa melhorar a sua sorte, com a esperança de accumular algum pecúlio  para o descanso e amparo da velhice, eis uma idéa que naturalmente acordo a todos os que soffrem.

Dahi, o absurdo que acaba de praticar o governo da Hespanha prohibindo a immigração para o Brasil, e dahi também esse outro absurdo que é hoje o decreto Prinetti, e que será o assumpto de um dos artigos subseqüentes.

Barretos 17-9-910.- Padre José Cacere.” (pág.2)

 

 

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FRANÇA

 

Falecimento do conde Nelidoff

 

PARIZ, 18 (H.)- Falleceu hoje, nesta capital, o conde de Nelidoff, embaixador da Rússia aqui acreditado.

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N.da R.- O conde Alexandre de Nelidoff contava a edade de setenta e cinco annos e era um dos mais antigos diplomatas russos, pois servira o seu paiz desde 1855, no exterior.

O illustre extinto iniciou a sua carreira como addido ao departamento dos negócios asiáticos do ministério dos estrangeiros da Rússia em Petersburgo, posição que deixou para desempenhar delicadas commissões diplomáticas e administrativas no oriente.

No desempenho da mais importante das commissões que lhe foram confiadas, coube-lhe negociar e assignar, como segundo plenipotenciária, em 19 de fevereiro e em 3 de março de 1878 o tratado de San Stefano, que pôz termo á guerra russo-turca.

Cinco annos mais tarde, em 1883, Nelidoff recebia as credenciaes que o acreditavam como embaixador do governo moscovita em constantipola e depois em Roma.

Em 29 de dezembro de 1893, o distincto diplomata era nomeado para o cargo de embaixador do governo de Petersburgo em Pariz, em substituição do príncipe de Ourosseff, que foi removido para Vienna.

A sua morte constitue uma verdadeira perda para a diplomacia russa. (pág.2)

 

 

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