Veja como foi o segundo dia de julgamento do goleiro Bruno

Felipe Tau

05 de março de 2013 | 07h52

22h30 – Juíza encerra o segundo dia de julgamento.

Além de negar as acusações de sequestro e cárcere privado, Dayanne relatou como foi o momento em que Eliza teria sido levada para a morte, dizendo que Bruno e Sérgio estavam do lado de fora do sítio naquela noite. “Acho que ela [Eliza] preparou uma mamadeira antes de ir”, disse. Acrescentou que não viu a mala dela sendo colocada no carro e que saiu quase junto eles para levar a noiva dele ao hospital.

Quando Macarrão e Jorge retornaram sem Eliza, o primo do goleiro segurava a criança no colo. “Jorge Luiz saiu do carro com o olho desse tamanho”, disse Dayanne. “Perguntei para ele cadê a mãe do menino, só que ele não respondia”. Depois, Macarrão teria dito que Eliza o havia deixado e ido embora, foi quando Bruno teria pedido a ela que cuidasse de Bruninho.

Ela afirmou que Bruno descumpriu o prazo acordado para que ela cuidasse do bebê, e aí não conseguia mais falar com o goleiro. “Sempre quem atendia era Macarrão”.  Quando esteve na delegacia de Contagem, a situação piorou. “Ele me atendeu uma vez e disse que o policial civil chamado Zezé ligaria”. Posteriormente, segundo ela, Bruno e Macarrão disseram que não atenderam porque o telefone estava grampeado.

No dia 25, ela disse ter falado com o policial civil José Lauriano, o Zezé, duas vezes a pedido de Macarrão, que também solicitou que ela não revelasse a policial nenhum, com exceção do Zezé, da existência de Bruninho. “O Bruno já tinha me dito lá no Rio de Janeiro que estava com medo e que Eliza estava armando para ele. Talvez seja por isso. Na verdade eu não sei o motivo que ele me pediu para negar (a presença de Bruninho)”. Ela também disse que, embora já conhecesse o policial de vista, não tinha intimidade com ele.

Zezé passou a ser novamente investigado depois que a quebra do sigilo telefônico dos envolvidos no caso revelou 37 ligações entre ele e Macarrão nos dias em que Eliza foi sequestrada e morta. Embora tenha sido interrogado pelas delegadas Alessandra Wilke e Ana Maria Santos, ele não foi indiciado no caso, mas vai responder a inquérito.

19h17 – A ex-mulher de Macarrão, Andrea Rodrigues, roubou as atenções na tarde desta terça-feira no fórum de Contagem, onde ocorre o julgamento de Bruno e Dayanne. Ela apareceu de surpresa e disse aos jornalistas que o ex-companheiro era apenas o “executor” das ordens do goleiro. “Ele me contou que a ordem para matar Eliza partiu de Bruno”, disse. Andrea afirmou que Macarrão não fazia nada sem o consentimento do amigo e patrão.

A mulher foi levada ao fórum pelo assistente de acusação José Arteiro, na tentativa de incluí-la como uma das testemunhas do julgamento. Porém, ele não obteve sucesso, uma vez que não havia mais prazo. Mesmo assim, as afirmações de Andrea causaram bastante alvoroço no local. Ela disse ainda que o ex não gostava mesmo de Eliza, mas negou que a modelo tivesse sido mantida em cárcere privado no sítio em Esmeraldas.

16h56 – O goleiro Bruno chora neste momento. Ao lado de Dayanne, ele assiste a reconstituição dos últimos dias de Eliza em seu sitio feita por seu primo Sergio Rosa Sales, que acabaria sendo assassinado em 2012 num crime que, segundo a policia, foi passional. Dayanne permanece impassível. O advogado Lúcio Adolfo entregou um lenço para o goleiro enxugar as lagrimas.

16h25 – A assessoria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) confirmou que a juíza Maria Fabiane Lopes Rodrigues, presidente do Tribunal do Júri de Contagem, pretende ouvir o depoimento da ex-mulher do goleiro Bruno, Dayanne Rodrigues do Carmo, ainda nesta terça-feira (5). Como os advogados de todos os envolvidos no desaparecimento de Eliza Samúdio podem fazer perguntas à acusada, a previsão é de que o interrogatório termine apenas no fim da noite. Com isso, o momento mais esperado do julgamento, que é o depoimento do próprio goleiro, ficará para quarta-feira (6).

16h20 – A mãe de Eliza, Sonia Moura, deixou agora há pouco a sala do júri, amparada por sua advogada. Ela começou a chorar durante a exibição de entrevistas da filha e depois do tio de Jorge Luiz, que denunciou na época do crime que a modelo havia sido asfixiada e seus restos mortais jogados para cães. Os vídeos estão sendo exibidos a pedido da Promotoria.

16h13 – Problemas técnicos atrasam a exibição do vídeo da acusação para o conselho de sentença. Por causa do horário, advogados que participam do julgamento já avaliam que o seja possível ouvir o depoimento apenas de Dayanne na sessão desta terça-feira (5) e que o interrogatório de do goleiro Bruno seja realizado amanhã.

15h48 – Acusação exibe vídeo com coletânea de reportagens e entrevistas com 1h54min de duração. Caso inclua o mesmo material exibido no julgamento de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e Fernanda Gomes de Castro, em novembro, inclui também imagens da reconstituição dos últimos momentos de Eliza no sítio de Bruno, narrados pelo primo do goleiro, Sérgio Rosa Sales, que também era réu no processo, mas foi assassinado em agosto passado.

15h15 – Funcionário da Justiça lê laudo de técnicos do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Prefeitura de Belo Horizonte, relativo a perícia feita nos cães do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, para verificar veracidade do depoimento de Jorge Luiz Lisboa Rosa, de o corpo de Eliza teria sido dado para cães comerem. “Prazo entre a morte e acesso da perícia aos cães (29 dias) é tempo suficiente para perda de grande parte dos vestígios, caso os houvesse”, afirma o documento, que cita a “perda de pelos” e a impossibilidade de uso do luminol – produto que revela vestígios de sangue, mas que é muito tóxico para ser usado em seres vivos. “Animais estava substancialmente debilitados”, observa o laudo.

14h53 – Jurados ouvem leitura de laudos médico-legais sobre a viabilidade de Eliza ter sido morta de acordo com a descrição dada por Jorge Luiz Lisboa Rosa, de que ela teria sido vítima de uma “gravata” dada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. Laudos confirmam que a descrição do assassinato coincide com o tipo de morte relatado pelo rapaz, assim como as reações da vítima que teriam sido testemunhadas por Jorge.

14h40 – Retomado em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, o julgamento do goleiro Bruno Fernandes, acusado da morte da ex-amante Eliza Samúdio, de 24 anos, e da ex-mulher do jogador, Dayanne Rodrigues do Carmo, processada pelo sequestro e cárcere privado do bebê do atleta com Eliza. Caso foi retomado com leitura de depoimento, prestado em Tangará da Serra (MT), pela assistente judiciária Renata Garcia Costa, que acompanhou as declarações prestadas por um primo de Bruno, o então adolescente Jorge Luiz Lisboa Rosa, confirmado o assassinato da jovem. Renata confirmou que o rapaz teve acompanhamento da família ao ser apreendido e durante o depoimento. Em seguida, ocorrerá a leitura de outras peças do processo, pedida pela defesa dos acusados.

14h33 – Assim que terminou o depoimento, a prima do goleiro Bruno Célia Aparecida Rosa Sales não conseguiu conter o choro e deixou o tribunal do júri aos prantos, acompanhada de uma mulher. Arrolada pela defesa de Dayanne, ela ficou mais de duas horas sob um verdadeiro bombardeio da acusação, que apontou diversas contradições entre suas versões dadas hoje e na época das investigações do sumiço de Eliza. Ela não quis dar declarações à imprensa.

A atual mulher de Bruno, a dentista Ingrid de Oliveira, conseguiu se encontrar com o goleiro rapidamente em uma área reservada, logo que a juíza Marixa Rodrigues interrompeu o julgamento para o almoço. Ela disse ao Estado que não teve como falar nada com o goleiro, mas deu um abraço nele. “Não tive autorização para falar nada, apenas para abraçá-lo”.

13h09 – A juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues suspende para almoço o julgamento do goleiro Bruno Fernandes após o fim do depoimento da última testemunha a ser ouvida no caso, Célia Aparecida Rosa Sales. Durante a tarde, serão lidas peças do processo e exibido um vídeo a pedido da acusação e há expectativa de que o jogador e sua ex-mulher Dayanne Rodrigues do Carmo sejam ouvidos ainda hoje.

12h44 – A testemunha Célia Rosa Sales afirmou em depoimento que Eliza teria dito que, se algum dia precisasse de alguma coisa, a única pessoa que não procuraria seria a mãe, Sônia de Fátima Moura, hoje dona da guarda do bebê da vítima com o goleiro Bruno Fernandes. Sônia acompanha o julgamento do goleiro em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

12h25 – Enquanto Dayanne acompanha atentamente o depoimento de Célia, Bruno se mantém de cabeça baixa. Demonstrando cansaço, ele passa o tempo todo com os cotovelos apoiados nas pernas, escondendo o rosto com as mãos. A mãe de Eliza, Sonia Moura, disse há pouco que a postura abatida de Bruno e “fingimento”. Ela acompanha o interrogatório da prima do goleiro.

12h15Célia Rosa Sales afirmou em depoimento que Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, amigo de infância de Bruno Fernandes, trabalhava para goleiro e para sua mulher Dayanne Rodrigues do Carmo. Mais cedo, Célia afirmou que Macarrão havia “mandado” Dayanne entregar o bebê de Bruno com Eliza Samúdio a amigos para tentar esconder a criança enquanto a polícia investigava denúncia de sequestro da criança. Depois, a testemunha se corrigiu e disse que Macarrão fez um “pedido” a Dayanne.

12h08 – Ao ser questionada pelo promotor Henry Wagner Vasconcelos, Célia Aparecida Rosa Sales admitiu que o bebê de Eliza  e do goleiro Bruno foi deixado “aos cuidados da Dayanne”, ex-mulher do jogador que é acusada do sequestro e cárcere privado da criança.

12h – Está sendo interrogada neste momento a última testemunha do julgamento, Célia Rosa Sales, prima de Bruno, e não tia, como chegou a ser divulgado. O seu testemunho foi solicitado pela defesa de Dayanne.

Mais cedo, Jaílson de Oliveira, detento que teria ouvido a confissão de Bola na penitenciária Nelson Hungria, foi dispensado pela Promotoria. O primeiro a depor foi João Batista Guimarães, testemunha que ouviu o interrogatório de Cleiton Goncalves, motorista de Bruno.

Renata Garcia, assistente do centro de internação que acompanhou o depoimento de Jorge Luiz na época das investigações do sumiço de Eliza, já havia prestado depoimento à distância, por carta precatória. É grande a expectativa para que sejam ouvidos ainda hoje Bruno e Dayanne.

11h28 – A prima de Bruno, Célia Rosa Sales, será a última testemunha a ser ouvida no julgamento do goleiro em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Quando terminar o depoimento, deve ser lida uma carta precatória com a oitiva de Renata Garcia Costa, assistente jurídica do centro de internação em Belo Horizonte onde o primo de Bruno, o então adolescente Jorge Luiz Lisboa Rosa, hoje com 19 anos, cumpriu medida socioeducativa pelo sequestro e assassinato de Eliza Samudio.

Em seguida, o Ministério Público Estadual (MPE) vai exibir vídeos, última fase do julgamento antes de os réus serem ouvidos e ter início o debate entre acusação e defesa para que o conselho de sentença defina o destino dos acusados. O grupo de jurados é composto por cinco mulheres e dois homens.

11h26 – Um dos advogados de Bruno, Tiago Lenoir disse esta manha que as “máscaras de Bruno já caíram”, ao ser questionado sobre as entrevistas dadas pelo goleiro na época do desaparecimento de Eliza. Nessas entrevistas, ele dizia nao saber do paradeiro dela e que a tinha visto pela última vez há mais de um mês. Lenoir, no entanto, voltou a negar que o goleiro soubesse ou tenha participado do crime. “Hoje ele vai poder contar a verdade, dar sua versão, falar tudo que sabe”, disse.

11h19 – Célia Rosa Sales tentou aliviar a situação de Bruno Fernandes em seu depoimento e afirmou que o goleiro perguntou sobre a “mãe da criança” quando seus amigos voltaram para o sítio do atleta trazendo apenas o bebê que Eliza Samudio teve com o jogador. O promotor Henry Wagner Vasconcelos, porém, pediu para constar em ata a informação de que Célia, que é prima do goleiro, tem “relação de irmã” com Bruno.

11h03 – Em seu depoimento, Célia Rosa Sales, prima do goleiro Bruno Fernandes, disse que Eliza Samudio chegou a convidar pessoas que estavam no sítio do atleta para “visitarem-na” no apartamento para onde achou que seria levada ao deixar o local com Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, Jorge Luiz Lisboa Rosa e Sérgio Rosa Sales. Segundo a acusação, neste momento Eliza foi levada para ser morta pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola.

10h55 Célia Aparecida Rosa Sales confirmou ter visto Eliza Samudio no sítio do goleiro Bruno Fernandes em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a testemunha, o bebê de Bruno com Eliza também estava no local, assim como as filhas do atleta com a ex-mulher Dayanne Rodrigues do Carmo. Célia disse que conversou muito com Eliza e que a vítima ajudou até a preparar comida que foi servida no imóvel, que, segundo a polícia e o Ministério Público, serviu de cativeiro para Eliza e o bebê.

10h50Advogados de defesa conversam intensamente com Dayanne neste momento. Há grande expectativa para o depoimento dela, que pode ocorrer ainda nesta manhã. A juíza chegou a repreender os defensores pedindo silêncio. “Vocês estão atrapalhando os trabalhos”, disse Marixa.

10h42 – A prima de Bruno, Célia Rosa Sales, deu detalhes de seu relacionamento com o goleiro. Agora há pouco, ela contou como foi sua visita ao sítio de Bruno na época do desaparecimento de Eliza. Ela disse que foi ao local com Dayanne, “no dia 9 ou dia 10 de junho” – data em que Eliza teria sido assassinada. Ela disse ter visto a modelo no sítio, onde também estavam Macarrão, Sérgio Rosa, seu filho que foi morto, Jorge Luiz, o primo de Bruno, e  Coxinha.

10h27 – Crescem nos bastidores do fórum de Contagem os rumores sobre uma possível confissão do goleiro Bruno Fernandes de Souza, que está sendo julgado desde ontem pelo envolvimento no assassinato de sua amante, a modelo Eliza Samudio. O interrogatório dele pode ocorrer ainda nesta terça-feira, após o depoimento das testemunhas que ainda faltam ser ouvidas.

10h21 – Dentro de sua estratégia de “amaciar” a imagem do Bruno diante da opinião pública e dos jornalistas, o advogado de Bruno, Lúcio Adolfo, visitou há pouco a sala de imprensa do fórum de Contagem, onde os jornalistas acompanham a transmissão do depoimento da tia de Bruno. Ele cumprimentou um a um os 33 jornalistas que estão no local. Questionado vai ter confissão, ele ironizou: “Claro, vou a igreja todos os dias”.

10h14 – Quem depõe agora é  Célia Aparecida Rosa Sales, prima de Bruno. Ela é irmã Sérgio Rosa Sales, que aguardava em liberdade o julgamento por júri popular pelo sequestro, cárcere privado e assassinato de Eliza. Ele foi morto em 22 de agosto em crime que a polícia afirma ser passional.

10h03 – O depoimento de João Batista foi encerrado. A defesa não fez nenhuma pergunta para a  testemunha.

9h55 – Depois  de uma queda de energia no Fórum atrasar a sessão, o julgamento começou. O policial João Batista Guimarães é o primeiro a ser ouvido. Ele acompanhou o depoimento do ex-motorista de Bruno, Cleiton da Silva Gonçalves, o Cleitão, durante a investigação.

9h28 – Sessão do júri nesta terça-feira deve começar com o depoimento de testemunhas do caso. A delegada Ana Maria foi a única ouvida até o momento, nessa segunda-feira. A expectativa é de que o julgamento possa ser  encerrado nesta quarta, 6. Ontem, o  advogado de Bruno dispensou as testemunhas de defesa.

9h18Reveja o que já foi publicado sobre o caso.

8h52 – “Questões inusitadas e bate-boca entre defesa e acusação marcam o primeiro dia de julgamento”. Leia análise de Luiz Cogan, mestre em processo penal pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

8h41 – Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) fez uma varredura no entorno do Fórum de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para eliminar o risco de atentados com explosivos.

8h00 – Bruno deixa a penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, e é escoltado para o fórum da cidade, onde ocorrerá o segundo dia de julgamento.

7h45 – Após 971 dias atrás das grades, um dos réus mais notórios do País, o ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes das Dores de Souza, de 28 anos, vai se sentar diante de um júri popular pelo segundo dia nesta terça-feira, 5. Acusado de mandar sequestrar e matar a ex-amante Eliza Samudio, de 24 anos, com quem teve um filho, o atleta está sendo julgado em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde está preso.

Sua ex-mulher, Dayanne Rodrigues do Carmo, que responde por sequestro e cárcere privado da criança que o jogador teve com a vítima, também está sendo julgada. Além de dois julgamentos de outros três acusados, marcados para abril e maio, novas investigações estão em andamento para apurar a possibilidade de outros dois ex-policiais civis mineiros terem participado do assassinato com Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, outro ex-agente acusado formalmente pelo crime.

Veja como foi o primeiro dia de julgamento

ENTENDA: os personagens e suas versões

ESPECIAL: veja a linha do tempo do caso Bruno

 

Bruno chora no intervalo da audiência no primeiro dia de julgamento no Fórum de Contagem. Foto: Bernardo Salce/Agência I7

Primeiro dia. No primeiro dia do julgamento dos acusados, nessa segunda-feira, o ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes chegou cabisbaixo ao Fórum de Contagem. E assim ficou enquanto via a juíza Marixa Rodrigues negar as tentativas dos advogados de adiar o júri ou retirar dos autos o atestado de óbito da ex-amante – e quando todas as testemunhas de defesa foram dispensadas. No fim da manhã, chorou, depois de ter um trecho da Bíblia que tinha nas mãos apontado por um de seus advogados.

Apesar de o julgamento estar marcado para começar às 9 horas, uma série de discussões e questões preliminares atrasou o início da sessão. Apenas no fim da manhã, foi definido o júri que vai julgar Bruno e Dayanne, com cinco mulheres e dois homens, aparentando média de idade em torno de 30 anos. Antes mesmo do sorteio dos jurados, a defesa de Bruno tentou adiar o julgamento.

Em uma das questões preliminares, o assistente de acusação Lúcio Adolfo pediu novo adiamento dos trabalhos com o argumento de que há um recurso ainda a ser analisado, pedindo que seja retirado dos autos o atestado de óbito de Eliza. O documento foi emitido em janeiro, por determinação de Marixa, afirmando que a vítima foi morta por asfixia. “Com esse atestado, três quesitos (sobre a morte, a serem analisados pelos jurados) já estão respondidos”, observou o advogado Tiago Lenoir. Além do adiamento, os advogados também pediram à magistrada que determinasse a retirada do atestado do processo, mas as solicitações foram negadas.

Depoimento. Uma das responsáveis pelas investigações, a policial foi a única testemunha ouvida. A maior parte das perguntas feitas pelo promotor foi para confirmar as declarações e as circunstâncias de declarações prestadas no inquérito oficial por um primo de Bruno, Jorge Luiz Rosa. Primeiro a assumir que Eliza foi assassinada em 2010, o rapaz estava com 17 anos. Hoje com 19, foi arrolado como testemunha por acusação e defesa, mas não apareceu.

Já a defesa de Bruno tentou principalmente mostrar contradições nas declarações da delegada e falhas na apuração do caso, como o fato de o ex-policial civil José de Assis Filho, o Zezé, ter sido investigado e deixado de lado na conclusão do inquérito. Por determinação do MPE e da Corregedoria-Geral da Polícia Civil, uma “investigação suplementar” está em curso para apurar a possibilidade de participação de Zezé e de outro ex-policial, Gilson Costa, no crime. Costa já é réu ao lado de Bola em outro processo, no qual são acusados de matar e sumir com os corpos de dois homens.

Recurso. A defesa de Bruno havia arrolado cinco testemunhas, mas como duas não compareceram optou por dispensar as demais e se fixar “nas contradições” dos depoimentos de acusação. No caso do primo de Bruno, não é possível nem mesmo pedir que a polícia busque o rapaz, pois ele mora em outra cidade e, mesmo intimado, não é obrigado a comparecer ao julgamento.

A defesa ainda deve ouvir uma testemunha de Dayanne e vai insistir na tese de que Eliza não morreu. “Por isso, pedimos a retirada do atestado de óbito. E possivelmente vamos recorrer depois”, observou Lenoir.

Condenados. Em novembro, foram julgados – e condenados – o ex-braço direito do atleta, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e outra ex-amante, Fernanda Gomes de Castro. O ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, será julgado em 22 de abril pela acusação de execução e ocultação do cadáver de Eliza.

Aline Reskalla, especial para o Estado, e Marcelo Portela, O Estado de S. Paulo

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