Sabbado, 11 de fevereiro de 1911

Estadão

11 de fevereiro de 2011 | 16h20

 

CARTAS DA ALLEMANHA

Quadragésimo anniversario da proclamação do Império;- o descontentamento no meio da prosperidade;- approxima-se a luta eleitoral para o novo período legislativo;- o Centro, a organização mais rusta;- o liberalismo indisciplinável;- os socialistas disciplinados mas rebeldes;- a coalizão negro-azul.

Berlim, 18 de janeiro de 1911.

Faz hoje quarenta annos que graças á vontade de ferro e ao gênio de Bismarck, se constituiu a confederação germânica e, simultaneamente, o parlamento allemão.

Realizara-se o ardente e indelével sonho desta nação.

E’ realmente extraordinário desenvolvimento cultural e econômico attingido neste espaço de tempo pelo jovem império proclamado no dia 18 de janeiro de 1871 contra as inclinações pessoaes do velho Guilherme I e mesmo contra aconcepção do príncipe Frederico, pae de Guilherme II.

No meio da prosperidade, reina todavia o descontentamento entre a massa do povo que vê satisfeitos os seus maiores desejos…menos um: a completa emancipação da injustificável tutela das classes dirigentes que o exploram, num circulo relativamente peueno, antagonico ao progresso e ás idéas modernas.

E’ essencialmente devido á índole natural do povo allemão que na política interna se destaca uma descordancia em apparente descrepancia com a aspiração nacional finalmente satisfeita no ca,pó da batalha. A expansão econômica é o resultado da evolução industrial, quando antigamente a Allemanha  era um paiz agrícola; o desnvolvimento industrial produziu a evolução social, com a qual por emquanto não se conformam aquellas classes privilegiadas que, como o já tenho dito, tiveram em épocas passadas a habilidade de se cercar de prerrogativas hoje virtualmente caducas, tão caducas como a procedência divina da missão da monarchia.  (…)

 

GUERRA AOS RATOS NA INDIA

A India é annualmente visitada pelo peor dos flagellos- a peste bubônica. Agora mesmo chegam noticias telegraphicas de que o mal está alli se alastrando cada vez mais.

Como está estabelecido scientificamente que os ratos são os mais perigosos vehiculos da infecção , na India se faz uma verdadeira guerra encarniçada contra os terríveis roedores.

E as estatísticas demonstram que a epidemia assume caracter decrescente na razão directa da destruição dos ratos.

Tempos atraz, os médicos se limitavam a aconselhar que se exterminassem os ratos, e assim a sua destruição proseguia muito lentamente, pois os indígenas, muito ignorantes e muito fanáticos, há muito habituados ás mortalidades periódicas, não sabiam encontrara um nexo lógico entre estas e os ratos. Hoje, porém, a batalha é dirigida pelo departamento geral de sanidade e é conduzida segundo os critérios mais modernos e sem olhar a despesasa.

Para avaliar-se todo o mal que a peste tem causado á India basta lembrar que , no espaço de quatrorze annos, só na cidade de Bombaim foram victimadas pela peste cerca de 169.000 pessoas. (…)

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