Domingo, 20 de novembro de 1910

Estadão

20 de novembro de 2010 | 00h00

 

MEXICO

Em vésperas da revolução – Graves conflictos entre as tropas fedareaes e os insurrectos de Pueblo- Muitos mortos e feridos.

MEXICO,19 (H)- Chegam noticias de Puebla, capital do Estado de mesmo nome, annuciando que se deram alli, de ante-hontem para hontem, graves conflictos, entre as tropas federaes e as forças organizadas dos adversários do general Porfirio Diaz, presidente da Republica.

As primeiras informações aqui recebidas dizem que as tropas federaes síram vencedorasa dos conflictos, nos quaes houve numerosos mortos e feridos.

Ao mesmo tempo um communicado official, confirmando a noticia das desordens e dos conflictos, diz que o numero de mortos ´de dezoito.

Diversos viajntes vindos de Publa dizem, porém, que o numero de mortos sobe a diversas centenas; entre as victimas do conflicto acha-se o cehfe de policia daquella cidade.

Quanto á origem do conflicto acha-se o chefe de policia daquella cidade.

Quanto á origem do conflicto não há notícias seguras. Mas consta, com visos de verdade, que o motivou a intervenção dos soldados de policia em um comício de protesto contra  a reeleição do sr. Porfírio Diaz, que está occupando, pela sexta vez, a presidência da Republica.

Parece pois que os manifestantes, não querendo tolerar a intervenção, se amotinaram, o que provocou a reacção dos policiaes, estabelecendo-se entre uns e outros verdadeiros combates.

De uma janella foi atirada sobre as tropas uma bomba de dynamite que matou numerosos soldados de policia.(…)

Diante da gravidade da situação, foram enviados reforços para Pueblo, onde, depois de um combate encarniçado, em que até as mulheres tomaram parte, as forças federaes capturaram muitos insurrectos e, cercando a casa em que elles haviam estabelecido o seu quartel general, apprehenderam grande quantidade de armas e munições.

(…)

O sr. Madeiro, chefe opposicionista e ex-candidato á presidência da Republica, sendo entrevistado por um jornalista, que lhe pediu o seu parecer sobre o movimento insurrecional de Puebla, declarou que tal agitação é o prenuncio seguro de que a revolução não póde mais nem sequer ser evitada.

“E’ apenas questão de dias, concluiu o sr. Madeiro, mas não há duvida que hoje ou amanhan há de rebentar a revolução, porque o povo já está farto de supportar a dictadura do genral Porfírio Diaz.”(…) (pág.1)

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O inicio da campanha eleitoral

LONDRES, 19 (H.)- Em um almoço que se ralizou hoje na sede do “leberal Club”, o presidente do conselho, sr. Herbert Asquith, inaugurando a campanha eleitoral, pronunciou um longo discurso.

Disse o sr. Asquith que as circumstancias actuaes não têm precedentes na historia copnstitucional. Prognosticou que a camara dos communs, depois das elições, terá mais dfe cem membros favoráveis á limitação do direito de veto da camara dos lords.

Diante do fracasso da conferencia entre os liberaes e conservadores, concluiu o sr. Asquith, a guerra está declarada.

O “Daily Chronicle”, orgam liberal, insiste em affirmar que o motivo das próximas eleições é a luta contra a onipotência dos lords.

O “Standart” queixa-se do governo, que já paralysou os negócios durante onze mezes e quer agora chegar ao cumulo de impedir o seu restabelecimento até o natal, com a agitação eleitoral.

O mesmo jornal classifica o governo, que já paralysou os negócios durante onze mezes e quer agora chegar ao cumulo de impedir o seu restabelecimento até o natal, com a agitação eleitoral.

O mesmo jornal classifica o governo de demagogo, egualmente hostil á classe media, a burguezia, e a aristocracia; e declara que a actual situação depende de um duello de habilidade entre os srs. Herbert Asquith e John Redmond.

O “Daily Mail” referindo-se á dissolução do parlamento, diz haver uma verdadeira trama contra a constituição.

“O Morning Post”, estudando longamente a situação, analysa a attitude do sr. Herbert Asquith, presidente do conselho, e do sr. John Redmond.

Diz que o sr. asquith apressando as eleições, sem pedir garantias ao rei, eo sr. Redmond, acceitando o orçamento parcial, desejam consolidar a sua influencia por meio desse pleito. (pág.1)

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