Acompanhe o quinto dia de julgamento de Bola, acusado de matar Eliza Samudio

Viviane Bittencourt

26 de abril de 2013 | 11h10

19h59 – Prossegue há nove horas a leitura de peças no julgamento de Bola. Terminou agora há pouco a leitura de depoimento do ex-caseiro do sítio de Bruno, Elenilson Vitor, que responde por sequestro e cárcere privado. Ele afirmou que, durante o período em que Eliza ficou no sítio de Bruno, em Esmeraldas, ela foi muito bem tratada. Neste momento, está sendo lido o depoimento da mulher de Elenilson. Entre outras coisas, ela afirmou que o filho de Bruno foi muito bem tratado no sítio, e que era um bebê muito querido. Afirmou também que não viu a modelo ser ameaçada e nem queima de objetos dela.

19h07 – Mais uma vez, o advogado Ércio Quaresma, que defende Bola, recorre a manobras para prolongar o julgamento e fazer provocações, ignorando o fato de já ter sido repreendido na quinta-feira com a cassação de seu direito de fazer perguntas a uma testemunha.

Durante a leitura do depoimento do delegado Wagner Pinto, um dos coordenadores das investigações sobre a morte de Eliza, Quaresma entrou abruptamente no plenário dizendo que conseguiu um habeas corpus no Tribunal de Justiça de Minas Gerais para exibir um vídeo de duas horas de duração com depoimento de Sérgio Rosa Sales. Na véspera, a juíza Marixa Rodrigues havia limitado o tempo para exibição de vídeos em uma hora. Ao acatar o recurso de Quaresma, porém, o desembargador determinou que a leitura das peças seja suspensa.

Quando ele entrou, a juíza não estava na sala. Mesmo assim, Quaresma se dirigiu ao funcionário que fazia leitura do depoimento de Wagner Pinto mandando que ele parasse de ler sob pena de ser penalizado. Ao voltar, a juíza o repreendeu. “O senhor entrou aos brados. O senhor não tinha ordem para mandá-lo parar a leitura”, disse a juíza a Quaresma. “Esse moço mente”, falou o advogado. E a juíza respondeu “Aguardasse meu retorno. Eu que presido. Doutor, o senhor está advertido”, afirmou Marixa.

15h – Entre os depoimentos lidos na tarde desta sexta-feira no julgamento de Bola está o do primo de Bruno Sérgio Rosa Sales, que na época do desaparecimento de Eliza era menor de idade. Sérgio foi assassinado em 2012, segundo a polícia, em um crime passional. Ele foi uma das testemunhas-chave durante as investigações, e revelou detalhes importantes do que teria ocorrido nos dias que antecederam a morte da amante de Bruno.

Sérgio deu versões conflitantes em depoimentos diferentes para a polícia e para a imprensa. No depoimento que foi lido no Fórum de Contagem ele conta ter perguntado a Jorge, o outro primo de Bruno na época que estava sempre ao lado de Macarrão, sobre a viagem de volta de Eliza ao Rio de Janeiro. Segundo o depoimento, a resposta de Jorge a ele foi: “Nós levamos ela para morrer”.

No dia em que a modelo teria sido assassinada, Sérgio contou que Macarrão e Jorge voltaram ao sítio sem Eliza, apenas com Bruninho. Na carta, ele disse também ter apanhado durante um depoimento na delegacia, levando um soco no peito. Sérgio também fala neste depoimento sobre sua relação com Dayanne. Segundo ele, a ex-mulher de Bruno foi sua “segunda mãe”. E conta que foi ameaçado por policiais depois de ter revelado que Bruno teria matado Eliza. Ele estaria sendo chamado de X9.

Para o assistente de acusação José Arteiro, a defesa de Bola está desesperada e não percebe que está cansando os jurados. O advogado do réu Fernando Magalhães afirmou que a defesa vai precisar de mais tempo para leitura de peças, que prossegue neste momento. Portanto, não há expectativa para o término desta etapa do julgamento.

 

11h – O quinto dia do julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, começou com a leitura de depoimentos por carta precatória de testemunhas consideradas importantes para o Ministério Público. Depois passaram a ser lidas as peças de defesa. Segundo os advogados do réu, eles pediram a leitura de 3 mil páginas. Só depois é que Bola deverá ser ouvido, o que pode não acontecer hoje.

O destaque até o momento fica por conta da leitura da carta da dentista Ingrid Calheiros, atual mulher do goleiro Bruno e namorada dele na época do desaparecimento de Eliza Samudio. A dentista diz que Bruno dizia não saber do paradeiro de Eliza e que esperava que ela fosse encontrada. Ela também afirmou ter ouvido do namorado que “Bola seria um matador”.

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