Notas zapeadas

danielpiza

15 de maio de 2009 | 11h39

Vi ontem à noite um programa (agora chamam tudo de documentário) sobre Carla Bruni no GNT. É curioso que uma italiana, hoje a primeira-dama de Nicolas Sarkozy, seja um símbolo do que a França – onde foi criada – sempre teve de melhor. Ela é muito elegante e sexy; sabe adotar um jeito “gamine”, um charme infantil, sem perder a maturidade de mulherão; pensa de modo independente, mas adora o marido, que diz ser inteligente e protetor. Melhor, ela tem composto canções que são dignas herdeiras da tradição francesa, da “chanson” que chegamos a achar que houvesse desaparecido; as letras são criativas, as melodias agradáveis, o canto-falado hábil. Prazer em conhecê-la.

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Nos Telecines da vida há sempre muitos filmes como Homem Aranha 3. Filmes baseados em HQs e seriados de TV (como Wolverine e Star Trek, em cartaz no Brasil) continuam em alta. O motivo pode ser bem banal: toda uma geração, nascida do final dos anos 60 ao final dos anos 70, chega à maturidade, com seus 30 a 45 anos, e ao “establishment”. E preferem viver dos enlatados que viam na TV quando crianças… Procura-se filme adulto. (Ah, ainda bem que estreou, com dois anos de atraso, Desejo e Perigo, de Ang Lee.)

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Sempre entrevi novelas. Sim, porque só desocupados veem novela toda noite. Nunca deixei de acompanhar pelo menos dois capítulos por semana da novela das oito (ou melhor, das nove), em parte por comodismo ou cansaço, em parte para ter assunto com as pessoas e por gosto de observar valores da minha sociedade sendo confirmados ou renovados (muito mais confirmados do que renovados, claro), além de eventuais boas atuações, canções e cenas. Mas Caminhos da Índia não dá. Faz duas semanas que não assisto nem três minutos. É tudo tão kitsch, tão mal informado e mal escrito, que nem se pusessem 100 Maitês Proenças no auge de Dona Beija (em reprise no SBT) se salvaria.

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Cada vez mais ouço as pessoas ao redor – amigos, familiares, colegas – comentando séries da TV a cabo. Só se fala em House, Grey’s Anatomy, Dexter, Californication, 30 Rock, etc. Citei aquelas de já vi episódios. São muito bem produzidas, com diálogos eficientes, ritmo, homogeneidade nas atuações – tudo, enfim, que anda raro nas telenovelas. E os enredos não se estendem por meses… Novelas não vão acabar, porque estão inscritas na cultura nacional. Mas que poderiam se tornar mais ágeis e menos redundantes, poderiam. A HBO tem feito versões de séries brasileiras, como Mandrake e Alice, mas ainda abaixo.

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Minhas preferidas, por sinal, terminaram: Seinfeld (que planeja voltar), Sopranos, E.R. (no início), Sex and the City (idem), Roma (vi Tudors e nem se compara)… Alguém aí conhece algo à altura no momento?

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Qual o melhor programa da TV aberta brasileira? Está difícil… A Grande Família é honesto, com ótimos atores. Toma lá Dá cá é um Sai de Baixo piorado. Som Brasil tem intérpretes jovens (foi ali que descobri o talento do Vanguart) e uma coisa rara em TV, bons arranjos musicais. E só? Os telejornais também perdem para a torrente de notícias a cabo. Até o futebol é mais bem transmitido nos canais por assinatura – pelo menos berram e chutam menos.

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Não que a TV a cabo seja tudo que se diz ou promete. Para quem vai bastante a cinema e aluga DVDs, o cardápio de filmes é de passar fome. Canais antes bons, culturais, como Eurochannel e Film & Art, hoje são dispensáveis. Não sei se é falta de tempo, mas tampouco tenho dado sorte com os de natureza, como Discovery Science e NatGeo, que antes não frustravam quem buscava pelo menos boas informações. E por que o Canal Brasil passa sempre filmes “sala especial” dos anos 70, documentários lentíssimos ou então filmes hispânicos? Não à toa a melhor coisa que tinha para ver ontem às 21h era Carla Bruni.

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E depois não entendem por que cada vez mais as pessoas vão para a internet – onde passam a maior parte do tempo em comunidades virtuais e trocas de mensagens – e cada vez veem menos TV.