Veja com foi o terceiro dia de júri de Mizael Bispo

Felipe Tau

13 de março de 2013 | 08h13

20h05 – Um dos defensores de Mizael, o advogado Ivon Ribeiro afirmou que seu cliente está tranquilo e que não tem nenhuma carta na manga para os debates, que começam nesta quinta-feira. Ribeiro disse que o interesse dos jurados, que fizeram mais de 20 perguntas ao réu por meio do juiz, foi uma coisa única. “Mizael se apresentou como o prometido. Como ele mesmo disse, se quisesse fugir, já estaria bem longe. Cumpriu tudo o que foi dito. Eu tenho certeza que ele está tranquilo em relação à posição dele. As perguntas foram todas supridas, esgotando todas as possibilidades.”

19h57 – O advogado Alexandre de Sá Domingues, contratado pela família de Mércia Nakashima para atuar como assistente de acusação, disse que o depoimento de Mizael foi uma “história da carochinha”. “Ele não convenceu em nenhum momento. Optou por fazer-se de palhaço.” Domingues acredita que o terceiro dia de júri foi “extremamente positivo para a acusação”, que pretende mostrar que Mizael matou Mércia. “Mizael adotou uma postura arrogante. A gente não quer um julgamento sensacionalista, queremos um julgamento técnico.”

19h09 – Após quase duas horas, o interrogatório de Mizael termina com uma pergunta do juiz Leandro Bittencourt Cano: “Tudo o que o senhor falou aqui é verdade?” O réu responde que sim e o julgamento é encerrado por hoje.

19h01 – Ao responder a uma pergunta elaborada por um jurado, Mizael revela que foi Mércia quem terminou o namoro. “Em agosto de 2009, estava em casa e a Mércia falou que não queria namorar mais. No dia seguinte, ela voltou atrás e disse: ‘Você é um homem bom, até café na cama você leva pra mim’. No dia 17 de setembro, estávamos chegando ao escritório em Cumbica. Ela falou chorando que queria terminar de novo”, afirmou.

18h57 – “Tenho fé em Deus que vou sair (livre)”, afirma Mizael.

18h53 – O réu diz que não andava armado e nega que tenha deixado uma arma na mesa da sala da casa da praia de seu ex-cunhado Márcio Nakashima. “Juro pela vida da minha filha que não andava armado.” Quando fazia bico de vigia, o réu diz nunca ter precisado utilizar sua arma. “Uma vez ouvi falar de um assalto, peguei meu carro e fui embora.”

18h44 – Mizael desmente mais uma tese da acusação ao dizer que não conhece a Represa Atibainha, em Nazaré Paulista, onde o carro e o corpo de Mércia foram encontrados. Ele diz que foi a um frigorífico próximo à represa quando era candidato a vereador em 2008.

18h40 – Ao explicar que usa um anel que representa sua formação no curso superior de Direito, Mizael disse: “Estou há dois anos sem ver mulher. Tomei até trauma de mulher.” Por outro lado, o réu disse que prefere ser julgado por um júri formado por mais mulheres que homens.

18h35 – Pouco antes das 18h, Mizael diz ter voltado para casa para pegar dinheiro e preservativo. O Ministério Público acredita que Mizael voltou para casa para buscar a arma do crime. Ele afirma que passou no posto de gasolina onde Evandro trabalhava para abastecer o carro, mas não conversou com o vigia. No bairro Cecap, o réu encontrou uma mulher e perguntou: “Você é garota de programa? Ela respondeu: ‘Mais ou menos.’” Mizael afirma que passou a noite em um motel com a mulher.

18h31 – Ao descrever seus passos no do crime, Mizael explica porque estava nos locais que foram identificados pelas antenas de celular, mais uma prova da acusação que a defesa tenta desconstruir. Uma das antenas verificou que o réu passou perto da casa dos avós de Mércia, onde ela estava almoçando. “Por volta das 17h, fui para a casa de Alexandre, um ex-cliente que sempre tinha bons vinhos, e morava no mesmo bairro que os avós de Mércia.”

18h27 – Mizael era responsável por fazer a vigilância da feira, mas passou o serviço para Evandro. Ele diz que ligava muito para Evandro, pois ele queria viajar para Sergipe por dois meses e não tinha indicado ainda quem ficaria no seu lugar.

18h24 – A pedido do advogado Ivon Ribeiro, Mizael conta seus passos no dia 23 de maio de 2010, o dia do desaparecimento de Mércia. Ele conta que, após encontrar-se com Mércia na noite anterior, deixou-a em casa entre 1h50 e 2h. Acordou 10h, recebeu um telefonema do ex-cunhado dizendo que sua ex-mulher e sua filha haviam sido sequestradas. Foi até o bairro delas e descobriu que as duas estavam no supermercado. Por volta das 14h, ligou para Mércia, que não atendeu. À tarde, diz que foi à feira da Rua Monte Alegre, onde encontrou Evandro, apontado como cúmplice. “Falei para ele que depois a gente conversava. Ele me devia uma boa grana.”

18h22 – Mizael afirma que, enquanto namorava Mércia, nunca desconfiou que pudesse estar sendo traído. Também diz que a vítima era muito ciumenta, embora ele não desse motivos.

18h14 – Em seu depoimento, o réu tem desmentido boa parte do que foi falado contra ele nos primeiros dias de julgamento. “Nunca estive em represa. Tenho certeza que levaram meu sapato lá”, disse. “Juro pela vida de minha filha. Tenho certeza que forjaram provas. Nunca queiram ser vítimas da polícia, que não é fácil.” Mizael também negou que tenha rasgado cartazes que a família de Mércia espalhou logo após o desaparecimento. “Sempre estive à disposição da polícia para o que der e vier. Mas Deus está no céu e tenho certeza que vou ser julgado pela razão e não pela emoção.”

18h09 – Mizael afirma que não estava em casa quando os policiais civis buscaram o sapato que ele teria utilizado na noite do crime.  “Meu irmão ligou pro meu advogado e perguntou se eles podiam entrar em casa. Ele disse que tudo bem.” O calçado é mais uma peça fundamental para a acusação colocar Mizael na cena do crime. Peritos encontraram, na sola do sapato, uma alga similar a um exemplar existente na represa de Nazaré Paulista.

18h07 – O réu diz que não deixou de entregar nenhum número de telefone à polícia. “Não omiti nenhum número. Eu simplesmente esqueci de passar um telefone que comprei junto com a Mércia”, disse. Este sexto telefone de Mizael, que não foi apresentado à polícia, é uma das provas mais importantes da acusação, pois o rastreamento do celular mostra que o réu não ficou parado no hospital na noite do crime e esteve próximo à casa da avó de Mércia. Também foi com esse telefone que Mizael falou 19 com Evandro Bezerra Silva, apontado como cúmplice. No depoimento de ontem, peritos disseram que no dia seguinte ao crime o celular parou de ser utilizado.

18h03 – “Criaram uma situação para jogar (a culpa) em cima de mim por um problema pessoal do delegado, para poder se promover às minhas custas”, afirmou Mizael.

18h02 – Mizael nega que tivesse problemas de honorários com Mércia. Negada pelo réu, a falta de repasse dos pagamentos foi um dos motivos para o término do escritório de advocacia que o casal mantinha. Na segunda-feira, Márcio Nakashima, irmão da vítima, disse que os problemas de honorários levaram, também, ao término do relacionamento.

17h59 – “O relacionamento que a gente tinha era aberto. Se ela tivesse outra pessoa, era problema dela”, disse Mizael, ao ser perguntado se era fiel a ex-namorada. O ex-policial disse que iria casar com uma mulher de 20 anos na Bahia em setembro de 2010. “Falei pra ela (Mércia): ‘Quando casar, não vou sair mais com você.’ Enquanto isso, estava curtindo.”

17h58 – Cena incomum em julgamentos populares, os sete jurados estão fazendo muitas perguntas ao réu Mizael Bispo. Após o interrogatório por parte dos advogados de defesa, o conselho de sentença busca esclarecer alguns pontos do caso. O juiz Leandro Jorge Bittencourt Cano lê os questionamentos, que não podem ser feitos diretamente pelos jurados.

17h52 – Ao responder perguntas feitas pelos jurados, Mizael diz que o relacionamento com Mércia era bom e que o único entrave à união era o irmão da vítima, Márcio Nakashima. Na segunda-feira, Márcio contou aos jurados que brigou com Mizael depois que deixou uma arma em cima da mesa de centro da casa de praia da família Nakashima, onde estavam crianças.

17h43 – Mizael diz que foi torturado junto com os irmãos durante o processo. “Eles chegaram e disseram: ‘Você matou a Mércia’”

17h28 – Numa tentativa de sensibilizar os jurados, o advogado Samir Haddad Júnior pede para Mizael mostrar seu pé e sua mão direitos, que apresentam deficiência devido a um acidente. Por causa desse acidente, Mizael foi reformado da Polícia Militar. Na sequência, ele contou sua história de vida, falando da infância pobre no interior da Bahia.

17h21 – Ministério Público e assistente de acusação abrem mão de fazer perguntas a Mizael. “Diante das seis versões apresentadas pelo senhor Mizael ao longo do processo, não tenho perguntas“, disse o promotor Rodrigo Merli Antunes.

17h19 – O juiz Leandro Bittencourt Cano reinicia o júri e começa a ouvir o depoimento de Mizael Bispo de Souza. Em sua primeira resposta, o réu diz que não matou Mércia Mikie Nakashima, sua ex-namorada.

16h59 – O júri vai continuar em instantes com o interrogatório do réu, o ex-policial Mizael Bispo de Souza. O pedido de nulidade do julgamento deverá ser avaliado pelos sete jurados amanhã, durante a fase de debates entre acusação e defesa.

16h45 – Para justificar o pedido de nulidade, o  advogado Ivon Ribeiro argumenta que a perícia que cronometrou o tempo supostamente levado pelos suspeitos para ir da represa de Nazaré Paulista até Guarulhos foi “mentirosa”. O advogado diz que, segundo a perícia, o carro percorreu uma distância de 9,4 km entre o ponto A e B em 7min30. Já a distância de 9,2 km entre os pontos B e C foi vencida em 4min10. “A velocidade média nos dois percursos era de 39 km/h. Como pode, então, o tempo ser quase metade se a distância é praticamente a mesma?”, questionou Ribiero. “Já tinham alterado o horário do crime. Agora, alteraram a matemática.”

16h30 – O advogado questiona as contas do perito e pede que explique cada  um de seus cálculos.

16h24 – Enquanto o julgamento ocorre no prédio do Fórum Central de Guarulhos, do lado de fora manifestantes pró-condenação do réu Mizael Bispo exibem faixas com a foto de Mércia Nakashima. Luiz Ricarte, 18, gritava em um microfone: “Não queremos que Mizael saia pela porta da frente”. A prima de Mércia, Solange Morais, chegou a chorar ao lembrar da advogada, morta em 2010.

16h17 – O promotor afirma que a providência “demonstra a mais absoluta má-fé”. Ele afirma que a requisição poderia ter sido feita na segunda-feira, para que não houvesse o “dispêndio de tempo e de dinheiro” dos envolvidos no júri. O advogado Alexandre de Sá pediu o indeferimento da solicitação de nulidade feita pela defesa.

15h56 – O advogado exibiu um vídeo mostrando um carro da polícia científica. Ele questiona os cálculos do peritos e pede  a nulidade das perícia realizada por Hélio Rodrigues Ramacciotti.

15h55 – O advogado Ivon Ribeiro adota tom mais agressivo na oitiva do perito Ramacciotti. Diferentemente do que ocorreu no depoimento do perito Renato Pattoli.

15h27 – A perspectiva é que Mizael Bispo seja ouvido ainda hoje. Ontem, os advogados de defesa esperavam ouvi-lo apenas na quinta-feira; mas, pelo ritmo do julgamento, pode ser que o réu fale no final desta tarde.

15h37Ramacciotti passa a ser ouvido pela defesa. O advogado Ivon Ribeiro inicia as perguntas.

15h25 –  O promotor Rodrigo Merli Antunes elogiou os jurados durante o intervalo de almoço. “[Os jurados fazerem perguntas] demonstra comprometimento do conselho, demonstra que eles estão acompanhando com atenção. Os jurados estão de parabéns”. O promotor ainda criticou os advogados de Mizael: “A defesa foi mais um vez leviana em suas acusações”.

15h22 – O perito Hélio Rodrigues Ramacciotti disse que teve que exigir pouco de sua viatura para que ela se comportasse como o Fiat 147 que teria sido usado por Evandro e Mizael na noite do crime. O tempo usado pelos suspeitos e pelo perito foi praticamente o mesmo. Porém, no dia em que o perito fez o caminho entre a represa de Nazaré Paulista e Guarulhos havia neblina. “Acabei empregando velocidade mais reduzido do que alguém com aquele ânimo (fugindo de uma cena do crime) teria feito”, afirmou a testemunha.

14h54 – Hélio Ramacciotti foi convocado  pela promotoria, como testemunha em juízo.

14h45 – Recomeça o julgamento. A defesa desistiu de ouvir duas testemunhas por considerar que as questões periciais foram esclarecidas no testemunho anterior, do perito Renato Pattoli . Quem irá prestar depoimento agora é perito criminal Hélio Ramacciotti, que cronometrou o trajeto entre a represa onde o carro de Mércia foi encontrado, em Nazaré Paulista,  e o Hospital Geral de Guarulhos, por onde Mizael passou. A cronometragem é uma das provas da acusação. O localizador do carro de Mizael, um Kia Sportage, mostra que ele ficou parado das 18h37 às 22h12 no Hospital Geral de Guarulhos. Ele teria seguido de lá no carro de Mércia até a represa e depois teria voltado com Evandro para buscar seu carro.

 

14h37Veja galeria de fotos do julgamento

14h19 – O segurança em frente ao Fórum de Guarulhos afirma que o controle de fluxo no prédio busca evitar tumulto dentro do prédio. Ele diz que, nos dois primeiros dias de julgamento de Mizael Bispo, havia muita gente desautorizada circulando pelos corredores do fórum. A partir de hoje e até o final do julgamento, o controle na entrada será mais rigoroso.

13h50 – O assistente de acusação Alexandre de Sá Domingues conversou com jornalistas após o intervalo sobre a testemunha da defesa que depôs nesta manhã, Renato Pattoli. Sá Domingues disse que, apesar de Pattoli afirmar que a terra encontrada no sapato de Mizael não fosse compatível com o local do crime, a acusação continua confiante de que isso não muda o quadro geral do julgamento. “Pattoli não fez a análise técnica da terra, ele apenas a coordenou”. O advogado ainda afirmou que o que vale é o laudo, e que “o objetivo da defesa é buscar pelo em ovo”.

13h15 – O juiz Leandro Bittencourt Cano determinou uma pausa de uma hora no júri para o almoço.

13h09 – O assistente de acusação, Alexandre Sá, faz algumas perguntas ao perito. A defesa de Mizael pediu para questionar a testemunha novamente. Renato Pattoli é uma testemunha em juízo – não representa nem a acusação, nem a defesa.

12h57 – Ao pedir nova descrição de como a Mércia Nakashima foi baleada, o promotor Rodrigo Merli provocou a defesa: “Entendeu, doutor Ivon?”, se dirigindo ao advogado Ivon Ribeiro. O juiz pediu para que o promotor não mencionar o nome dos advogados de defesa em sua fala. O promotor disse que já estava “ficando irritado”.

12h46 – O promotor segue com perguntas técnicas ao perito Rento Pattoli. Dois vídeos já foram exibidos a seu pedido.

12h31 – “Eu quero o tratamento similar ao que vem sendo dado á defesa”, diz o promotor Rodrigo Merlim, ao pedir ao juiz  para exibir um vídeo enquanto interroga o perito Renato Pattoli. Depois ironizou: “Eu seu que vossa excelência (juiz) entende dessa maneira, mas acho que a defesa não. Não sei se é medo …”. Diante dos protestos dos advogados de defesa, o promotor foi advertido pelo juiz. “Não vou permitir bate-boca”, afirmou o magistrado Leandro Bittencourt Cano.

12h25 – O promotor pergunta porque a testemunha que afirma ter visto o carro de Mércia Nakashima ser jogado na represa de Nazaré Paulista teria ouvido gritos da vítima e não os disparos que a mataram. “Essa onde sonora do tiro pode não ter chegado ao pescador se tivesse ouvido uma intempérie”, disse ele, que ressalvou não ser possível afirmar o motivo com precisão.

12h21 – O promotor busca detalhar como foi a reconstituição dos crime, tentando dirimir qualquer eventual contestação que venha a ser feita pela defesa. “Quantos elementos encontrados no sapato de Mizael são compatíveis com o local do crime e com o interior do carro?”, perguntou. “Fragmentos ósseos, cobre, chumbo, manchas de sangue, terra da represa, alga da represa”, afirmou o perito.

12h07 – Juiz passa a palavra para o promotor Rodrigo Merli, que começa a fazer suas perguntas ao perito. O promotor pede explicações sobre como foi coordenada a  perícia e quantos núcleos foram empregados.

12h06 – Juiz retoma o julgamento com as perguntas dos  jurados ao perito Renato Pattoli.

11h49 – Juiz determina pausa de cinco minutos no julgamento.

11h45 – O primeiro depoimento do dia, do perito Renato Pattoli, sobre dados técnicos e provas periciais coletadas durante a investigação, tem deixado os jurados em dúvidas. Por duas vezes, membros do júri encaminharam perguntas por escrito ao juiz para tirar dúvidas.

11h30 – “O senhor pode afirmar que foi encontrado sangue no sapato de Mizael?”, pergunta Ivon Ribeiro ao perito. Segundo o perito, a reação não é determinante, mas um indicativo de que há sangue.

11h25 – O perito Renato Pattoli é a oitava testemunha a prestar depoimento desde segunda-feira.

11h15 – O assistente de acusação, Alexandre Sá, se irrita novamente com as perguntas da defesa. “Você está com dúvida de que o carro (Mércia Nakashima) esteve na represa?”, questiona, dirigindo-se a Ivon Ribeiro. O juiz pede, novamente, que não sejam feitas interrupções.

11h11 – O advogado Ivon Ribeiro faz agora os questionamentos ao perito.

11h06 – Um jurado perguntou se foi coleta mostra de alga do fundo da represa. O perito afirma que não.

11h04 – O advogado Samir Haddad Júnior questiona se não teria sido importante o perito Renato Pattoli ter acompanhado a remoção do carro de dentro da represa de Nazaré Paulista. Ele questionado se a retirada do veículo sem acompanhamento não teria eliminado provas. “Sim”, disse o perito, “mas não existe uma maneira de retirar o carro sem que algumas provas sejam comprometidas”, afirma. “Muitas provas saem com a água, pela janela, mas muitas ficam”, diz. Segundo ele, sua presença, acompanhando a retirada do carro da represa, não teria mudado o resultado da coleta. “Os Bombeiros são os primeiros a saber sobre preservação do local do crime. Todo policial sabe disso”.

10h54 – O perito afirmou fez uma vistoria “minuciosa” no Kia Sportage de Mizael Bispo.

10h52 – O assistente de acusação, Alexandre Sá, demonstra irritação com as perguntas feitas ao perito pelo advogado de defesa Wagner Garcia. Ele chegou a deixar o salão do júri.

10h47 – O advogado Wagner Garcia questiona se teria havido falha na coleta de provas na casa de Mizael Bispo. “Não considero que houve falhas”, disse o perito. “Você tem que traçar uma linha e ir atrás dessa linha. Falar depois que as coisas acontecem é fácil”. Segundo o perito, toda coleta de provas pode ser melhorada em uma investigação, mas ele afirma que fez o possível diante do contexto e do tempo que tinha para fazer o trabalho.

 

10h35 “Graças a Deus não estávamos lá”, o disse o advogado Wagner Garcia sobre o fato de não terem testemunhado a cena do crime. “Se estivéssemos lá, talvez não tivesse acontecido (o crime)”, devolveu o perito.

 

10h32 – O assistente da acusação faz a sua segunda interferência na fala da defesa. Ele pediu ao juiz para que oriente Wagner Garcia a fazer perguntas diretas. “Se ele quer contar a versão dele, eu vou contar a minha”, questionou Alexandre de Sá Domingues. O juiz concordou com o pedido, mas solicitou ao advogado que, se quiser  interromper, peça a ele.

 

10h28 – O advogado Wagner Garcia segue questionando os dado técnicos da perícia, como o  dia da reconstituição e a retirada do carro da água.

 

10h23 – O perito admite que a alga encontrada no sapato de Mizael poderia ter vindo de outra represa.

 

10h19 – A defesa, até o momento, adota um tom menos agressivo do que o visto nos dois primeiros dias. O juiz Leandro Bittencourt Cano ainda não precisou fazer nenhuma intervenção para manter a ordem, como ocorreu diversas veze nas demais sessões. Quem faz as perguntas ao perito Renato Pattoli agora é o advogado Wagner Garcia.

Veja a cronologia do caso

ENTENDA O CASO: veja as versões da acusação e da defesa

ESPECIAL: personagens, provas e versões

O segundo dia de julgamento O primeiro dia de julgamento

 

10h11 – O advogado Samir Haddad Júnior segue fazendo perguntas de natureza técnica. Ele questiona a prova da alga da represa de Nazaré Paulista, onde o carro de Mércia foi encontrado. A mesma alga foi achada no sapato de Mizael Bispo, assim como uma porção de terra  similar à existente na represa.

 

10h06 – O advogado questiona porque, se Mizael é ex-policial e sabe manejar uma arma de fogo, os dois disparos não foram letais. Segundo a perícia, ela morreu por afogamento. Renato Pattoli afirma que Mércia pode ter se mexido na iminência de ser morta.

 

10h01 – “Na minha convicção, ao menos dois disparos ocorreram dentro do carro”, disse o perito. O advogado questiona por que não foi feita uma perícia mais detalhada dos disparos. Segundo o perito, os detalhes encontrados foram suficientes e não seria preciso fazer uma reconstituição. O advogado questiona se a testemunha que viu o carro de Mércia Nakashima poderia  ter ouvido disparos, e porque isso não foi aferido durante as perícias.

 

9h53Começa o terceiro dia de júri de Mizael Bispo de Souza no Fórum de Guarulhos. O perito Renato Pattoli é o primeiro a ser ouvido. Ele é interrogado pelo advogado Samir Haddad Júnior, defensor de Mizael Bispo. Como feito ontem, a defesa de Mizael procura desqualificar as provas técnicas que incriminam o réu.

 

9h45 – O advogado de Evandro Bezerra (acusado de ser cúmplice na morte de Mércia), Aryldo de Paula, afirmou que pode pedir a nulidade do juri, porque não teve a possibilidade de se manifestar quando seu cliente foi citado e porque, segundo ele, testemunhas voltaram para casa.

 

9h18 – Embora também seja advogado,  Mizael Bispo não se valeu até agora do direito de fazer peguntas e intervir nas sessões. Muitas vezes, a pedido das testemunhas que iriam depor, o réu deixou a sala da audiência no Fórum de Guarulhos.

Mizael é orientado por um de seus três advogados, Ivon Ribeiro. Foto: Werther Santana/Estadão

9h12 – “Há tempos não via um debate tão acalorado”, afirma repórter. Jornalistas que acompanham o julgamento de Mizael Bispo de Souza avaliam comportamento do réu e dos advogados, e acreditam que defesa está tentando prolongar fase de depoimentos.  

 

9h00 – O advogado e ex-policial militar Mizael Bispo de Souza, de 43 anos, acusado pela morte da sua ex-namorada, Mércia Mikie Nakashima, em 2010 comparece ao terceiro dia de júri popular nesta quarta-feira, 12,  em Guarulhos, Grande São Paulo. Ele está preso desde 24 de fevereiro de 2012 e deve ser ouvido nesta quinta-feira, 14. É a primeira vez no País que um júri é transmitido ao vivo por emissoras de rádio, TV e internet.

 

Veja a cronologia do caso

 

ENTENDA O CASO: veja as versões da acusação e da defesa

 

ESPECIAL: personagens, provas e versões

 

O segundo dia de julgamento

 

O primeiro dia de julgamento

 

Mércia e Mizael foram sócios  em um escritório de advocacia e namoraram por quatro anos até setembro de 2009. A advogada foi vista pela última vez na tarde de 23 de maio de 2010 na casa da avó. Em 10 de junho, o carro dela foi achado na Represa Atibainha, em Nazaré Paulista. No dia seguinte, o corpo foi localizado. O promotor Rodrigo Merli Antunes diz que o conjunto de provas lhe dá convicção de que Mizael cometeu o crime. Para o advogado Samir Haddad Júnior, as provas são frágeis e Mizael é “incapaz de matar alguém”.

 

Mizael escreveu um livro com sua versão para o caso que pretende entregar aos jurados. Nele, reafirma sua inocência e se considera alvo de uma perseguição policial. Sete das 11 testemunhas que devem participar do júri são peritos ou policiais.

 

 

O botânico Carlos Eduardo Bicudo, por exemplo, foi chamado pela promotoria para falar sobre a alga encontrada no sapato de Mizael – e que é comum na represa onde o corpo da vítima foi encontrado. Completam a lista o delegado Antônio de Olim, responsável pelas investigações, o engenheiro de telecomunicações Eduardo Amato, o irmão da vítima, Márcio Nakashima, e um advogado que acompanhou os depoimentos.

 

 

O perito Hélio Ramacciotti, que cronometrou o trajeto entre a represa e o Hospital Geral de Guarulhos, é testemunha do juízo. A defesa chamou o investigador Alexandre Simoni, responsável pela análise dos celulares dos acusados e da vítima, o perito Renato Patolli, que assinou o laudo, e mais três pessoas: um físico especializado em áudio e vídeo, um ex-perito do IC e uma amiga de Mizael.

 

 

Segundo dia de julgamento. O segundo dia do júri do advogado e ex-policial militar Mizael Bispo de Souza foi marcado por ofensas pessoais e provocações entre acusação, defesa e o delegado Antonio de Olim. O policial foi questionado por 5 horas e 20 minutos no Fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo. O promotor Rodrigo Merli Antunes chegou a dizer que o advogado Ivon Ribeiro era “amigo do diabo” por contar “mentiras”.

 

Também foi chamado como testemunha de acusação o presidente da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), Arles Gonçalves Júnior. Ele acompanhou os interrogatórios de Evandro e afirmou que não viu nenhum ato de tortura contra Bezerra, que apontou Mizael como responsável pelo crime. “Obviamente, o trato policial não é o mesmo que o do advogado, do promotor ou do juiz, mas não vi nenhum abuso.” Em seguida, foi ouvida a primeira testemunha da defesa, a corretora de imóveis Rita Maria de Souza, amiga de Mizael, que falou pouco sobre a relação do réu com Mércia.

 

Ela disse que ele era um bom advogado. A segunda testemunha de defesa foi o policial civil Alexandre Simone, especialista em rastreamento telefônico. Ele optou por não ter a imagem divulgada na transmissão ao vivo do júri pela televisão e internet.

 

Primeiro dia de julgamento. O primeiro dia de júri do ex-PM Mizael Bispo de Souza teve briga, choro e até imagens censuradas: diante das câmeras em uma sala do Fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo. Como em um reality show, no primeiro tribunal do júri transmitido ao vivo no País, coube ao juiz dirigir câmeras – e cortar a imagem, quando achou necessário. Entre os depoimentos, destacou-se o irmão de Mércia, Márcio, que buscou defender a “honra” da irmã. Outras duas testemunhas de acusação prestaram depoimento, mas sem a presença do réu: o biólogo Carlos Eduardo de Mattos Bicudo e o engenheiro elétrico Eduardo Amato Tolezani.