Meio ambiente, a nova forma de fazer política

davilira

09 de dezembro de 2011 | 23h20

Luis Carrasco
Mateus dos Santos
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 Reciclagem. Alexandre criou um sistema de coleta seletiva de lixo (Felipe Rau/AE)

Quando ainda estava na faculdade, Alexandre Braz, de 23 anos, fundou com colegas o Instituto Muda. Em quatro anos, eles montaram um sistema de coleta seletiva em 35 condomínios de São Paulo e reaproveitaram mais de 170 toneladas de lixo. “Hoje, são 14 pessoas trabalhando na coleta e triagem. Nós atuamos onde o governo não atua.” O engajamento em questões ecológicas, a exemplo de Alexandre, é considerado uma das novas formas de fazer política.

É o que dizem especialistas como Marcos Sorrentino, ex-diretor de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente. “Enquanto todos falam que é preciso reduzir a emissão de poluentes e o consumo, o governo discute leis para diminuir áreas de preservação. Isso só faz o ceticismo dos jovens crescer, pois eles não se sentem representados politicamente.” E é o que mostra a enquete E você, pelo que se mobiliza?, promovida pelo Estado em sua página no Facebook. A opção “meio ambiente” foi a mais votada, com 31% dos cliques.

“Pela via do meio ambiente, ele pode se satisfazer na atuação política”, confirma a pedagoga Leila Chalub, coordenadora do Observatório da Juventude da UnB. Essa é também uma maneira de se desprender dos modelos convencionais da sociedade, acredita o educador ambiental Renato Tagnin. “Os mais velhos não enxergam a crise em que estamos. A política não dá conta das demandas da população e a economia a agrava ainda mais.” Segundo ele, a situação só vai mudar com mobilização coletiva.

O consultor de empresas João Paulo Amaral, de 25 anos, faz sua parte. Em dezembro passado, criou o Bike Anjo, projeto com voluntários – 200 só em São Paulo – que traçam rotas e acompanham quem deseja enfrentar o trânsito pedalando. No Brasil, outras 27 cidades aderiram à iniciativa que, junto com a de Alexandre, representou o País no Programa Jovens Embaixadores Ambientais, em parceria entre uma farmacêutica e o Programa da ONU para o Meio Ambiente.

João Paulo diz que a vontade de ajudar a natureza surgiu no colégio. Para o biólogo Gustavo Borges, está aí outra explicação para a onda verde. Desde 1999, a Política Nacional de Educação Ambiental prevê a abordagem multidisciplinar de questões ecológicas nas escolas. “Antes, só havia programas de política conservativa, do tipo ‘salve o mico-leão-dourado’. Hoje, existe uma consciência socioambiental e as pessoas já sabem que meio ambiente é o bairro onde elas vivem e trabalham.”