Som, fúria e inteligência

danielpiza

16 de julho de 2009 | 17h15

A minissérie Som & Fúria é uma das melhores coisas da TV brasileira neste ano. Adaptada por Fernando Meirelles de um programa canadense, conta a quase improvável história de uma trupe shakespereana no Teatro Municipal de São Paulo. O capítulo de ontem, em que a companhia finalmente encena Hamlet, foi excelente. Andréa Beltrão comoveu até os ferros do viaduto do Chá em seu monólogo. Felipe Camargo faz um doce amalucado, mais lúcido do que os que o cercam. Dan Stulbach atingiu um recurso raro, o de se deixar transformar pela força do teatro sem abandonar seu jeito de burocrata ambicioso. Todas as atuações mostraram autenticidade, adaptadas à agilidade da montagem, e a série prova que é possível fugir ao naturalismo sem cair no barroquismo. Ao contrário do que andei lendo, acho as gozações contra diretores e críticos reais muito legais, em oposição à cultura nacional do compadrio.

A série também aponta para os defeitos do cinema nacional, ainda dividido entre filmes de favela, comedinhas de situação e exercícios experimentais. Tomara que inspire mudanças no cinema e na TV: existe público, sim, para a inteligência.