Mobilizar, rezar e esperar

davilira

09 de dezembro de 2011 | 23h11

Leandro Igor Vieira
Talita Matias
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 . “Eu escolhi esperar” reúne jovens de todo país 

Eles já são 135 mil no Facebook e mais de 70 mil no Twitter. Um verdadeiro exército de jovens que se dizem comprometidos com a decisão de aguardar o casamento para, só então, dar início à vida sexual. Todos eles se reúnem em torno do movimento Eu Escolhi Esperar, um fenômeno criado a não mais que oito meses, em Vitória (ES). Liderada pelo pastor e teólogo Nelson Júnior, de 35 anos, a campanha aposta na força de mobilização das redes sociais para chegar a jovens de várias religiões – e dos lugares mais distantes do país. “Acreditamos na construção de relacionamentos maduros e somos contrários a aventuras amorosas”, explica Júnior, que diz ter ele próprio esperado pelo casamento.

No site do projeto, no Facebook e no Twitter, os jovem compartilham posts e trocam experiências. Há também a possibilidade de participar de seminários, realizados nos fins de semana em algumas capitais brasileiras.

A explicação para o sucesso, diz Nelson, vem do fato de a campanha deixar de lado a discussão religiosa para se aprofundar em temas que afetam diretamente a juventude. “Acreditamos que o Escolhi Esperar pode dar contribuições sociais, por isso ampliamos o assunto da virgindade e também conversamos sobre os prejuízos dos vícios sexuais.” Integrante da Igreja Presbiteriana de São Paulo, o web designer Emerson Garcia, de 25, resolveu aderir à causa por acreditar que a mobilização resgata princípios fundamentais para a sociedade, como a família. “Quero encontrar a namorada certa, para só então casar e ter filhos.”

Nas palestras do projeto, o foco é a troca de experiências que contribuam para fortalecer a decisão dos jovens. Estudante de Economia, o curitibano Bruno Slompo, de 17 anos, conta que sua opção costuma não ser compreendida pelos amigos. “É difícil não encontrar preconceito com relação a isso, pois a moda  é sair e ficar com várias”, diz. “Por enquanto, estou paquerando uma garota da minha igreja.”

 

Culpa. Na opinião da ginecologista e sexóloga Carolina Ambrogini, coordenadora do Ambulatório de Sexualidade Feminina da Unifesp, a restrição ao comportamento sexual pode ser problemática, pois leva os jovens a não terem intimidade com os seus  corpos. Ela afirma que as experiências sexuais, mesmo as que não são bem-sucedidas, trazem discernimento.

“Tenho pacientes que não aguentaram se guardar e  perderam a virgindade antes do casamento”, conta Carolina. “Mas eles acabam ficando com um sentimento de  culpa muito grande, como se tivessem cometido uma traição contra Deus.”

Já o também  sexólogo  Theo Lerner, do Hospital das Clínicas da USP, acredita que a questão vai  além –  e não pode ser analisada apenas pelos ângulos negativo ou positivo. Segundo ele, valorizar ou não a castidade antes do casamento depende do contexto sociocultural em que o indivíduo está inserido. “Em uma sociedade democrática e pluralista, diversos conjuntos de valores podem coexistir simultaneamente, o que permite uma série de escolhas quanto ao modo de enxergar a vida.”

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