Veja como foi o segundo dia de julgamento de Mizael Bispo

Felipe Tau

12 de março de 2013 | 09h26

21h – O julgamento de Mizael Bispo será retomado nesta quarta-feira.

20h50 -Após fim da sessão, o assistente de acusação Alexandre de Sá conversa com jornalistas. Ele diz que a primeira testemunha da defesa, a corretora de imóveis Rita Maria de Souza, demonstrou pelo testemunho que não tinha intimidade com Mizael e Mércia para poder falar sobre o relacionamento dos dois. Ele também disse que nesta quarta-feira deverão ser ouvidas quatro pessoas: 3 testemunhas da defesa e uma do júri. Para o advogado, Mizael será ouvido apenas na quinta-feira.

Quem também falou com os jornalistas foi o promotor Rodrigo Merli Antunes. A avaliação dele é positiva para a acusação. Disse que a defesa não consegue surpreender e que a única surpresa é que uma das testemunhas da defesa informou dados que mostram a relação de Mizael com o crime. “A defesa fez um favor trazendo mais uma testemunha que mostra a ligação de Mizael com o crime”, disse. Ele também disse que esperava uma maior participação de Mizael, que é advogado, durante o julgamento. Disse que não percebeu nenhuma intervenção do réu, embora este tenha falado algumas vezes com seus advogados durante o dia. “Para mim não fez a menor diferença ele estar no plenário”. Ontem, Mizael teve que deixar a sala a pedido das testemunhas.

20h34 – Juiz Leandro Bittencourt Cano encerra o segundo dia de julgamento.

20h33 – Acusação encerra as perguntas ao investigador Alexandre Simoni Silva.

20h33 –Testemunha diz que Mizael tentou ligar para Mércia 3 vezes após o dia do crime.

20h27 – Pela primeira vez, Mizael se senta na bancada dos advogados de defesa. Anteriormente, ele estava em uma cadeira ao lado. Ele conversa muito com o defensor Samir Haddad Junior.

20h17 – Testemunha diz que há incompatibilidade entre a localização do carro de Mizael e os dados de localização do celular usado por Mizael.

20h15 – Testemunha diz que Evandro ligou cerca de 30 vezes para o irmão de Mizael após troca de número e, portanto, após o dia do crime.

20h07 – É pedido para que parem a gravação para que a testemunha divulgue um dado técnico. Isso porque a revelação deste dado pode comprometer outras investigações. A resposta é sobre como a polícia descobriu que Evandro trocou de chip de celular após conversas com Mizael e o dia do crime.

20h –
Testemunha diz que ao terminar as ligações feitas para Mércia, Mizael ligava para Evandro.  Para falar com a vítima, ele ligava em celular cadastrado no nome dele. Para falar com Evandro, ele utiliza celular que não está no nome dele.

19h55 – Testemunha diz que Mizael disse durante depoimento que não revelou ter um determinado número de celular porque não o usava muito. Mas a testemunha alerta que foram registradas 19 ligações entre Mizael e Evandro neste celular. O número não está cadastrado no nome de Mizael.

19h54 – Uma das cinco juradas passou mal, por isso audiência teve intervalo de cinco minutos por volta das 19h.

19h50 – Testemunha diz que participou da reconstituição. Diz que não se lembra de terem simulado disparos no dia. Defesa encerra perguntas. É a vez da acusação fazer as perguntas a Alexandre Simoni Silva.

19h47 – Acusação e defesa concordam em usar a gravação do depoimento de Alexandre Simoni feita por uma emissora de TV. Audiência é retomada do ponto que parou.

19h39 – Problema técnico no fórum de Guarulhos. Juiz diz que o testemunho de Alexandre Simoni Silva não foi gravado, ele começou a falar após queda de energia. Caso não encontrem nenhum outro registro, eles vão refazer as perguntas para a testemunha.

 

19h37 – Os jurados parecem cansados durante o segundo dia de júri. Após os questionamentos da defesa, o policial civil ainda responderá à acusação. Alexandre Simoni Silva foi campeão mundial de xadrez nos jogos policiais. Neste momento, demonstra a movimentação de Bispo de Souza por Guarulhos.

19h19 – Transmissão é retomada. Testemunha e advogado de defesa voltam a refazer os trajetos de Mizael e Evandro no dia do crime.

19h06 – Juiz interrompe a transmissão para que seja montado equipamento para mostrar mapa com dados de localização de Mizael e Evandro no dia do crime.

19h03 – Após quase uma hora e meia sem luz, a energia retorna ao Fórum Central de Guarulhos.

19h01 – Mizael acompanhou todos os depoimentos do dia e conversou muito com os advogados. Agora, já demonstra cansaço e chegou a bocejar. A defesa estima que ele seja ouvido apenas na quinta-feira.

18h59 – Fim do expediente no Fórum Central de Guarulhos. Funcionários vão embora, sobram apenas aqueles diretamente envolvidos no julgamento, além da imprensa.

18h54 – Ainda sem energia, o Fórum Central de Guarulhos permanece às escuras no início desta noite, com exceção da sala de julgamento. A EDP Bandeirante, companhia que presta serviços de energia elétrica na cidade, está tentando identificar a origem do problema. Segundo funcionários da companhia, todo o centro de Guarulhos está sem luz.

18h48 – Ele fala dos registros obtidos pelos dados do GPS. Ele relata onde o carro de Mizael estaria no dia 23 de maio de 2010, dia do crime.

18h44 – Alexandre diz que Mércia recebeu uma ligação de Mizael no dia do crime. Ele diz que a ligação não foi atendida. Ele também revela que Mizael ligou 41 vezes para Mércia e que ela ligou 127 vezes para o ex durante o período analisado pelo investigador.

18h42 -Testemunha responde perguntas técnicas sobre telecomunicações. A defesa quer saber até onde vai o conhecimento dele sobre o assunto.

18h35 – Alexandre Simoni Silva diz que não participou das investigações de campo, apenas das análises das contas de telefones das pessoas envolvidas no caso. Ele também presenciou depoimentos de Mizael e Evandro. Também comenta que acompanhou a reconstituição.

18h33 – Defesa pergunta como ele fez as análises sobre os telefones usados por Mércia e Mizael. Como não é especialista, ele explica que verificou os padrões das ligações.

18h28 – Testemunha diz que um dos números analisados não estava em nome de Mizael, e sim no nome de uma pessoa de Cotia, embora ele usasse o número.

 

18h25 – Mizael ligou para Mércia 41 vezes em um telefone fixo, diz a testemunha. Ele diz que não se lembra o endereço do número, mas acredita que seja da casa da vítima.

18h22 – Ele diz que as análises sobre o telefone de Mizael não condiz com o depoimento do réu.

18h19 – A segunda testemunha da defesa, o investigador Alexandre Simoni Silva, pede para que sua imagem não seja divulgada. Ele participou das investigações sobre os dados referentes a telefonia.

18h15 –A sessão é retomada e o juiz dispensa a testemunha de defesa, a corretora de imóveis Rita Maria de Souza. A sala do julgamento do caso Mércia é a única do Fórum Central de Guarulhos que está com luz. Um gerador foi acionado para dar prosseguimento ao júri, mas o ar-condicionado não funciona sem a retomada total da energia. Assim, os presentes na sala vão ter de suportar o calor, que está em 29° em Guarulhos, mas ainda mais intenso dentro do Fórum. Exceto a sala de julgamento, o prédio de três andares permanece sem luz.

Enquanto não volta a energia no Fórum Central de Guarulhos, os advogados envolvidos no julgamento concedem entrevistas aos jornalistas. O promotor Rodrigo Merli Antunes fez um balanço do júri: “Ontem foi muito positivo para a acusação, assim como hoje. Tudo se encaminha para que o veredicto final seja pela acusação”. Sobre as discussões que estão acontecendo no julgamento, o promotor Rodrigo Merli Antunes afirmou: “Acredito até que estamos elegantes demais”.

17h43 – A perspectiva dos advogados de defesa é que Mizael Bispo seja ouvido apenas na quinta-feira.

17h34 – Falta energia no fórum de Guarulhos e juiz faz intervalo de 5 minutos.  Segundo os funcionários, há um gerador que será acionado para dar prosseguimento ao julgamento. Um funcionário do local afirma que é comum faltar luz: “A energia cai até quatro vezes em um dia. É normal”.

17h30 – Acusação encerra as perguntas. Um jurado tem uma pergunta para a testemunha.

17h26 – Ela diz que ficou cerca de oito dias recolhendo assinaturas no abaixo-assinado pela liberdade de Mizael.

17h22 – Rita responde as perguntas da acusação. Ela diz que assinou um abaixo-assinado pedindo a libertação de Mizael.

17h19 – Testemunha diz que Mércia voltou algumas vezes ao escritório de advocacia para buscar documentos após ter deixado a sociedade. Ela disse que nunca presenciou briga entre eles.

17h16 – A testemunha da defesa diz que Mizael era “cavalheiro” com Mércia. Diz que ele a ajudou muito no início e que todos os clientes do escritório eram dele.

17h12 – Rita diz que permitiu que fosse colocado o cartaz de Mércia desaparecida na corretora. Ela diz que retirou o cartaz após alguns dias porque manchou a parede.

17h10 – Rita diz que Mércia começou a dividir o escritório com Mizael em 2005. Disse que quando ela passou a trabalhar com ele o escritório já estava montado.

17h09 -Testemunha diz que conhece Mizael desde 2004, quando ele abriu o escritório de advocacia, que fica na parte de cima da corretora.

17h05 – Juiz chama a primeira testemunha da defesa, a corretora de imóveis Rita Maria de Souza. Assim, a defesa começa fazendo as perguntas.

O advogado da OAB Arles Gonçalves Júnior, testemunha de acusação no julgamento, permaneceu menos de uma hora na sala do júri. Ao ser dispensado pelo juiz, Gonçalves Júnior conversou com a imprensa. “A defesa quer criar situações, e a gente entende, eles estão fazendo o trabalho deles”, afirmou. 

17h03 – Advogado de defesa pergunta por detalhes sobe a reconstituição, por exemplo, de qual lado o carro foi posicionado na represa e das perguntas que eram feitas no dia.

17h – Arles Gonçalves Júnior lembra que a reconstituição foi demorada, que não foi feita de uma vez só.

16h58 – Juiz interfere e diz que advogado de defesa terá que fazer a pergunta a ele para que ele pergunte para a testemunha.

16h56 – Advogado de defesa e acusação discutem. Acusação diz que advogado de Mizael está querendo mudar a versão de uma resposta da testemunha.

16h52 – Advogado lembra que o vigia disse que se sentia ameaçado.

16h50 –  Testemunha dá detalhes da reconstituição do crime. No entanto, diz que não se lembra, por fazer dois anos, se houve simulação de disparos no dia.

16h45 – Defesa começa as perguntas ao advogado Arles Gonçalves Júnior. Ao contrário de ontem, quando as testemunhas pediram para que o réu não ficasse na sala, Mizael assiste ao testemunho.

16h43 – Testemunha lembra que o vigia disse em depoimento o caminho que fez com Mizael no dia crime, mas ele não se recorda porque não conhece bem a região.

16h25- Advogado disse que esteve com Evandro durante interrogatório. De acordo com a testemunha,  o vigia esteve com Mizael no dia do crime na região onde o carro de Mércia foi encontrado.

16h15 – Sessão é retomada. O Advogado Arles Gonçalves Júnior responde as perguntas.

16h06 – Questionado sobre um trecho do livro de Mizael em que é citado, o delegado Antonio Olim parafraseou o réu: “Mizael fala no livro que está na cova dos leões. Hoje era o Olim na cova dos leões”. O delegado é testemunha de acusação e foi o segundo a falar na manhã de hoje.

16h01 – Após o anúncio do intervalo, o assistente de acusação, Alexandre de Sá Domingues, demonstrou-se otimista. A jornalistas ele afirmou que “até agora [o julgamento] está extremamente positivo para a acusação”. Sobre as brigas que ocorreram durante a manhã, entre o promotor Rodrigo Merli Antunes e o advogado Ivon Ribeiro, da defesa, Sá Domingues disse que a intenção da defesa foi “tumultuar”. 

14h50- Sessão é interrompida para o almoço e será retomada daqui a uma hora. O advogado Arles Gonçalves Junior, que acompanhou os depoimentos do vigia Evandro Bezerra da Silva, apontado como cúmplice na morte de Mércia Nakashima, deve ser a próxima testemunha de acusação ouvida.

14h33 – O  juiz Leandro Bittencourt Cano faz as perguntas do advogado Ivon Ribeiro ao delegado Antonio de Olim para tentar conter evitar provocações e conter os ânimos na sala. O recurso também foi usado no primeiro dia de julgamento, quando a defesa e o irmão de Mércia Nakashima, Márcio Nakashima, começaram um bate-boca.

14h31 – Apesar do julgamento de Mizael, a movimentação no Fórum Central de Guarulhos segue em ritmo normal. Quem chega com ofício está sendo atendido normalmente, segundo os funcionários do local. Na porta da sala onde está acontecendo o julgamento, a movimentação é bem menor que nessa segunda-feira. Poucas pessoas solicitam entrar na sala. O julgamento segue com a primeira testemunha do dia e em breve o juiz fará intervalo para almoço.

14h11 – O promotor Rodrigo Merli Antunes e o advogado Ivon Ribeiro começam uma discussão sobre o dia em que Evandro Bezerra da Silva foi ouvido pelo delegado Olim. Enquanto o primeiro diz que a oitiva aconteceu na madrugada do dia 11, Ribeiro diz que foi no dia 10. “Mentiroso, mentiroso! O diabo é o pai da mentira. O senhor é amigo do diabo!”, gritou o promotor. “Mentiroso é o senhor”, respondeu o advogado.

14h02 – A defesa pede novamente a reprodução do vídeo com o interrogatório do delegado Olim ao vigia Evandro Bezerra.

13h37 – O advogado Ivon Ribeiro e o juiz discutem sobre o tom do interrogatório. O juiz pede que o advogado não tente constranger o delegado reiterando as perguntas. “São acusações sérias, excelência, as preciso fazer essas perguntas. A testemunha não pode ficar divagando”, disse Ribeiro.

13h31 – O advogado Ivon Ribeiro questiona o delegado, afirmando que não tem conhecimento detalhado dos dados técnicos. Olom respondeu: “Eu não sou técnico, chame um técnico”.

13h28 – Alguns familiares de Mércia Nakashima permanecem sob o sol forte do início desta tarde para protestar e exigir justiça. Portando faixas com os dizeres “Queremos justiça” e camisetas com a foto da advogada, um grupo de cerca de 10 pessoas, em sua maioria mulheres, reclamava não poder chegar mais perto do fórum. “Queríamos entrar lá dentro, mas vamos ter que ficar por aqui mesmo”, afirmou a prima de Mércia, Solange (não quis divulgar o sobrenome). O grupo disse que pretende vir todos os dias ao fórum, até o final do julgamento.

13h25 – Os policiais explicam que o bloqueio das ruas é ordem direta do juiz do caso Mizael. “Nós só estamos tentando evitar problemas. Por causa de alguns, temos de fechar para todos”, disse um deles. Segundo os PMs, as pessoas que portarem ofícios podem entrar no fórum. Já quem pretende alcançar ruas próximas pode fazer caminhos alternativos, sem ter de passar pelos cordões de isolamento.

13h21 – Cerca de 15 pessoas aguardam em frente ao Fórum Central de Guarulhos para ultrapassar os cordões de isolamento. Desde ontem, as ruas ao redor do fórum estão bloqueadas para evitar tumultos. Atrás de alguns cones, o aposentado Vilson Dantas gritava: “O povo tem o direito de ir e vir”. Ele queria atravessar o bloqueio para chegar a ruas próximas. O aposentado também reclamou da segurança de Mizael ao sair do local ontem à noite: “Para proteger réu tem policial, já a gente passar para o outro lado, policial não deixa”.

13h19 – O advogado Ivon Ribeiro inicia faz questionamentos ao delegado Antonio de Olim. Ele questiona como foram colhidas as provas. Os outros dois advogados de Mizael já fizeram suas perguntas.

12h57 – O delegado Olim disse que achou estranho Mizael apresentar tíquete de estacionamento do shopping e cinema, onde esteve com Mércia na noite anterior ao crime. “Nunca vi ninguém guardar tíquete de cinema e estacionamento de shopping. Ele guardou para montar um cenário de que estava bem com ela.” Agora, o delegado Wagner Garcia fará as perguntas.

12h53 – O advogado questionou por que o delegado Olim não pediu o depoimento de um policial militar que o vigia Evandro Bezerra da Silva diz ter encontrado no meio do caminho, na volta da represa Atibainha, de Nazaré Paulista. “O depoimento do Evandro foi tão natural, que não precisou chamar.”

12h47: Ironicamente, o público do Fórum de Guarulhos reagiu a uma declaração do delegado Samir Haddad Júnior com um barulho que denota pena – um “Owwwnnnn”. “A vida de uma pessoa está em jogo aqui”, disse o advodado. “Não é a vida que está em jogo. É o direito de liberdade”, corrigiu o juiz Leandro Bittencourt Cano.

12h40 – O advogado Samir Haddad Júnior usa recortes de jornal para perguntar se o delegado Olim foi afastado da investigação a pedido da família de Mércia Nakashima. Olim negou. O assunto já foi tratado no tribunal ontem, quando o irmão de Mércia, Márcio Nakashima, disse que não pediu o afastamento, embora estivesse insatisfeito com os trabalhos.

12h38 “Não tenho dúvida nenhuma que o Mizael matou a Mércia”, afirmou o delegado Antônio de Olim. Ele passará a responder às perguntas do advogado Samir Haddad Júnior.

12h29 – O advogado de defesa Samir Haddad Júnior faz questionamentos ao delegado Antonio de Olim. Cita uma declaração na qual Olim teria mencionado a suspeita de que houvessem mais de duas pessoas no crime. “Se eu disse isso, e deve ser verdade, mas depois chegamos a outra conclusão”.

12h24 – O juiz Leandro Bittencourt Cano parou a exibição dos vídeos, perguntando se mostra alguma suposta tortura feito pelo delegado Antônio de Olim. “Já estou satisfeito. Temos quase duas horas de vídeos. Se for mostrar inteiro, acho que deveria ficar para a parte de debates”, afirmou o juiz. “Minha intenção foi mostrar o ânimo do interrogador e do delegado”, respondeu o assistente de acusação Alexandre de Sá Domingues. O advogado Ivon Ribeiro disse que também não tinha interesse em continuar assistindo o vídeo. “Não houve tortura filmada ou registrada. É a mesma coisa que pedir um vídeo de alguém estuprando”. O promotor Rodrigo Merli Antunes, retrucou: “É como o vídeo de o Mizael matando a Mércia. Esse aí também não tem.” O juiz pediu para o vídeo não ser mais exibido. O depoimento de Evandro incrimina Mizael. Ele diz que, após buscá-lo, teria perguntado: “E aí, o que você aprontou?” Mizael teria respondido: “Já era. Ela já era, sem comentários.”

12h19 – Os jurados assistem, em um telão, a um depoimento prestado pelo vigia Evandro Bezerra da Silva ao delegado Antônio de Olim. “Ele (o Mizael) já estava na bota dela há tempo. Em maio me procurou para falar que queria matar ela. Eu aconselhava ele: ‘Vai se f… por causa de mulher? Quem vai ser suspeito? Vai ser você. Esquece isso aí, vai viver sua vida’”. Depois, o vigia disse que Mizael o procurou e falou que queria que ele o buscasse na represa de Nazaré Paulista às 9h. “Ele veio me envolver já no final. Ele falou pra mim: o QRU vai acontecer nesse fim de semana. Quero que você vá me pegar lá.”

11h59 – O assistente de acusação, Alexandre de Sá Domingues, advogado contratado pela família de Mércia Nakashima, fez um requerimento para que sejam exibidos os vídeos de dois interrogatórios de Evandro Bezerra da Silva e um de Mizael Bispo de Souza. A defesa interrompeu Domingues alegando que não precisa de ajuda. O juiz autorizou a exibição dos DVDs.

11h55 – A sessão é reiniciada com a interferência do assistente de acusação Alexandre de Sá Domingues. A pedido dele, é projetado um vídeo com o interrogatório de Evandro Bezerra feito pelo delegado Antonio de Olim.

11h38 – Ao ser perguntado pelo promotor Rodrigo Merli Antunes se já foi condenado em algum processo criminal, o delegado Olim contou que, enquanto trabalhava na Divisão Anti-sequestro, chegou a ser denunciado por tortura. Segundo ele, o juiz não aceitou a denúncia. “Nos quatro anos da Divisão Anti-sequestro tirei pais de famílias e até bebês. Acredito que para esses familiares fui anjo. Espero que esses que me culpam de torturador não passem o que essas vítimas passaram.” A pergunta é importante pois a defesa tenta mostrar que o vigia Evandro Bezerra da Silva, apontado como cúmplice, foi torturado para confessar a participação no crime. O juiz Leandro Bittencourt Cano determinou intervalo de cinco minutos.

11h35 – A sessão foi interrompida por cinco minutos a pedido do juiz Leandro Bittencourt Cano.

11h22 –  O delegado Antônio de Olim disse, em depoimento, que uma mulher, que se envolveu com Mizael após o crime apenas apenas para investigar se ele era mesmo culpado, se ofereceu para ser o álibi dele. O ex-policial chegou a aceitar a oferta, mas um de seus advogados não consentiu. “Se ele quer um álibi, é mentira que ele ficou parado quatro horas (no Hospital Geral de Guarulhos, como alega a defesa)”, disse Olim. A moça procurou a delegacia depois para contar o que sabia. Para comprovar que estiveram juntos, a mulher tirou fotos juntos com Mizael – o réu aparece de boné na imagem, que, inclusive, está no processo.

11h05 – Segundo o delegado Antonio Olim, a defesa de Mizael tentou despistá-lo, apresentando outros suspeitos para o assassinato de Mércia Nakashima. Alguns chegaram a ter a prisão temporária decretada.

10h54 – O delegado afirmou que a alternância de celulares mostrava que os suspeitos estavam planejando algo.  “Já tínhamos suspeita de que alguma coisa seria feita”. Segundo o delegado, Mizael deixou de usar o número frio (não registrado em seu nome) que usou diversas vezes  no dia desaparecimento de Mércia – outro indício de que o assassinato teria sido premeditado. Durante as investigações, Mizael não mostrou esse número à polícia.

10h50 – Questionado pelo promotor do caso, Rodrigo Merli, o delegado Olim fala sobre uma outra ligação, ainda não mencionada. Olim afirma que Mizael Bispo recebeu, por meio do celular não cadastrado, no dia da morte de Mércia, um telefonema de sua filha, às 21h20. Essa informação, segundo o delegado, poderia confirmar que Mizael esteve na cena do crime, em Nazaré Paulista, no dia em que Mércia morreu.

10h45 – O delegado Olim afirma que telefonemas entre de Mizael Bispo a Evandro Bezerra da Silva foram feitos por meio de um celular não cadastrado. O delegado está explicando como obteve informações de Mizael sobre as ligações e sobre o aparelho de celular utilizado no dia da morte de Mércia.

10h35 – O promotor e o advogado de defesa batem-boca sobre uma informação que o promotor atribuiu à defesa. O juiz pede ordem e o fim das discussões. “Na dúvida, que se peça para consultar as folhas (com registro do julgamento)”.

10h29 – O promotor do caso, Rodrigo Merli, faz está fazendo uma série de questionamentos para elucidar a acusação de Evandro Bezerra da Silva foi ou não pressionado ou coagido em seus interrogatórios. A questão, segundo o promotor, deve ser explorada pela defesa. A maneira como o depoimento de Evandro Bezerra foi obtido poderia desqualificá-lo como testemunha e favorecer Mizael Bispo.

10h27 – O delegado afirma que, pelo modo que o carro de Mércia foi jogado na represa de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo, onde o corpo de Mércia foi encontrado,  chegou-se a cogitar a participação de uma terceira pessoa, o que acabou descartado.

10h26 – Segundo o delegado Olim, ligações do vigia Evandro Bezerra da Silva a Mizael Bispo indicam que ele estava no encalço de Mércia Nakashima.

10h21 – “Ele fala que foi torturado por policiais em Sergipe, mas fizemos exames no IML e não tinha nada”, diz o do delegado Antonio Assunção de Olim a respeito de Evandro Bezerra da Silva.

10h17 – O delegado fala sobre como foram colhidos os depoimentos de Evandro Bezerra da Silva, vigia acusado de ser cúmplice  de Mizael na morte de Mércia Nakashima.

10h14 – Durante depoimento de Olim, Mizael conversa com os advogados o tempo todo e consulta as páginas do processo.

ENTENDA O CASO: veja as versões da acusação e da defesa, as provas e os principais personagens do assassinato de Mércia Nakashima.

10h12 – Começa o segundo dia de julgamento, com o depoimento do delegado Antonio Assunção de Olim, que comandou as investigações. Além dele, nesta terça deve ser ouvido o advogado Arles Gonçalves Junior, que acompanhou os depoimentos do vigia Evandro Bezerra da Silva, apontado como cúmplice na morte de Mércia, que diz ter sido torturado para confessar.

10h03 – No primeiro dia de julgamento de Mizael Bispo foram ouvidas três testemunhas: o irmão de Mércia, Márcio Nakashima, o biólogo Carlos Eduardo de Mattos Bicudo e o engenheiro elétrico Eduardo Amato Tolezani. O julgamento será retomado às 9 horas desta terça-feira.

10h01 – O pai da Mércia, Makoto Mário Nakashima, chegou ao Fórum por volta das 9h.”É muito difícil para a família acompanhar o julgamento”, disse. O irmão de Mércia, que chorou nove vezes ao depor no primeiro dia de julgamento, não deve comparecer ao Fórum de Guarulhos.

9h53 – Ao chegar ao Fórum de Guarulhos, o assistente de acusação Alexandre Sá Domingues disse que na noite de segunda-feira, 11, primeiro dia de julgamento, a defesa de Mizael tentou confundir os jurados ao fazer perguntas descabidas para engenheiro elétrico Eduardo Amato Tolezani, testemunha de acusação.  Sá também afirmou que os defensores fizeram perguntas agressivas ao irmão de Mércia, Márcio Nakashima, o que, segundo ele, só  prejudica a defesa do réu.

9h41 – Na chegada ao Fórum  Criminal de Guarulhos, por volta das 9h, o advogado de defesa Ivon Ribeiro, defensor de Mizael Bispo, disse que em nenhum momento foi desrespeitoso com a Mércia em sua fala no primeiro dia de júri, na segunda-feira, 11, nem pretendeu provocar Márcio Nakashima, irmão da vítima e primeira testemunha de acusação a depor. Declarações anteriores do advogado foram lembradas com revolta por Márcio no primeiro dia de julgamento e causaram bate-boca entre ele e os três defensores que representam o réu. Ivon disse que já conhecia Mércia durante sua atuação como advogada em Guarulhos.

9h00 – O advogado e ex-policial militar Mizael Bispo de Souza, de 43 anos, comparece ao segundo dia de júri popular nesta terça-feira, 12,  em Guarulhos, Grande São Paulo. Ele acusado pela morte da sua ex-namorada, Mércia Mikie Nakashima, e está preso desde 24 de fevereiro de 2012. Será a primeira vez no País que um júri será transmitido ao vivo por emissoras de rádio, TV e internet.

Veja a cronologia do caso

ESPECIAL: personagens, provas e versões

 

 

 

Ao longo dos próximos dias, acusação e defesa tentarão convencer os sete jurados de que o réu é culpado ou inocente. Enquanto a promotoria o considera “frio” e “psicopata”, a defesa o classifica como “um príncipe”, de “hábitos muito nobres”.

Mércia e Mizael foram sócios em um escritório de advocacia e namoraram por quatro anos até setembro de 2009. A advogada foi vista pela última vez na tarde de 23 de maio de 2010 na casa da avó. Em 10 de junho, o carro dela foi achado na Represa Atibainha, em Nazaré Paulista. No dia seguinte, o corpo foi localizado.

O promotor Rodrigo Merli Antunes diz que o conjunto de provas lhe dá convicção de que Mizael cometeu o crime. Para o advogado Samir Haddad Júnior, as provas são frágeis e Mizael é “incapaz de matar alguém”.

Mizael escreveu um livro com sua versão para o caso que pretende entregar aos jurados. Nele, reafirma sua inocência e se considera alvo de uma perseguição policial.

Sete das 11 testemunhas que devem participar do júri são peritos ou policiais. O botânico Carlos Eduardo Bicudo, por exemplo, foi chamado pela promotoria para falar sobre a alga encontrada no sapato de Mizael – e que é comum na represa onde o corpo da vítima foi encontrado.

Completam a lista o delegado Antônio de Olim, responsável pelas investigações, o engenheiro de telecomunicações Eduardo Amato, o irmão da vítima, Márcio Nakashima, e um advogado que acompanhou os depoimentos.

O perito Hélio Ramacciotti, que cronometrou o trajeto entre a represa e o Hospital Geral de Guarulhos, é testemunha do juízo. A defesa chamou o investigador Alexandre Simoni, responsável pela análise dos celulares dos acusados e da vítima, o perito Renato Patolli, que assinou o laudo, e mais três pessoas: um físico especializado em áudio e vídeo, um ex-perito do IC e uma amiga de Mizael.

 

Primeiro dia

O primeiro dia de júri do ex-PM Mizael Bispo de Souza teve briga, choro e até imagens censuradas: diante das câmeras em uma sala do Fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo. Como em um reality show, no primeiro tribunal do júri transmitido ao vivo no País, coube ao juiz dirigir câmeras – e cortar a imagem, quando achou necessário. Entre os depoimentos, destacou-se o irmão de Mércia, Márcio, que buscou defender a “honra” da irmã.
Apesar do clima de “big brother”, nem tudo atravessou as paredes do tribunal. Uma testemunha pediu para não ter a imagem divulgada e outra não quis nem que sua voz aparecesse. Em outro momento, após um bate-boca entre o irmão da vítima e primeira testemunha do dia, Márcio Nakashima, e um dos advogados de Mizael, Ivon Ribeiro, as imagens deixaram de ser divulgadas por determinação do juiz Leandro Bittencourt Cano.

Os três advogados de defesa, no caso, adotaram posturas diferentes em sua estratégia para tentar desconstruir a tese do irmão da vítima, que aponta Souza como autor do crime. Samir Haddad Júnior tentou demonstrar simpatia, Wagner Aparecido Garcia fez questionamentos técnicos, e Ribeiro foi mais incisivo, explorando contradições.

Três testemunhas de acusação prestaram depoimento nesta segunda-feira, mas sem a presença do réu. Nesta terça, devem ser ouvidas outras duas: o delegado Antonio Assunção de Olim, que comandou as investigações, e o advogado Arles Gonçalves Junior, que acompanhou os depoimentos do vigia Evandro Bezerra da Silva, apontado como cúmplice, que diz ter sido torturado para confessar.