Dom Odilo diz que o nome Francisco indica renovação

Viviane Bittencourt

14 de março de 2013 | 10h11

O arcebispo de São Paulo, cardeal d. Odilo Scherer, deu uma entrevista hoje pela manhã à Rádio Vaticano e comentou a escolha do novo papa, Francisco.

Ouça aqui a íntegra.

“É um sentimento de muita alegria, e também do dever cumprido, uma vez que era nosso dever como Colégio Cardinalício dar um papa à Igreja, naturalmente como colaboradores do Espírito Santo. É claro, era nosso trabalho, e nós o fizemos graças a Deus em um breve tempo, e o papa já pode se apresentar ao povo para a grande alegria e exaltação de todo povo de Deus”, disse d. Odilo.

O arcebispo diz que o Brasil espera a visita do novo papa durante o Encontro Mundial da Juventude, que ocorre em julho, no Rio de Janeiro. “Sem dúvida existe uma grande alegria na América Latina porque o papa vem da América Latina. Nós estamos muito próximos da Argentina, nós nos alegramos de maneira muito especial e saudamos o novo papa, saudamos o povo argentino, e nos alegraremos ainda mais com a vinda dele para o Encontro Mundial da Juventude no Rio de Janeiro.”

Questionado sobre a escolha do nome Francisco, se isso significaria a renovação que os fiéis tanto esperam, d. Odilo disse que sim. “Eu acho que o papa Francisco já de início deu uma série de sinais de renovação que a Igreja tira de seu próprio tesouro. A própria escolha do nome Francisco lembra São Francisco de Assis e o papa disse que tomava esse nome em memória a São Francisco de Assis. E há questões que podem estar ligadas ao nome do papa. Primeiramente a simplicidade, a fraternidade de Jesus Cristo, Deus como amor total. É o que o papa Bento XVI também indicava. Por outro lado, a questão da fé, a questão da fraternidade, a questão da solidariedade….Tudo isso que nos vem do nome Francisco, a escolha do nome certamente já é muito indicativo daquilo que certamente será a missão do papa. Por outro lado, a escolha de um papa jesuíta, de um papa não-europeu, é também indicação de novidade, daquilo que a Igreja tem a dizer ao povo. A Igreja tira de seu tesouro coisas novas e velhas, como diz o Evangelho. O Espírito Santo fez a sua parte, evidentemente através dos instrumentos humanos que foram os cardeais que elegeram o papa, mas com diz o ditado que bem conhecemos. O Espírito sopra onde quer, não se sabe de onde vem o sopro, mas ele sopra. E o seu sopro é um sopro de vida, renovador. E desta vez soprou lá da Patagônia, para todo mundo.”