Júri de Gil Rugai chega ao terceiro dia nesta quarta-feira

Felipe Tau

20 de fevereiro de 2013 | 11h02

14h56 – Juiz sinaliza que convocará testemunha extra

O juiz Adilson Simoni, presidente do júri de Gil Rugai, afirmou agora há pouco que estuda a possibilidade de convocar uma testemunha extra: Rudi Otto, ex-sócio do réu. Segundo depoimentos juntados ao processo, Otto teria visto Gil com uma arma semelhante à usada no crime. A pistola semiautomática calibre 380 teria sido vista em uma gaveta no escritório onde os dois trabalhavam. Neste suposto testemunho, Otto teria afirmado ainda que chegou a segurar a arma.

 

12h15 – Contador de Luiz Rugai não confirma nem desmente desfalque

Primeira testemunha a ser ouvida no terceiro dia de julgamento de Gil Rugai, no Fórum da Barra Funda, zona oeste de São Paulo,  o contador Edson Tadeu de Moura, que prestava serviços para a empresa de Luiz Carlos Rugai, disse desconhecer qualquer desfalque na produtora de vídeo da vítima, a Referência Filmes. A afirmação vai contra o depoimento do instrutor de voo de Luiz Carlos na época do crime, Alberto Bazaia Neto, que reforçou os argumentos da acusação para incriminar Gil. Ouvido como testemunha nessa terça-feira, ele afirmou ter ouvido da vítima que Gil havia roubado o dinheiro da empresa, o que desencadeou uma série de atritos entre pai e filho.

Segundo Moura, apenas uma perícia contábil poderia afirmar se o roubo ocorreu e sua autoria. O contador, porém, afirmou que é praxe, especialmente em empresas familiares, que pessoas assinem em nome de outras. Ao ser indagado se Gil Rugai tinha autorização para assinar documentos ou cheques em nome do pai, Moura não soube responder. Logo após o término de seu depoimento, a defesa dispensou a testemunha José Eugênio de Moura, irmão de Edson e também contador.

11h00 – O julgamento de Gil Rugai, de 29 anos, acusado de matar o pai e a madrasta há quase nove anos em São Paulo, entra no terceiro dia nesta quarta-feira, 20, com a previsão de os jurados ouvirem o depoimento de mais oito testemunhas, desta vez arroladas pela defesa. Desde segunda-feira, seis pessoas prestaram depoimento – cinco de acusação. O réu é acusado de ter assassinado a tiros Luiz Carlos Rugai, de 40 anos, e a mulher dele, Alessandra Troitino, de 33, em 28 de março de 2004 na mansão onde o casal morava em Perdizes, na zona oeste. A sentença deve sair nos próximos três dias.

O julgamento começou por volta das 10h48.  A primeira testemunha  a ser ouvida será Edson Tadeu de Moura, então contador da produtora de vídeo de Luiz Carlos Rugai.

Famílias das vítimas se dividem

Gil Rugai terá o apoio da família e a desconfiança dos parentes da madrasta, que acreditam e assumem a tese da acusação. Para eles, foi Gil, o filho mais velho de Luiz Carlos, que assassinou o casal a tiros.

O estudante terá no tribunal o amparo informal de Alberto Toron, um dos principais criminalistas do País. O escritório dele tem como sócio Marcelo Feller, que representa o acusado, ao lado de Thiago Gomes Anastácio, de 33. A equipe de defesa ainda tem a experiência da escritora Ilana Casoy, que é especialista em criminologia e mãe de Feller.

Debate. Para os defensores, a denúncia feita pelo Ministério Público Estadual chega a ser “ridícula”. Os advogados afirmam que o réu estava no prédio onde mantinha um escritório no momento do crime. Feller e Anastácio prometem comprovar a tese por meio de registros telefônicos. Os dois ainda argumentam que a marca de pé encontrada na porta da sala onde Luiz Carlos estava antes de morrer não é do acusado e destacam que o vigia noturno não tinha ângulo para ver Gil sair da mansão.
Promotor. As versões costuradas pela defesa, segundo o promotor de Justiça Rogério Zagallo, em nada modificarão o que está no processo. Responsável pela acusação, ele afirma que tanto a marca de pé na porta como a arma do crime – achada na galeria pluvial do prédio de Gil – incriminam o acusado. E a Promotoria promete apresentar outros provas aos jurados, como o suposto desfalque de R$ 150 mil feito por Gil na empresa de vídeo do pai e o testemunho de vizinhos que podem indicar detalhadamente o horário do crime.

 

Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

 

 

 

 

 

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