Acompanhe o quarto dia de julgamento do goleiro Bruno

Felipe Tau

07 de março de 2013 | 08h41

1h21 – O advogado de Bruno Lúcio Adolfo solicitou à juíza Marixa Rodrigues a retirada de todos os cinegrafistas e fotógrafos do fórum, e a juíza acatou o pedido. A justificativa é que Bruno não quer ser filmado ou fotografado. Todos os profissionais que já estavam dentro da sala do júri foram convidados a deixar o local.

00h53 – O goleiro Bruno Fernandes de Souza foi condenado a prisão pela morte da ex-amante Eliza Samudio. A juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues ainda não leu a pena. Dayanne Rodrigues do Carmo foi absolvida, assim como havia sido solicitado até pela Promotoria.

00h42 – Os jurados já tomaram sua decisão. A juíza Marixa Rodrigues agora está redigindo a sentença. É grande a expectativa no fórum de Contagem pela condenação do goleiro. Ela afirmou aos jornalistas que deve demorar 40 minutos para dar o veredicto.

23h23 – “Digam não à turma que escolheu Barrabás. Façam Justiça.” Essa foi a última frase do advogado Lúcio Adolfo antes de encerrar sua defesa na tréplica. Neste momento, os jurados já estão na sala secreta para decidir o futuro do Bruno e Dayanne.

23h21 – Lúcio Adolfo caminha para suas alegações finais antes que os jurados se reúnam na sala secreta. A preleção dele já dura quase duas horas. A estimativa oficial é que os jurados demorem cerca de suas para decidir. Ele têm que responder a 20 questões que vão definir a condenação ou absolvição dos réus Bruno e Dayanne.

22h07 – O advogado Tiago Lenoir se amparou nas declarações da promotoria para pedir a absolvição de Dayanne, dizendo que ela já sofreu demais. Ele abriu a tréplica e passou a palavra rapidamente a Lúcio Adolfo, que agora fala sobre o processo de Bruno e ironiza declarações do promotor.

22h06 – Ele diz que procurou e não encontrou no processo alguma prova que indicasse o mando de Bruno no processo. “O mando é a matéria mais difícil de provar. O mando é clandestino. Isso todo mundo sabe. Mas não quer dizer que seja impossível. E o promotor veio no processo todinho sabendo que não tinha prova”.

22h05 – Sobre as 300 páginas que ele denunciou terem desaparecido dos autos em papel, e que o promotor disse na réplica que bastou imprimir as páginas porque o documento estava digitalizado, Adolfo tentou minimizar sua declaração de que havia um ladrão no fórum durante o julgamento de Macarrão. “Eu não atribuo a malícia, roubo de ninguém. Disse que é possível que haja alguma irregularidade”.

20h52 – O assistente de acusação no julgamento do goleiro Bruno Fernandes, advogado José Arteiro, disse que aposta “uma caixa de Brahma que o Bruno vai ser condenado”. Ele ironizou declaração de um dos advogados de defesa, que disse no twitter, um dia antes de se tornar defensor do goleiro, que apostaria uma caixa de cerveja que o jogador seria condenado a 38 anos de prisão se a defesa continuasse a fazer asneiras . A declaração de Arteiro encerrou a réplica da acusação nos debates orais.

20h48 – “Se o Bruno sair daqui solto ou em condições de ser solto, nosso País vai virar um cemitério de mulheres”, afirmou o advogado José Arteiro Cavalcante, assistente de acusação no julgamento pelo sequestro e assassinato de Eliza Samúdio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes.

20h17 – O promotor Henry Vasconcelos classificou como “peguete” a ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, Fernanda Gomes de Castro, condenada a cinco anos de prisão em regime aberto em novembro passado pelo sequestro de Eliza Samúdio. Mais cedo, o promotor já havia provocado o goleiro dizendo que ele “não tem mulher da vida” e leu carta de amor escrita da prisão à própria Fernanda enquanto olhava com rabo de olho para a dentista Ingrid Calheiros, que casou-se com o goleiro dentro da Penitenciária Nelson Hungria.

19h45 – “Aqui não tem cachorrada não”, afirmou o promotor de Justiça Henry Wagner Vasconcelos, ressaltando que um erro na numeração das páginas foi corrigido e justificado nos próprios autos. Ele se referia à acusação do advogado Lúcio Adolfo da Silva, de que o “processo é trambicado” por causa da falta de peças e páginas. “Se a defesa em tudo enxerga ladroagem, será que alguém está roubando dos senhores?”, indagou, dirigindo-se aos jurados.

18h25 – “Esse é o julgamento da década. Absolvam ou reconheçam a menor participação dele”, finalizou o advogado de Bruno. O promotor Henry Wagner disse que vai usar o direito da réplica.

18h03 – “O promotor foi brindado com o atestado de óbito que a juíza deu”, voltou a dizer. “Pode até ter existido o quadro que o menor descreve, mas quem disse que ela morreu ali?”, afirmou. “O certo é que nós não temos prova”.

Ele questionou a ausência do corpo de Eliza. “Houve asfixia? Os senhores podem dizer que sim. Mas se procurarem no processo não vão achar resposta. Os senhores estão sendo chamados para o pior momento: julgar o caso da década. E não queiram uma condenação a qualquer preço”, pediu aos jurados.

17h55 – Adolfo tentou desqualificar Macarrão. “Macarrão não gostava da Ingrid, não gostava do menor, porque era o primo. Macarrão subtraiu dinheiro dele (Bruno”, acusou.

Ele pediu que o julgamento fosse paralisado para que as investigações sobre o envolvimento de Zezé no crime fosse apurado. E pediu aos jurados para que entendam que a participação no assassinato de Eliza foi “menor”, o que permitiria a juíza reduzir a pena dele.

17h38 – Lúcio Adolfo volta a dizer que a promotoria não tem provas contra seu cliente a não ser um acordo firmado com Macarrão na época do seu julgamento. “Procurem uma prova que não seja essa negociata com o Macarrão”. Ele tentou desqualificar também o primo de Bruno que denunciou o crime, Jorge Luiz, dizendo que ele era usuário de drogas desde os 12 anos. “Os senhores vão permitir que sejam tão usados assim”, apelou aos jurados.

17h31 – “Pretende-se um julgamento quando a investigação sequer terminou (…) Ninguém quer fazer o correto. Investigar esse caso e julgar o processo depois. É outro factoide”, disse Adolfo, referindo-se a inclusão do nome de Zezé como mais um envolvido.

17h27 – “Eu estava cansado de ouvir todo mundo perguntar por que o Bruno está preso”, disse Adolfo. “Eu cheguei no Tribunal de Justiça e disse: “doutor, não vim pedir liberdade para ele, não. Vim pedi prisão domiciliar para que ele possa trabalhar. O Bruno tinha proposta de emprego (…) Ontem foi julgado e foi negado”.

16h46 – Ele critica o sumiço de 300 páginas no processo. “Tem um ladrão de peças aqui no fórum de Contagem”, disse Adolfo. Ele lembrou que a juíza Marixa acatou seu pedido de abertura de processo por causa disso, mas comparou que neste caso, o andamento da justiça está mais lento.

16h39 – Ele tentou desqualificar novamente o atestado de óbito que confirma a morte de Eliza. E questiona entrevista dada pelo promotor dizendo que Jorge, o primo de Bruno que revelou como Eliza foi morta, mentiu ao Fantástico, quando deu versões diferentes daquela registrada nos autos.

16h34 – Lúcio Adolfo, como era de se esperar, tenta desqualificar as provas dos autos, dizendo que a promotoria não tem provas do assassinato do Eliza, e que se baseia apenas em reportagens.

16h23 – O advogado Lúcio Adolfo assume a palavra e rebate o promotor Henry Vasconcelos, dizendo que a “advocacia não é uma prostituta escarlate”, como afirmou Vasconcelos em sua argumentação desta manhã.

16h18 – Lenoir: “Bruno Samúdio ficou sob os cuidados de Dayanne e não sob cativeiro. Em momento algum, está descrito no processo que a ré Dayanne teve vontade de sequestrar o bebê”. “No que tange à absolvição da Dayanne, os senhores terão a tranquilidade de voltar para casa”

16h11 – Tiago Lenoir até o momento fala com os jurados usando o fato de o promotor ter absolvido Dayanne para pedir também sua absolvição. “Ela já teve o prejuízo moral para estar próxima às pessoas envolvidas nesse processo. Se tem alguém aqui que contribuiu para a verdade esse alguém se chama Dayanne”, afirmou. Ele lembrou que os quatro meses que ela permaneceu presa como “inocente”.

16h01 – Simim falou rapidamente e passou a palavra a um dos advogados de Bruno, Tiago Lenoir. Antes de encerrar, lembrou das dificuldades que sua cliente passou. “Dayanne chegou a transferir, com tanta dificuldade, seu prato de comida para o Bruno, que precisava, tinha um desgaste muito grande. E ficou encarcerada meses, longe da família, de seus filhos”.

15h56 – Sessão é retomada no fórum de Contagem. O advogado de Dayanne, Francisco Simim, é o primeiro a falar. Ele acaba de agradecer ao promotor Henry Wagner por pedir a absolvição de seu cliente. “Dayanne jamais vai esquecer desta situação”, disse o advogado.

14h50 – A sessão está interrompida para o almoço e deve ser retomado por volta das 16h.

14h21 – “São vocês, senhores, que vão nos dizer se esse País tem ou não justiça”, finalizou Arteiro.

14h05 – Promotor pede a condenação de Bruno e a absolvição de Dayanne e encerra sua argumentação, que passa agora para o assistente de acusação, José Arteiro. Henry Wagner diz que o goleiro deixou a “mãe de suas filhas à mercê de Zezé. E Bruno conhecia o Zezé”.

13h54 – O promotor diz que Eliza chegou a Minas Gerais na madrugada do dia 6 de junho, trazida na Land Rover do goleiro. “Eliza chega em Minas e é levada para o motel, onde todos se hospedaram, inclusive Bruno e Fernanda”. Segundo ele, nenhum dos presentes no jogo 100% confirmou ter visto Eliza. Mas disseram que Fernanda estava lá. Pelo depoimento de Bruno, a modelo estava lá com o bebê. Segundo Vasconcelos, ela estava presa no sítio porque todas as janelas e portas estavam fechadas, e ninguém podia entrar na casa naquele dia.

13h52 – Momento de constrangimento. O promotor lê trechos da carta que Bruno escreveu para Fernanda na prisão, na qual chama Fernanda de “amor” e afirma estar com saudade. O goleiro promete, na carta, casar com Fernanda quando “tudo terminar”. Na sala do júri, está a atual mulher de Bruno, Ingrid, que já estava com ele na época da carta.

13h27 – O promotor relembrou o depoimento de Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno que acabou assassinado. Segundo esse depoimento, Sérgio assistiu o goleiro dizer a Macarrão após o crime: “Pode ir dormir, bundão”. E Macarrão teria respondido: “Você nunca mais vai me chamar de bundão”.

E continuou: “Quando se está afundando o barco, até jacaré é porco. A defesa de Bruno em toda essa trama é uma prostituta Escarlate. É mais fácil tirar um dente da boca desta desgraça do que a verdade”.

13h17 – “Na palhaçada que foi feita no julgamento passado, Bruno deixou Macarrão só.  E Macarrão disse que não se sentia traído, mas rejeitado”, disse o promotor. E o Macarrão não só confessou “em partes”, como disse a Bruno para “deixar a menina em paz”. “Não sou bandido nem vagabundo”, alertando que a “corda sempre arrebenta o lado mais fraco”. E Bruno teria dito: “Deixa comigo, eu sou pica. Larga de ser bundão”.  Essas frases são do depoimento de Macarrão em seu julgamento, em novembro de 2012.

13h14 – “O plano A era que fosse negada qualquer forma de constrangimento sobre Eliza. E Bruno mentiu, vergonhosamente mentiu, dizendo não ter conhecimento nenhum do fim da Eliza”, disse Henry Wagner Vasconcelos.

13h13 – Numa referência à carta publicada pela revista Veja, na qual Bruno pede a Macarrão para adotar o “plano B”, o promotor fala também sobre o Plano A, que Bruno disse nessa quarta não existir. “O plano A era que o Macarrão se preservasse em silêncio, para que o fato fosse negado. E Macarrão ficou em silêncio no inquérito, ficou em silêncio no processo. Só foi falar no julgamento”, afirmou.

13h11 – O promotor cita outra mentira, segundo ele, do depoimento: “O Bruno disse que estava acertando os ponteiros com Ingrid na praia, quando Macarrão passou a atrapalhar, ligando insistentemente para ele e até para Ingrid, relatando que o Jorge tinha batido na Eliza. E que Bruno não o atendeu.

“Naquela noite foram feitos diversos contatos entre o Macarrão e o Bruno”, afirmou o promotor, ao contrário do que disse o goleiro. Demonstramos para vossa excelência as mentiras. Na noite de sequestro de Eliza, ele teve a iniciativa de estabelecer vários contatos telefônicos para Macarrão, e não o contrário”. “Esse criminoso vacila”, disse o promotor.

Na mesma noite do dia 4 de junho, a partir das 23h15, Bruno passa a estabelecer contatos telefônicos com Elenilson, o caseiro do sítio que o goleiro disse nessa quarta não ter conseguido falar. “Bruno é o articulador, ele está no comando”, reitera o promotor.

12h56 – Disse o promotor que, no dia 4 de junho de 2010, Eliza recebeu várias ligações telefônicas e fez várias “para o telefone celular de final 51567, que é a finalização da máscara do celular usado por Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão”.

Eliza recebeu uma ligação telefônica dele às 21h07 de 4 de junho de 2010. Após ela receber essa ligação do Macarrão, Eliza, que tinha intensos contatos telefônicos, fica privada de seu celular por cinco dias. “E ela estava como convidada no sítio do Bruno”, ironizou o promotor sobre a versão do Bruno.

No dia 9, ela ligou para uma amiga para dizer a ela que não se preocupasse com ela. “Todas estavam preocupadas”, afirmou Henry Wagner. “Eliza foi assassinada no dia 10”. Eliza foi subjugada para viajar para Minas Gerais. Quando entrou no carro dirigido por Macarrão, “foi agredida por Jorge Luiz com coronhadas na cabeça”.

12h38 – Eliza disse a essa amiga que iria ao Flamengo com seu filho porque, segunda ela, não aguentava mais pedir dinheiro a Macarrão. A condição que Bruno impôs para resolver a situação era que Eliza retirasse a queixa da agressão sofrida por ela.

12h33 – O promotor disse que, por volta das 19h do dia 4 de junho, a declarante não fez mais contato com as amigas. “Outra testemunha e amiga, com quem ela estava morando no Rio de Janeiro até ser sequestrada, relata que no inicio da gravidez estava com Eliza no quarto do hotel Transamérica quando Bruno entrou no apartamento, puxou os cabelos de Eliza e disse que era para ela negar a gravidez, e que levou o celular de Eliza”.

12h32 – Em uma das mensagens pela internet, Eliza disse a uma amiga. “Oi, até hoje não entendi porque o Bruno mudou da água para o vinho comigo. Não consigo entender essa mudança repentina”, sobre a amabilidade repentina do goleiro. Para o promotor, ele buscava atraí-la para uma armadilha. Em outra mensagem, ela dizia que iria para a “terra do Bruno”. “Vou só com passagem de ida. Vão me matar lá“, disse na mensagem.

12h17 – O promotor reproduziu frases de Bruno faladas para Eliza durante sua gravidez. “Eu quero que você morra e se f., e que (sic)  esse é um problema só seu”,  teria dito o goleiro no dia “5 ou 6” de setembro a ela, quando Eliza ligou dizendo que estava sangrando.

12h11 – O promotor denuncia o envolvimento de Bruno com o tráfico de drogas. E cita o volume 59 dos autos, no qual o segurança de Nem da Rocinha, Vinícius Barbosa da Silva, relatou ter visto Bruno conversando com o traficante na favela carioca, e que ele frequentava o local sempre. “Bruno fazia todas as transações com o Rei da Rocinha pessoalmente”, afirmou.

12h09 – O promotor diz que “Bruno protagonizou o mando, o comando, a articulação de todos os agentes em volta dele, de suas mulheres, de seus primos, de seus empregados, de seus amigos, na instrumentalização, inclusive, sobretudo, de seus imóveis no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, de seus recursos, ele protagonizou o direcionamento de uma trama para atrair Eliza. No instante já acusada, a atraiu ao Rio e de lá trouxe para Minas Gerais”, onde ela foi submetida ao cárcere privado e assassinada.

12h00 – O promotor desmentiu a versão de Bruno de que se relacionou com Eliza apenas uma vez, por 20 minutos. “Destacamos muitas mensagens transmitidas por meios eletrônicos de Eliza para amigos seus. O notebook felizmente não foi queimado por essa gente calhorda, covarde. Eliza, num diálogo de 5 de fevereiro de 2010, quatro meses antes, escreveu a um amigo: “É bom na varanda, eu fazia direto com Bruno olhando para o mar. É bom demais”.

11h35 – Depois de um intervalo de 15 minutos, a juíza Marixa Rodrigues tenta recomeçar a sessão para o início dos debates, mas os advogados de defesa de Bruno atrasam os trabalhos porque estão do lado de fora do fórum dando entrevistas. Marixa convocou nominalmente Lúcio Adolfo, Tiago Lenoir e Francisco Simim. Em instantes, o promotor Henry Wagner vai falar por duas horas e seu assistente, por mais 30 minutos.

11h27 – Para o promotor do caso, Henry Wagner Vasconcelos, o interesse manifestado pelos sete jurados na quarta-feira, assim como as perguntas feitas por eles a Bruno, mostram que eles estão dispostos a aplicar uma condenação “exemplar” no julgamento.

11h05 – Bruno acaba de mudar sua versão dada no depoimento dessa quarta-feira. Perguntado por seu advogado Lúcio Adolfo se sabia que Eliza iria morrer,  ele disse que sim. “Sabia e imaginava”, afirmou o goleiro. “Pelas brigas constantes, pelo fato de eu ter entregado ao Macarrão o dinheiro”. E emendou: “Agressões do Macarrão”. Foram as únicas palavras de Bruno, que novamente se retirou da sala do júri para não responder aos questionamentos da defesa de Bola.

10h46 – Além de Dayanne, Bruno também prestará esclarecimentos adicionais em instantes no Fórum de Contagem, onde os dois estão sendo julgados desde segunda-feira. A informação é do advogado dele, Tiago Lenoir. “Ele vai falar”, disse Lenoir. Até o início dos debates, tanto a defesa quanto a acusação têm o direito de requerer esclarecimentos adicionais dos réus, que podem ou não respondê-los.

Neste momento, o advogado Ércio Quaresma, que defende Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, faz perguntas dirigidas à cadeira onde estava Dayanne. Ela se retirou da sala do júri por orientação de seus defensores para não responder tais questionamentos, a exemplo do que fez Bruno na noite de ontem.

10h21 – Na primeira ligação que recebeu do Zezé, a ex-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues do Carmo, relatou ter sido perguntada por ele se estava com o bebê de Eliza. Dayanne disse que negou por orientação de Macarrão. Depois Zezé ligou novamente, “bastante alterado e nervoso”, afirmou. Nesse telefonema, ela teria dito que já sabia que Bruninho estava com ela, porque o Macarrão havia lhe contado, e que não era para levá-lo a delegacia.

Disse que era para entregá-lo ao Emerson, o Coxinha.”Entreguei a criança ao Coxinha porque não tinha nada que desabonasse ele”, afirmou a ré. Afirmou também que o policial civil tinha ligado para a delegada Alessandra Wilke e que ela não estava procurando Dayanne, e sim Eliza e seu filho.

Zezé será investigado em novo processo pelo Ministério Público por sua participação no crime, que veio à tona este ano depois que a quebra de sigilo telefônicos dos réus apontou 37 ligações entre ele e Macarrão nos dias em que Eliza foi assassinada. Para o promotor Henry Wagner, foi Zezé quem apresentou Bola a Bruno e Macarrão.

Questionada se teve medo da situação, ela disse que sim. “Tinha e estou com medo do Zezé agora. Senti medo naquele momento como estou sentindo agora, pelo que o Bruno falou ontem aqui. Dele, tanto do Luiz como da situação”. Ela disse ainda que teme pela própria vida e pela de suas filhas.

10h09 – Neste momento, Dayanne está sendo novamente interrogada, para esclarecimentos adicionais sobre as ligações entre ela e o policial José Lauriano, o Zezé, apontadas pela quebra de sigilo telefônico pedida pela promotoria. O interrogatório foi solicitado pela defesa dela.

Foram registradas cinco ligações entre os dois no momento em Dayanne levava Bruninho para ser entregue a Emerson, o Coxinha, nas margens da BR-040, em Contagem.

9h51 – A juíza Marixa Rodrigues acaba de abrir a sessão no último dia de julgamento de do goleiro Bruno e sua ex-mulher Dayanne do Carmo Rodrigues, acusados de envolvimento na morte de Eliza Samudio.

Deve começar em instantes o debate entre acusação e defesa dos réus. É grande a expectativa pela condenação do goleiro, que na última quarta-feira prestou um depoimento repleto de contradições.

Os próprios advogados de Bruno já admitem a condenação, e afirmam que vão tentar trabalhar no debate para atenuar a pena tentando eliminar os qualificadores do crime. Já a promotoria espera que o réu pegue pelo menos 30 anos de prisão.

Bastante assediada na entrada do fórum de Contagem, a mãe de Eliza, Sônia Moura, voltou a dizer que Bruno mentiu em seu depoimento de ontem. “Ele ia entrar mesmo em contradição, tanto que ele não permitiu que o senhor promotor e os advogados de acusação fizessem perguntas a ele, com medo. Mas graças a Deus, o Espírito Santo tem agido e eu tenho certeza que o espírito Santo de Deus está sobre a cabeça da Justiça, e a Justiça vai ser feita”, disse Sônia Moura, que pediu novamente que o réu diga onde está o corpo de sua filha.

9h06 – O promotor responsável pela acusação, Henry Wagner Vasconcelos, afirmou ontem que vai pedir pena próxima à máxima ao réu – 30 anos no Brasil – , por homicídio triplamente qualificado. O sete jurados – cinco mulheres e dois homens – irão decidir se Bruno é culpa e qual seriam as qualificadoras para o  crime.

8h00 – Bruno chega ao Fórum de Contagem para o julgamento

O julgamento do ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes das Dores de Souza, de 28 anos, entra na fase final  e seu destino pode ser definido nesta quinta-feira, 7,  pelos jurados, quando ocorre a quarta, e possivelmente última, sessão do júri. Acusado de mandar sequestrar e matar a ex-amante Eliza Samudio, de 24 anos, com quem teve um filho, o atleta está sendo julgado em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde está preso. Em seu depoimento, nessa quarta-feira, ele admitiu, pela primeira vez, saber que Eliza está morta, mas disse não ter sido o mandante do crime, atribuindo a culpa a Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, seu braço direito na época, que já foi condenado em outro julgamento.

Veja como foi o primeiro dia de julgamento

Veja como foi o segundo dia de julgamento

Veja como foi o terceiro dia de julgamento

 

Bruno é orientado por um de seus advogados na sala de julgamento. Foto: Bernardo Salce/Agência I7

Nesta quinta-feira, inicia-se a fase de debates, na qual a defesa do goleiro deve afirmar que ele foi apenas omisso em relação à morte da ex-amante. Sete jurados, sendo cinco mulheres e dois homens, devem responder às perguntas da juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, determinando assim se Bruno é culpado ou inocente e qual seria sua pena. O promotor responsável pela acusação, Henry Wagner Vasconcelos, afirmou que pedirá pena próxima à máxima ao ex-goleiro do Flamengo, já que ele não confessou o crime de homicídio triplamente qualificado – por lei, o tempo limite de prisão no Brasil são 30 anos. “Qualquer pena abaixo de 30 anos vamos recorrer”, adiantou.

A ex-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues do Carmo, que responde por sequestro e cárcere privado da criança que o jogador teve com a vítima, também está sendo julgada. Na terça-feira ela prestou depoimento por cerca de quatro horas e negou envolvimento no crime. Disse, no entanto, ter visto todos os acusados no sítio do ex-atleta do Flamengo na época, em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Além de dois julgamentos de outros três acusados, marcados para abril e maio, novas investigações estão em andamento para apurar a possibilidade de outros dois ex-policiais civis mineiros terem participado do assassinato com Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, outro ex-agente acusado formalmente pelo crime.

Bruno e Dayanne já estiveram à frente de um júri popular em novembro, mas não foram julgados. Após uma série de manobras da defesa, o processo foi desmembrado, primeiro em relação ao ex-policial, o Bola, que será julgado em 22 de abril, e também no caso do goleiro e da ex-mulher. Outra ex-amante de Bruno, Fernanda Gomes de Castro, foi condenada com Macarrão na época.

A decisão do júri não será o desfecho da história. Além de dois julgamentos de outros três acusados, marcados para abril e maio, novas investigações estão em andamento para apurar a possibilidade de outros dois ex-policiais civis mineiros terem participado do assassinato com Bola.