Delegado que investigou a morte de Eliza Samudio é interrogado no 3º dia de julgamento de Bola

Felipe Tau

24 de abril de 2013 | 10h17

19h15- Depois de cinco horas e meia de interrogatório, Quaresma alega cansaço e convence o juiz a encerrar o terceiro dia de julgamento de Bola.  A nova versão para o que ocorreu na casa do ex-policial no dia em que Eliza Samudio teria sido assassinada deu fôlego à defesa. O delegado que comandou as investigações na época do desaparecimento da amante de Bruno, Edson Moreira, que hoje é vereador, disse em seu interrogatório que a modelo não foi esquartejada por Bola em sua residência, em Vespasiano, e que seu braço não foi jogado para cães.

A versão difere daquela apresentada pela principal testemunha do caso, o primo de Bruno, Jorge Luiz Sales. Na época menor de idade, Jorge disse ter visto o ex-policial jogar seu braço para cães após matá-la por asfixia. O julgamento será retomado às 9h desta quinta-feira. Conflito de versões favorece defesa no julgamento de Bola

 

18h45 – Advogado diz que Bruno poderá voltar aos gramados em julho

 

17h32 – Quaresma aponta contradição nos autos ao questionar o delegado se alguma mão de Eliza foi jogada aos cães na casa de Bola. Edson Moreira disse que não. “Fez-se imaginar ao menor que isso teria ocorrido”. Pouco antes, Moreira respondeu a Quaresma que não foi encontrado sangue na casa de Bola. “Ninguém foi partido lá, dissecado”. Quaresma tenta pressionar o delegado, e Moreira pede para explicar.

“Nós estamos diante de um especialista da arte de matar e de dissimular. Então, asfixiaram a vítima, quase não sai sangue. E ele pediu para que os dois saíssem do recinto que ele iria dar um jeito na vítima, picar a vítima. Passou-se um tempo, o pessoal já estava no ponto de pular pela parede. Sai o autor, segurando um saco nas costas, vai em direção aos cães e fala assim: olha a mão dela aí”, disse Edson Moreira.

 

15h55 – Quaresma volta a abordar o depoimento de J., que descreveu o assassino como “negro, alto e com alcunha Neném”. Moreira diz que já respondeu a essa pergunta. “Eu já expliquei pro senhor”, disse a testemunha, reiterando que J. estava com medo.

Quaresma questiona se Moreira teve acesso ao depoimento de Eliza na época em que foi sequestrada, no Rio (caso em que Bruno e Macarrão foram condenados, quando ela ainda estava grávida). Ele diz que se lembra mais da entrevista a um TV dada por Eliza. “Vossa excelência sabia quem sequestrou ela no Rio de Janeiro? Vocês procuraram alguém como o menor descreveu? Um rapaz negro, com apelido de Russo?” Moreira respondeu que a polícia procurou “tudo”. “Acharam um russo, sim, e esse negão que a Eliza fala era um segurança do Bruno”, afirmou.

15h50 – Moreira pediu para contar quando a delegada Ana Maria Santos revelou que o menor tinha dito a ela na oitiva. “É esse cara, estou morrendo de medo dele. E só contei que era ele porque eu tinha medo dele fazer aquilo com minha mãe”, relatou o delegado. “Foi a Ana Maria que me contou”. “Aí chegou um advogado e acabou aquela espontaneidade do menor”.

15h45 – O defensor de Bola quer saber como Moreira chegou ao nome de seu cliente, se o depoimento do menor J., na época, não faz menção a ele. Segundo Quaresma, J. o descreveu como “negro, magro e alto”. A juíza pergunta como o delegado chegou ao ex-policial.

Ele respondeu que, depois que o menor foi autorizado pela Justiça a vir para Minas, pelas descrições dele, chegaram até a casa de Bola, em Vespasiano. “O menor, na época, estava apavorado. Não queria entrar na casa de jeito nenhum. Inclusive, ele se urinou todo, tamanho pavor.”
A juíza interpela para reiterar a pergunta de como soube do nome de Bola. Ele respondeu que, durante as buscas da polícia, o proprietário da casa fugiu antes porque lá teria circuito de TV. Depois descobriu-se que a casa era do ex-policial.

“No final do dia, no balanço geral dos trabalhos, os policiais disseram: ‘Esse cara dá uns cursos para nós. Quando eu olhei uma foto preto e branca, não reconheci”, afirmou Moreira. Ele disse que então recomendou ao dr. Júlio Wilke que requeresse a prisão temporária do Bola. Isso porque as delegadas Ana Maria e Alessandra estavam no Rio “tentando prender o Bruno e o Macarrão”.

15h15 – Para explicar o motivo pelo qual foi pedida a prisão temporária dos réus, Moreira respondeu que o objetivo era salvaguardar provas. Quaresma pediu que ele indicasse no processo documentos comprovando que os acusados buscavam atrapalhar as investigações. Moreira disse que Quaresma estava confundindo as coisas.

“Essa investigação foi feita a quatro mãos, em ritmo acelerado porque não se podia perder nada. Trabalhamos eu, dr. Wagner (Pinto), dra. Alessandra (Wilke) e Ana Maria (Santos). Então nós aceleramos o processo”, afirmou Edson Moreira.”Queríamos o máximo de vestígios possíveis enquanto estava no calor ainda (dos fatos)”.

15h12 – Depois de Quaresma perguntar se Moreira sabia que o pai de Eliza, Luiz Carlos Samudio, tinha um mandado de prisão contra ele por crime sexual – o depoente respondeu que não -, o assistente de acusação José Arteiro e o promotor Henry Wagner protestaram à juíza contra Quaresma, alegando que as perguntas estavam muito argumentativas e induzindo informações aos jurados. A juíza acata e pede que Quaresma faça perguntas objetivas, “sobre os fatos”.

Quaresma também havia questionado se Moreira sabia que a mãe de Eliza, Sônia Moura, só veio a Belo Horizonte quando a guarda de Bruninho estava com o avô. Moreira respondeu que sim.

15h – O delegado Edson Moreira explicou que Contagem investigava o caso porque havia um mandado de prisão expedido no município. E que depois o caso foi transferido para Belo Horizonte por causa da grande repercussão e porque lá, segundo ele, os policiais teriam mais apoio.

14h55 – Depois de perguntar sobre investigações que Moreira já presidiu, Ércio Quaresma questiona sobre outros quatro delegados que atuaram no caso Bruno, pedindo que a testemunha informe a função de cada um deles. Moreira respondeu e depois explicou que, na época em que Eliza desapareceu, circulou boato de que Bruno havia matado a ex-mulher Dayanne do Carmo.

O defensor de Bola também perguntou por que policiais de Contagem investigam um caso ocorrido em Esmeraldas, e se o delegado vereador sabia onde ficava o sítio de Bruno. Ele afirma que não.

14h20 – Começou há pouco o interrogatório da última testemunha no julgamento de Bola, o do delegado Edson Moreira. A defesa solicitou que ele seja ouvido na condição de testemunha e não de autoridade policial. Dessa forma, ele tem compromisso com a verdade. A juíza Marixa deferiu o pedido. O advogado de Bruno, Lúcio Adolfo, está no Fórum de Contagem para acompanhar o depoimento.

12h35 – José Cleves contou que investigava a máfia dos caça-níqueis e fazia uma reportagem sobre venda ilegal de armas. Ele responde ao promotor sobre o contato dele com um cabo da PM. Segundo o jornalista, a arma que a polícia disse ter sido usada por Cleves estava em nome do policial. O promotor depois leu uma carta de Cleves relatando ter entrevistado o cabo, e ele confirma a autoria.

A testemunha afirmou que uma fita com uma reportagem dele, que havia sido anexada ao processo, desapareceu. Ele respondeu que não sabe quem colocou a arma no local do crime, mas disse ter certeza de que ela foi colocada. “Foi polícia, disso tenho certeza”, afirmou Cleves. No entanto, disse não acreditar que tenha sido o delegado Edson Moreira.

12h10 – O promotor agora faz perguntas para a testemunha José Cleves, depois de um breve intervalo. Primeiro ele questionou a ausência dele no primeiro dia do julgamento – Cleves precisou ser localizado. O jornalista afirma que sua intimação era para o dia 24, porém, o promotor exibe a intimação com data do dia 22. Então a testemunha diz que houve um equívoco.

Respondendo antes ao advogado de Bola, o jornalista disse que não houve investigação dos assassinos da mulher dele. E que a família fez uma investigação paralela. Os supostos assassinos, segundo ele, acabaram morrendo pouco tempo depois do crime.

11h – A defesa conduz o interrogatório para evidenciar o que considera erros do delegado Edson Moreira no caso da morte da mulher do jornalista. José Cleves conta que o delegado, na época, afirmou que havia pólvora no braço dele e que o exame de balística mostrou o uso de arma. Mas, segundo o jornalista, os laudos negaram isso.

Cleves também falou do impacto do seu indiciamento em sua vida, dizendo que sofre até hoje. O jornalista respondeu que sim à pergunta de Quaresma sobre se há descaso com os inquéritos. Segundo ele, esse descaso dificulta a justiça.

10h25 – Neste momento, o jornalista José Cleves responde às perguntas do advogado de Bola, Ércio Quaresma. Primeiro, ele foi questionado se fazia reportagens de desvio de conduta de policiais, e a testemunha respondeu que fazia matérias “de interesse público”.

Depois o advogado perguntou sobre o livro que ele escreveu, contando sua versão do caso em que foi apontado como culpado pela morte da própria mulher. Cleves foi condenado e depois inocentado. Ele confirma que o delegado Edson Moreira conduziu as investigações. Quaresma cogitou ler o livro no plenário, mas a juíza Marixa Rodrigues vetou.

10h – O julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, entra no terceiro dia nesta quarta-feira. O primeiro a depor no Fórum de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, deverá ser o jornalista José Cleves.

Os advogados de Bola pretendem mostrar, com o depoimento, que o jornalista também teria sido vítima de erros de investigação por parte da polícia, conforme a tese da defesa para o indiciamento de Bola. Cleves foi acusado de matar sua mulher, mas foi inocentado.

As investigações foram conduzidas pelo delegado Edson Moreira, que também comandou o inquérito do caso Bruno. Para os defensores do ex-policial, Moreira é desafeto de seu cliente e por isso o incriminou. O delegado que hoje é vereador deve depor em seguida. A expectativa é de que o depoimento de Bola ocorra na quinta-feira.

Aline Reskalla, Especial para o Estado

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